O técnico apresentou o seu pedido de demissão do nesta terça-feira. Em coletiva de imprensa, o treinador foi duro, disse que não concorda com a política de contratações do clube e ficou furioso ao descobrir que especificamente um jogador que ele disse que não queria foi contratado, sem sequer que ele fosse comunicado. A direção do Marseille aceitou o pedido de demissão algumas horas depois da entrevista, e respondeu com força: vai buscar medidas disciplinares contra o técnico.

O Marseille anunciou a contratação de Olivier Ntcham, do Celtic. O meio-campista, de 24 anos, chega por empréstimo do clube escocês para jogar pela primeira vez no time principal de um clube do seu país, já que ele é francês. Ele passou pela base do Paris FC e depois do Le Havre, antes de ser contratado em 2012 pelo Manchester City, aos 16 anos. Ficou na base dos Citizens até 2015, quando foi emprestado ao Genoa, por uma temporada, e depois foi vendido ao Celtic, em 2017,  por €5 milhões.

“Não foi uma decisão minha. Foi precisamente um jogador [Oliver Ntcham] que eu disse que não queria. Não sabia da contratação, só soube quando acordei e fui ao site do Marselha. Enviei a minha demissão e disse que não concordava com a política desportiva do clube. Não quero dinheiro, só quero ir embora”, afirmou o treinador.

“Esta decisão não tem nada a ver com os incidentes do fim de semana [ataque dos adeptos ao centro de treinos do clube]. Tem a ver com política desportiva. Mesmo a saída do Radonjic [para o Hertha] só fui informado à noite”, explicou ainda Villas-Boas.

Já na sexta-feira passada, o técnico deixou claro que o seu ciclo no clube estava no fim. Sem receber proposta de renovação e com o contrato encerrando em julho. Por isso, ele disse que deixaria o clube ao final da temporada. E isso porque ele tinha ameaçado se demitir depois de uma derrota para o Nimes por 2 a 1, em casa, na semana anterior. Agora, as palavras são ainda mais fortes.

“Estou à espera de uma resposta da direção e, se não aceitarem, continuo. Não quero dinheiro, só quero ir embora. Isso é claro”, disse o treinador. A situação turbulenta do Olympique de Marseille tem sido uma constante, mesmo desde o final da temporada passada.

A campanha na Champions League foi um papelão. O próprio Villas-Boas avaliou que o desempenho fraco do time no torneio continental foi “o maior fracasso da sua carreira”. Por fim, a crise deflagrada pela derrota para o lanterna Nimes criou  um ambiente que parece tirar o time dos trilhos.

Marseille quer multar o agora ex-treinador por medidas disciplinares

Algumas horas depois da entrevista coletiva que André Villas-Boas chutou o pau da barraca, a diretoria do Olympique de Marseille aceitou o pedido de demissão do técnico português e, mais do que isso, o criticou duramente.

“A decisão se tornou inevitável dadas as ações recentes e repetitivas e atitudes que prejudicaram seriamente o Olympique de Marseille e seus funcionários, que se devotam ao clube de forma diária”, diz o comunicado divulgado no site do Marseille.

“Os comentários feitos hoje durante a coletiva de imprensa em relação a Pablo Ligoria, gerente geral no comando do futebol, são inaceitáveis”, continua a nota. “Suas conquistas excepcionais não devem ser questionadas e, ao contrário, foram saudadas por todos durente esta janela de inverno, que foi afetada por uma crise sem precedentes. Possíveis sanções podem ser tomadas contra André Villas-Boas na sequência de procedimentos disciplinares”.