Copa do Brasil

Só a Copa do Brasil pode salvar ano de Flamengo e São Paulo, dois finalistas à beira da crise

Flamengo e São Paulo fazem final da Copa do Brasil, buscando título e prêmio, em meio a instabilidades na temporada

Depois de quase um mês de espera, chegou a hora: Flamengo e São Paulo se enfrentam neste domingo (17), às 16h (horário de Brasília), pelo jogo da ida da final da Copa do Brasil. O duelo movimenta duas das cinco maiores torcidas do país em um confronto de 180 minutos que é a única salvação para as duas equipes em 2023. O Rubro-Negro tenta o penta, e o Tricolor busca um título inédito. E só o troféu – além dos quase R$ 100 milhões em premiações – pode evitar uma crise que bate à porta dos dois finalistas.

Flamengo e São Paulo chegam ao primeiro jogo da decisão em momento de instabilidade, com derrotas recentes no Campeonato Brasileiro e eliminações precoces em competições sul-americanas. A panela de pressão dos cariocas, contudo, chega muito mais quente ao Maracanã, mesmo que o Tricolor só esteja vivo, de fato, na Copa do Brasil. A Trivela explica abaixo como chegam as equipes para a finalíssima.

Clima ruim e Sampaoli em xeque: esse é o atual Flamengo

2023 tinha tudo para ser mais um ano de conquistas ao Flamengo. Por ter sido campeão da Libertadores e da Copa do Brasil, a equipe já teria desafios importantes logo no início da temporada, mas a troca de Dorival Júnior por Vítor Pereira provou ser demais para o ambiente. O Rubro-Negro começou a jornada com três vices e uma eliminação precoce no Mundial de Clubes, até que o português fosse demitido.

Sampaoli chegou e deu indícios de que melhoraria o time, tanto que o Flamengo emplacou bons períodos de invencibilidade e cresceu na Copa do Brasil e na Libertadores. Desde o episódio de agressão envolvendo Pedro e o ex-preparador físico, Pablo Fernandez, o ambiente do time desmoronou de vez. A atitude apaziguadora do treinador argentino com ambos os lados fez com que o elenco rachasse e a instabilidade voltasse.

A partir daí foram muitas complicações e problemas nos bastidores, que culminaram em nova eliminação precoce, dessa vez na Libertadores, para o Olimpia. A vaga na decisão da Copa do Brasil veio após abrir vantagem contra o Grêmio, em Porto Alegre, mas não estancou a crise. Os resultados no Campeonato Brasileiro só escancaram o quão abaixo o time rubro-negro está em 2023.

Veja o desempenho do Flamengo antes e depois do episódio de agressão

Antes:
16 vitórias
7 empates
4 derrotas
67% de aproveitamento

Depois:
4 vitórias
2 empate
3 derrotas
51% de aproveitamento
1 eliminação na Libertadores

Mesmo que o clima estivesse ruim, o Flamengo ainda poderia ter chegado à decisão motivado. A equipe conseguiu quebrar a invencibilidade do Botafogo no Nilton Santos, jogando melhor do que o rival, que é líder do Campeonato Brasileiro. Contudo, todo o progresso foi estragado quando Sampaoli e companhia protagonizaram uma das piores partidas da temporada, perdendo para um Athletico Paranaense desfalcado por 3 a 0, em Cariacica.

Sampaoli não tem tido descanso no Flamengo, especialmente nos últimos dois meses (Foto: Iconsports)

Então é isso, esse é o momento do Flamengo antes da final da Copa do Brasil. Um time sem muita identidade, com um treinador pouquíssimo respaldado, elenco e diretoria pressionados pelos fracassos da temporada. O título, ainda que não salve totalmente o ano, diminui a pressão para o próximo, que promete ser de reformulação. Afinal, é a última jornada da gestão Rodolfo Landim.

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Dorival tenta recuperar trabalho que pode ter vivido auge cedo demais

Dorival Júnior chegou ao São Paulo para mudar os rumos da temporada. Transformou um time que parecia destinado a se contentar com um ano de permanência na Série A em um candidato a título inédito na história do São Paulo. Mas essa equipe que desbancou rivais com direito a uma virada épica no Morumbi parece pagar um preço bem caro pelo caminho épico que percorreu para chegar até a final deste domingo.

É que o São Paulo de Dorival virou o São Paulo das copas. A equipe depositou todas as fichas nas competições de mata-mata – especialmente na Copa do Brasil – e assumiu os riscos que essa estratégia poderia trazer. Já amargou a eliminação nas quartas de final da Sul-Americana, e hoje ocupa uma desanimadora 13ª colocação no Campeonato Brasileiro.

Aproveitamento do São Paulo

  • 8 primeiros jogos após a Data Fifa de junho:
    6 vitórias, 1 empate e 1 derrota – 79,9% de aproveitamento
  • Últimos 13 jogos:
    3 vitórias, 3 empates e 7 derrotas – 30,7% de aproveitamento

Sob o comando de Dorival, o Tricolor viveu o melhor início de um treinador no século – foram 12 jogos de invencibilidade seguidos. Veio a Data Fifa de junho, e a equipe retomou fôlego para uma arrancada com 79,9% de aproveitamento em oito jogos até a goleada por 4 a 1 sobre o Santos no Brasileirão. Foi a última vitória pelo Campeonato Brasileiro.

E o que veio depois é uma campanha que só se sustenta pelos resultados na Copa do Brasil. Nos últimos 13 jogos, são apenas 30% de aproveitamento. As três vitórias neste período foram apenas por competições eliminatórias. Após a derrota para o Inter, na última quarta, o treinador afirmou que o foco está na final deste domingo. Faz sentido. Em caso de título, a temporada será histórica. Do contrário, virará um caos.

Seja para São Paulo ou para Flamengo, esta é a linha tênue dos 180 minutos da Copa do Brasil. Glória, ou fracasso, sem meio termo. 1/apostas/palpites-de-futebol/sao-paulo-x-flamengo/”>O primeiro jogo é neste domingo (17), às 16h (horário de Brasília), no Maracanã. A volta será no domingo seguinte, no Morumbi.

Dorival tenta entrar para a história (e evitar fracasso) com título (Foto: Rubens Chiri/saopaulofc.net)
Foto de Guilherme Xavier

Guilherme XavierSetorista

Jornalista formado pela PUC-Rio. Da final da Libertadores a Série A2 do Carioca. Copa do Mundo e Olimpíada na bagagem. Passou por Coluna do Fla e Lance antes de chegar à Trivela, onde apura e escreve sobre o Flamengo desde 2023.
Foto de Eduardo Deconto

Eduardo DecontoSetorista

Jornalista pela PUCRS, é setorista de Seleção e do São Paulo na Trivela desde 2023. Antes disso, trabalhou por uma década no Grupo RBS. Foi repórter do ge.globo por seis anos e do Esporte da RBS TV, por dois. Não acredite no hype.

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