Exclusivo: António Oliveira cogitou pedir demissão do Corinthians, mas optou por desabafo que irritou diretoria
Treinador se sente exposto e está muito incomodado, já a direção corintiana não gostou do "recado" mandado pelo técnico em entrevista coletiva
O relacionamento entre António Oliveira e Corinthians está cada vez mais desgastado. Nesta quarta-feira (26), após o empate corintiano em 1 a 1 com o Cuiabá, pelo Brasileirão, o treinador não escondeu a insatisfação com a ausência de reforços e promessas não cumpridas pela direção do clube alvinegro e mandou alguns recados durante a entrevista coletiva.
A medida tomada pelo técnico português foi uma forma de minimizar a irritação. O profissional chegou até mesmo a pensar em pedir demissão nos últimos dias. Ele compartilhou isso a pessoas próximas, que o aconselharam a não tomar essa decisão.
António Oliveira tem se sentido exposto e sem suporte da diretoria em meio a maus resultados, principalmente no Campeonato Brasileiro, onde a equipe alvinegra venceu apenas uma de 12 partidas, ocupando a zona do rebaixamento.
A atitude do treinador, no entanto, incomodou ainda mais à direção corintiana, que não gostou de ser cobrada publicamente, o que não seria a primeira vez, mas a mais explícita.
A maior parte da cúpula responsável pelo futebol do clube alvinegro defende a demissão de António, que ainda não foi consumada por conta da ausência de um substituto que seja de consenso internamente, até mesmo para assumir o time interinamente, caso seja necessário.
Na última semana, Danilo foi dispensado. Ele dirigia o sub-20 corintiano e poderia “tapar o buraco” no elenco profissional caso fosse necessário.
António Oliveira não acredita em contratações de impacto pelo Corinthians
Assim como prometeu a torcedores que protestaram nos últimos dias e falou para algumas pessoas próximas, o presidente Augusto Melo deixou claro que reforçaria o elenco corintiano com até quatro jogadores em condições de titularidade durante a janela de transferências do meio do ano.
Mesmo com o período de mercado abrindo oficialmente no dia 10 de julho, o departamento de futebol do Corinthians tem trabalhado nos bastidores há algumas semanas em busca dessas contratações de peso, mas até agora não conseguiu firmar acordo com os atletas que eram os planos principais.
Para piorar, reforços que eram alvos do clube alvinegro, como o volante Walace, não aceitaram a oferta corintiana e acertaram com rivais na disputa do Brasileirão – o meio-campista, no caso, foi para o Cruzeiro.
A falta de movimentação efetiva do Timão no mercado da bola deixou António Oliveira desesperançoso quanto a ter um elenco mais competitivo no segundo semestre.
– As pessoas precisam ajustar as suas expectativas em relação aquilo que eventualmente vai chegar. Não vai chegar aqui um Neymar, um Marquinhos, um Paquetá. Se calhar, não vamos ter aquilo que eventualmente me prometeram. A janela já vai ser uma situação completamente diferente, vamos ver o que o mercado e as oportunidades nos dão para poder treinar uma equipe mais competitiva e mais forte – disse o técnico.

O profissional também se sente incomodado com os papéis de blindagem do elenco e até a diretoria que tem feito, que vão além da sua função como treinador.
– Já disse ao Fabinho (Soldado, executivo de futebol) e ao presidente que estou muito seguro do que eu faço, sei como cheguei aqui, mas realmente tem sido um trabalho árduo. Tem sido apaixonante, mas não pensava que teria que fazer tanta coisa além da minha competência técnica. Mas nós temos que conseguir moldar as expectativas de um clube desta dimensão com uma torcida dessas para que o clube possa nos oferecer — apontou António Oliveira.
Em outro momento da coletiva, António também disse que “é cada vez mais importante as pessoas servirem ao Corinthians do que se servirem do clube”.



