Copa do Brasil

Abel adota silêncio: não explica nem questão Al Sadd e nem futebol ruim do Palmeiras

Técnico do Palmeiras falou o mínimo possível sobre acusação do clube do Qatar que tramita na Fifa

Para quem quer saber o que de fato aconteceu entre Abel Ferreira e Al Sadd — ou a menos a versão do técnico para os fatos — se frustrou.

Após o empate sem gols que levou o Palmeiras às oitavas de final da Copa do Brasil, como prometido, o técnico abordou o tema. Mas assim como o seu time, que apenas ameaçou jogar, a explicação do treinador também ficou só na teoria.

— Vou fazer uma breve declaração. Esperei até hoje porque gosto de falar com vocês olhos nos olhos, como sempre fiz. A minha carreira de treinador é um livro aberto. Livro que tem capítulos de glória, alguns de tristeza e frustração, e tem seguramente páginas que eu rasgaria. Sou dono da minha alma e capitão do meu destino. E quis esse capitão que eu chegasse no Palmeiras, em 2020 — iniciou o português.

— Não altero uma vírgula do que disse há sete meses: Estou no Palmeiras e sou treinador do Palmeiras. É um orgulho. O capitão do meu destino me trouxe ao chiqueiro. Ganhamos, já ganhamos esse ano, e se Deus quiser vamos continuar a ganhar. Estou onde quero estar e estou onde querem que esteja. Sobre esse assunto, não falo mais — disse o técnico, sem explicar absolutamente nada.

Arriscando-se a levar uma invertida, outro repórter mencionou o tema novamente, questionando o treinador sobre o que há de verdade no que toca a ele ter assinado um pré-contrato com o time do Qatar.

— Vamos ver, vamos ver. Só há uma verdade e uma certeza. Só isso.

E foi só. Imprensa e, consequentemente, os torcedores, continuam sem saber o que aconteceu em 15 de novembro do ano passado. Data, segundo alegação do Al Sadd, em que ele se comprometeu a treinar o clube a partir desta temporada.

O silêncio certamente é estratégico. Assim como o Palmeiras, que se limitou a dizer que está tomando as devidas medidas legais acerca do assunto, Abel deve ter sido instruído a falar o mínimo possível.

Mas, após tanta expectativa, a fala de Abel não serviu para absolutamente nada.

O que mais Abel falou

Gramado do Santa Cruz

— Hoje foi uma corrida de Fórmula 1 na chuva. Pista perigosa, tivemos que colocar os pneus de chuva. Sim, o gramado não estava bom… Mas isso é comum aqui (risos). Mas eu disse para os jogadores “não venham com desculpas, é ruim para os dois”.

Time sem Endrick e convocados

— Vamos ficar sem Gómez, Ríos, Piquerez, Endrick… Temos que pensar na equipe. Não fiz isso hoje, mas no próximo jogo a intenção é preparar a equipe sem esses jogadores.

Comportamento de outros técnicos (referência a Zubeldía, do São Paulo)

— Esse dia estava vendo treinadores peitando jogadores, outros chutando copos de água. Até perguntei para o Núcleo de Inteligência se o meu chute foi mais rápido e disseram que eu estava em segundo, o outro foi muito mais rápido. Tenho que começar a treinar o meu pé para voltar para o primeiro lugar. Já que ninguém fala nisso, eu tenho que falar.

Igualar recorde de partidas consecutivas de Osvaldo Brandão

— O único mérito que eu tenho é saber escolher. Tenho uma comissão escolhida a dedo por mim. Tenho uma estrutura extraordinária no clube. Tenho um diretor que faz muito mais do que imaginam. E eu tenho sorte de ter uma vida cheia de mulheres de grande valor que me ajudam a tomar as melhores decisões. Uma delas faz aniversário hoje, minha filha. Parabéns e um beijinho. Minha outra filha, minha esposa, minha mãe. E claro, minha presidente que me ajuda em todos os níveis. Agradeço a Leila por todo apoio e conforto que dá para mim e minha família. Dificilmente no futuro encontrarei um clube tão bem organizado. Eu sou tão bom quanto forem as pessoas que me rodeiam.

Venda de Estêvão

— Só espero que o Chelsea não leve mais ninguém, até fico com medo.

— Mérito para a nossa presidente. Se tem uma coisa que ela faz bem é negociar. Muito boa nisso. O Barros também, muito bem no trabalho dele. O que eu posso mais dizer? Num ano só, Endrick para o Real Madrid e Estêvão para o Chelsea… Espero que ninguém saia mais. Nos deixem em paz.

Foto de Diego Iwata Lima

Diego Iwata Lima

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, Diego cursou também psicologia, além de extensões em cinema, economia e marketing. Iniciou sua carreira na Gazeta Mercantil, em 2000, depois passou a comandar parte do departamento de comunicação da Warner Bros, no Brasil, em 2003. Passou por Diário de S. Paulo, Folha de S. Paulo, ESPN, UOL e agências de comunicação. Cobriu as Copas de 2010, 2014 e 2018, além do Super Bowl 50. Está na Trivela desde 2023.
Botão Voltar ao topo