Após quatro rodadas da fase de grupos da Champions League, o Olympique de Marseille, que fazia seu retorno à competição depois de sete anos, soma quatro derrotas e nenhum gol marcado. A campanha estendeu para 13 o número de reveses consecutivos na competição, conferindo ao clube o recorde de pior sequência negativa na história do torneio. O técnico da equipe, André Villas-Boas, definiu a eliminação precoce dos Phocéens como um dos maiores fracassos de sua carreira, mas ainda espera restaurar o pouco de dignidade que sobrou nos dois últimos jogos, em que briga por um lugar no restante da Liga Europa da atual temporada.

Em entrevista coletiva antes do jogo com o Olympiacos, na Grécia, pela quinta rodada da Champions League, André Villas-Boas não soube explicar a diferença de atuações e resultados de seu time na Ligue 1, em que venceu seus últimos quatro jogos e não perde há sete partidas, e na Liga dos Campeões. Seu palpite mais próximo seria a diferença de competitividade.

“A diferença é grande entre as competições. Mas estou curioso para entender porque todas as equipes francesas, exceto o Paris Saint-Germain e o Lyon na temporada passada, sentem tanto o impacto da Liga dos Campeões. É falta de experiência? Para mim, uma diferença de competitividade muito grande pode ser a principal explicação. É preciso ser mais exigente, culturalmente, sem dúvidas. Não encontrei as respostas”, afirmou.

“Isso não é uma desculpa, poderíamos ter feito muito melhor nesta competição. Pensamos que era um grupo acessível. Mas tivemos muito azar, mostramos muita inocência. Este será um dos grandes fracassos da minha carreira, que jamais poderei apagar”, resignou-se.

Para poder terminar no terceiro lugar do grupo C e ir às fases seguintes da Liga Europa, o Marseille precisa, antes de tudo, vencer o Olympiacos nesta terça-feira (1), na Grécia. Depois, é o caso de primeiro de tudo torcer contra os gregos, que enfrentam o Porto na rodada final, e, é claro, fazer o possível diante do poderoso Manchester City. Villas-Boas, que já afirmou que essa resposta nas rodadas finais não apagaria o vexame protagonizado até agora, tampouco vê o duelo com os gregos como simples: “O Olympiacos tem um pouco mais de experiência que nós no cenário europeu, com um belo percurso na Liga Europa na temporada passada (eliminou o Arsenal e chegou às oitavas de final)”.

Questionado sobre se é preciso sacrificar o desempenho em torneios europeus para ir bem na Ligue 1, o treinador do OM preferiu não falar diretamente sobre isso. Apenas ressaltou a necessidade de regularidade na competição nacional e traçou algumas datas para se ter uma ideia de quais serão as pretensões de seu time na temporada.

“Antes que todos comecem a dizer que somos candidatos ao título de campeão da França, é o que expliquei: se o PSG perde o título, devemos ao menos estar perto deles, em posição de os ameaçar. Nesta temporada, as coisas estão um pouco imprevisíveis, precisamos ser regulares. Além disso, não é normal jogar em 2 de janeiro quando outras equipes estarão de férias. Acho que veremos mais claramente depois de receber o Monaco (em 12 de dezembro) e ao ir para Rennes (16 de dezembro). O próximo final de semana é muito importante, com confrontos diretos no topo (Montpellier x PSG e Lille x Monaco) que podem mudar a classificação.”

Ligue 1 à parte, Villas-Boas adoraria uma segunda chance em torneios europeus ainda em 2020/21: “Fomos infelizes na Liga dos Campeões, precisamos sair com uma vitória. Se formos para a Liga Europa, tentaremos fazer muito melhor”.