Jorge Sampaoli acaba de confirmar o que já se sabia há algum tempo: o treinador está de saída do Atlético Mineiro, despedindo-se do clube na rodada de encerramento do Campeonato Brasileiro, nesta quinta-feira (25). Resta oficializar, mas tudo indica que o argentino assumirá o comando do Olympique de Marseille, da França.

O comunicado foi feito por nesta segunda-feira (20), por meio de uma carta enviada pela assessoria de imprensa do argentino. Em um trecho dela, afirmou: “Saio com a nostalgia de não poder ter dirigido com o estádio cheio. Sei que nos emocionamos muito. Queria viver os vídeos que tinha visto de uma torcida apoiando sem parar”.

Sampaoli foi anunciado técnico do Atlético Mineiro em março de 2020, encontrando no Galo aquilo que buscava: um clube forte, relevante, capaz de brigar por títulos e com um grande para contratações. O treinador vinha de um ano bastante positivo pelo Santos em 2019, em que superou expectativas e, mesmo sem o mais forte dos elencos, fez bonito no Campeonato Brasileiro, terminando na segunda colocação.

A impressão era de que, em uma disputa mais aberta, sem um adversário tão significativamente forte quanto aquele Flamengo de Jorge Jesus, o argentino poderia ter marcado sua passagem pelo Alvinegro com um título importante. Por isso, com a saída de Jesus do Rubro-Negro e com a assinatura de Sampaoli com uma equipe como o Atlético Mineiro, a expectativa era de que ele entregasse taças relevantes.

Ainda que um degrau abaixo do que fez com o Santos, o trabalho de Sampaoli foi muito bom, mas deixou a desejar. Faltou um último passo para levar a equipe ao próximo nível e a uma conquista grande. Considerando a percepção de que o argentino estava um nível acima de seus colegas de profissão no Brasil e que teve mais dinheiro para se reforçar do que o restante, não deixa de ser uma decepção a sua campanha no Brasileirão, em que deverá terminar na terceira ou quarta colocação.

Além disso, diferentemente de 2019, o Brasileirão de 2020 não teve uma equipe que destoasse do restante. Foi um campeonato marcado por momentos, e qualquer time que pudesse encaixar uma sequência um pouco mais longa de bons resultados conseguia se alçar a uma boa posição. No momento em que veio a queda do São Paulo, o Galo não foi a equipe a tirar proveito disso, ficando também pelo caminho.

Sampaoli tinha contrato até o fim de 2021 com o Atlético Mineiro e chegou a conversar por uma extensão de mais um ano, segundo o Globo Esporte. No entanto, veio o interesse do Olympique de Marseille, e as negociações foram interrompidas. De acordo com o jornal francês L’Équipe, o argentino deverá assinar contrato até junho de 2023 com a equipe marselhesa.

No Olympique de Marseille, Sampaoli encontrará um desafio relevante à sua vontade de se estabelecer na Europa. Apesar de vir de uma campanha de segundo lugar na Ligue 1 passada, o OM vive uma temporada de crise, ocupando a sétima colocação a 14 pontos do quarto colocado, o Monaco. Fora de campo, a situação ainda é pior, com um racha significativo acontecendo entre a direção do clube e a torcida, que recentemente atacou o CT do próprio clube em contra o presidente Jacques-Henri Eyraud.

Se no Brasil Sampaoli ficou conhecido como um treinador um tanto quanto “mimado” em suas demandas por reforços, na França terá de adaptar as expectativas, já que o Marseille não vive tampouco um bom momento financeiro. O clube opera no vermelho há algumas temporadas, tendo tido que fechar acordo com a Uefa para não ser punido por infração do fair play financeiro.

Por outro lado, ao encontrar no OM um gigante abatido, Sampaoli tem também aí uma margem importante de crescimento a buscar, o que lhe dá a possibilidade de deixar uma potencial melhora futura bastante acentuada.

A impressão que o argentino deixa no Brasil é de que seus dois trabalhos foram interrompidos cedo demais e que poderiam ter levado a conquistas em caso de continuidade. Mas é preciso apontar que essas interrupções foram causadas pelo próprio treinador, por suas escolhas. Será curioso acompanhar como se comportará Sampaoli em Marselha, onde embate entre técnico e diretoria não é coisa nova.