Como se não bastasse a nova diretoria, torcedor do Corinthians ainda precisa aguentar Mario Gobbi
Quando era presidente, Gobbi pouco aparecia, agora parece que decidiu compensar os anos de 'silêncio' opinando sobre assuntos que não cabem a ele falar, tirando do buraco pautas velhas e cansativas que não acrescentam em nada
Como se não fossem suficientes as desastrosas entrevistas e falas do atual presidente do Corinthians, Augusto Melo, e do diretor de futebol, o Rubão, agora o torcedor é “obrigado” a ouvir Mario Gobbi, dirigente que comandou o clube entre 2012 e 2015, anos vitoriosos do Timão, com a conquista da Libertadores e do Mundial.
Na época que era presidente, Gobbi pouco aparecia, era discreto, porém agora parece que decidiu compensar os anos de “silêncio” concedendo entrevistas opinando sobre assuntos que não cabem a ele falar, tirando do buraco pautas velhas e cansativas que não acrescentam em nada, apenas geram polêmicas e interligam inevitavelmente o nome dele ao do Corinthians.
Nesta segunda-feira (27), o ex-presidente, integrante da Renovação e Transparência, participou do podcast “Tomando uma com…”, e aproveitou o espaço para falar sobre os anos que trabalhou a frente do clube, expondo situações do dia a dia com os treinadores, como, por exemplo, Tite, que segundo Gobbi, teria dito que Marquinhos não serviria para zagueiro:
— Chegou uma proposta para o Marquinhos por 5,5 milhões de euros da Roma. Falei: não vendo. E pressão, facada, toma, vai e vem. Eu não queria vender, ele era a joia da coroa. Tanto que falei: eu só vendo o Marquinhos se o Tite sair do CT, vier aqui na minha sala e disser para mim que ele não tem futuro. Na semana seguinte, o Tite saiu do CT, e disse: “Presidente, o Marquinhos não vai dar zagueiro, ele é franzino, é baixo, não ganha bola no alto, não tem impulsão. O máximo que o Marquinhos vai ser é um lateralzinho, talvez um volante. Então, não quero e não vou mais relacionar o Marquinhos” — revelou Gobbi.
Claro que o torcedor gosta de ouvir sobre os bastidores e as histórias que não chegam a eles diariamente, mas a verdade é que o legal dessas conversas são com os ex-atletas, que tem aquelas famosas e divertidas “resenhas” do que aconteceu durante e depois de um título, como eram as concentrações, esse tipo de coisa que eles falam quando colocam fim a carreira no futebol.
Agora, o que as declarações de um ex-dirigente tem a acrescentar ao torcedor? O que ele pode dizer ou contar de tão revelante assim? A verdade é que elas não servem para nada além de inflar o ego de quem fala e mostrar quem a pessoa realmente é.
Falas sobre Abel Ferreira não foram pela rivalidade, foram xenofóbicas, e parece que Gobbi esqueceu nacionalidade de António Oliveira
É na hora mais improvável que as pessoas mostram quem realmente são, quando elas estão com seus escudos e “máscaras” abaixadas, é aí que expõe que realmente pensam sobre vida, o mundo e a sociedade, e não foi diferente com o Mário Gobbi, que aproveitou o espaço que estava para atacar o treinador do Palmeiras.
— Aí vem um português aqui, que tem um nível superior, e manda no árbitro, agride jogador do São Paulo, ofende o árbitro, c*** na cabeça da Federação, da CBF, e todo mundo baba ovo para ele. Ele é competente, mas aqui tem uma cultura, tem futebol. Sabe o que está acontecendo? Os outros técnicos estão começando a bater nos árbitros. Se ele pode fazer isso, o senhor Deus Abel, os outros passam a fazer também. Ele empurra o jogador adversário, ele pensa que é o quê? E os presidentes dos clubes estão quietos. Ele apita jogo. Se você não gosta daqui, vai embora, vai treinar o Almería, quem ele queira. Está uma vergonha. E ataca a imprensa, agride, ofende, é desrespeitoso. Ofende e ninguém fala nada, está tudo bem — disse Mário Gobbi.
Ao responder o questionamento feito sobre o aumento de técnicos estrangeiros atuando no Brasil, Gobbi foi xenofóbico. Mesmo que o treinador rival seja chato, e ele é, mesmo que ele reclame demais, e de fato reclama, nada do que foi dito sobre Abel Ferreira pode ser classificado como rivalidade, não pode ser tratado como “coisas do futebol”.
Além disso, alguém precisa lembrar o ex-presidente de que o atual treinador do Corinthians também é português, e apesar de ser mais contido na beira do campo do seu compatriota, António Oliveira já demonstrou que também tem uma personalidade forte à frente do banco de reservas.
Se o Corinthians ficou para trás em títulos em comparação ao rival, a culpa é do grupo político que Mario Gobbi fez parte
O Corinthians não consegue ser campeão desde 2019, quando conquistou seu 30º título do Campeonato Paulista. Depois disso, o clube bateu na trave em outras finais, como, por exemplo, a Copa do Brasil de 2022, em que perdeu o título nos pênaltis. Enquanto isso, o rival, sob o comando de Abel Ferreira, ganhou quase tudo o que disputou desde a sua chegada.
Se o Corinthians ficou para trás, se não tem conseguido ganhar, se em 2024 ainda lida com uma enormidade de dívidas e cobranças sem fim, é por conta dos 16 anos de gestão do grupo Renovação e Transparência, da qual ele fez parte por muito tempo, e que o elegeu como presidente. Grupo político que negligenciou contas, fez acordos impagáveis ou não cumpriu com eles. Mas ao que parece é mais fácil para Gobbi fazer meia culpa e jogar tudo no grande balaio da rivalidade.
O torcedor do Corinthians quer voltar ao topo, a ganhar, a ser campeão, e só precisam e pedem uma coisa para os antigos e atuais dirigentes: parem de falar.




