Copa do Brasil

Eliminação do Cruzeiro tem culpa do gramado, mas também de Nico Larcamón

O Cruzeiro foi eliminado na primeira fase da Copa do Brasil após perder para o Sousa, da Paraíba, por 2 a 0, no Marizão

O Cruzeiro foi eliminado na primeira fase da Copa do Brasil pela terceira vez em sua história ao perder para o Sousa, da Paraíba, por 2 a 0, com dois gols marcados pelo atacante Danillo Bala, no final do segundo tempo. A partida, disputada nessa quarta-feira (21), no Estádio Marizão, foi marcada por um campo encharcado pelas fortes chuvas que castigaram a cidade que dá nome ao time durante todo o dia de jogo.

Apesar de o treinador Nicolás Larcamón se recusar a falar do gramado, análise que classificou como “papel da imprensa”, é inegável que as condições, ou falta delas, prejudicaram o andamento da partida, que de futebol não teve nada. O que se viu foram duas equipes tentando jogar num terreno onde era impossível, sendo Sousa, Cruzeiro ou Manchester City. Com poucos minutos de jogo, ficou claro que o resultado do jogo seria obra do acaso. Além das chuvas que antecederam o jogo, algumas tempestades caíram durante o confronto, piorando ainda mais a situação.

A expectativa era que a sorte decidisse o jogo. De uma bola parar ou não numa poça. De um chute ser dificultado ou não pela iluminação ruim do estádio. De uma tomada de decisão equivocada, como os jogadores do Cruzeiro insistindo em recuar bolas para Rafael Cabral mesmo com o gramado totalmente empoçado. Bem, sendo assim, a derrota foi apenas resultado do acaso? Não.

Jogadores e Nicolás Larcamón têm responsabilidades em eliminação

Se o gramado do Marizão atrapalhou o andamento da partida, para as duas equipes, o Cruzeiro conseguiu piorar a situação para si mesmo. Inicialmente, por erros já comuns, como as falhas de Arthur Gomes na finalização ou a incapacidade de Neris no primeiro gol do Sousa, que contou, ainda, com parcelas de contribuição de Rafael Cabral, Marlon e Filipe Machado. Além disso, atletas e comissão técnica da Raposa perderam a oportunidade de pedirem uma paralisação do confronto em alguns momentos, principalmente porque seria o time celeste o mais prejudicado, já que este tinha a responsabilidade de voltar para BH com a classificação na mala.

Mas o principal responsável por piorar a situação do Cruzeiro foi o treinador Nicolás Larcamón. Primeiro pela escalação. Ele optou em mudar o esquema de jogo, colocando três volantes, uma formação ainda não utilizada em 2024, que causou estranheza, somada ao terreno diferente do que a equipe celeste já enfrentou nesta temporada.

Além disso, mais uma vez, Nico Larcamón confiou em jogadores que apesar de terem bons jogos, não fizeram muito para justificar a imensa confiança do treinador: o zagueiro Neris, titular absoluto, o lateral-direito Wesley Gasolina, um décimo segundo jogador, Filipe Machado, que atua na zaga mesmo tendo o excelente João Marcelo e os não-utilizados Ruan Santos e Pedrão, crias da base, e o volante Lucas Silva, que nada faz para justificar sua titularidade incontestável.

Além disso, a escalação de Machado precisa ser questionada em especial. Por que colocar um volante baixo e passador improvisado de zagueiro (ou quase isso) num gramado encharcado onde era impossível tocar a bola e que, obviamente, as equipes iriam tentar o jogo pelo alto? E por que insistir nisso os 90 minutos?

Substituições expuseram o Cruzeiro

Outros pontos a serem apontados são as substituições que foram terríveis. Quatro minutos antes do gol, Larcamón sacou Dinenno e colocou Rafael Elias, seis por meia dúzia, no que se diz respeito à ocupação de espaços no campo, já que tecnicamente pouco era possível se fazer, e colocou João Pedro na vaga de Arthur Gomes. Por que colocar um jovem velocista, puxador de contra-ataque, num campo encharcado onde o adversário iria para o tudo ou nada, em especial com bolas levantadas para a área? Se ele não queria retrancar visivelmente, talvez fosse mais interessante deixar dois centroavantes, visto que se tornou um jogo de chutões.

E quando falo de retrancar visivelmente, ressalto isso pelo fato de que o Cruzeiro, durante a maior parte do segundo tempo, abriu mão de jogar, sentado no resultado e apostando no empate, que o classificaria pelo regulamento. Quem busca o empate, consegue no máximo o empate, e o Sousa, aguerrido, buscou mais. Por mais que Nico Larcamón queria tirar “aprendizado” da eliminação, essa lição já custou caro demais.

Foto de Maic Costa

Maic Costa

Maic Costa nasceu em Ipatinga, mas se radicou na Região dos Inconfidentes mineiros. Formado em Jornalismo na UFOP, em 2019, passou por Estado de Minas, Superesportes, Esporte News Mundo, Food Service News e Mais Minas. Atualmente, é setorista do Cruzeiro na Trivela.
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