Ligue 1

Au revoir: em crise no Marseille, Villas-Boas diz que deixa o clube ao final da temporada

O técnico do Olympique de Marseille, André Villas-Boas, anunciou que deixará o cargo depois do fim da temporada da Ligue 1, quando também termina o seu contrato com o clube. Havia um rumor que ele poderia deixar o clube nos próximos dias, depois de especulações que o português pediria demissão no último sábado, depois de uma derrota em casa contra o Nimes por 2 a 1.

Segundo a TV francesa RMC Sport, o treinador estava furioso no sábado depois do jogo contra o Nimes. O zagueiro Alvaro González fez um discurso forte antes mesmo de uma enxurrada de problemas que ainda viria depois. “Nós não temos o direito de nos comportarmos desta maneira. Eu estou aqui há apenas um ano e meio, mas eu entendi há muito tempo o que esta camisa significa. Nós podemos não jogar bem uma noite, mas não é permitido não lutar e mostrar espírito”, afirmou o González. O jogador, embora seja espanhol, fez um discurso considerado por um interlocutor “como um líder”.

O técnico ameaçou se demitir diante do elenco, por se sentir decepcionado e traído por líderes do elenco. Alguns jogadores teriam pedido para que ele ficasse, porque os problemas da equipe não seriam culpa dele. Alguns jogadores achavam que ele não estaria mais no clube no dia seguinte, outros achavam que era um blefe do treinador. No domingo de manhã, Villas-Boas se reuniu com o presidente Eyraud e a demissão não estava mais nos planos. Mas a rusga está clara e o técnico parece não confiar mais em um projeto a longo prazo no clube.

No domingo de manhã, o presidente do Marseille, Jacque-Henri Eyraud, foi ao treinamento e falou de forma dura com os jogadores. “Ele nos disse que nosso jogo tinha sido patético, que éramos lixos e que fomos atropelados pelo último colocado da Ligue 1, que não mostramos vontade. Raramente o vimos assim”, disse um jogador à RMC, em condição de anonimato. “Ele disse para nós que quer que respeitemos esta camisa e precisamos respeitar o OM como instituição ainda mais e que qualquer indisciplina será fortemente punida”.

“O presidente estava furioso. Ele disse que nós não éramos dignos da camisa e que nós não respeitamos os torcedores. Que se o estádio estivesse cheio, nós não chegaríamos em casa antes das 3 da manhã”, continuou o jogador não identificado. “Jacques-Henri se acalmou no final e explicou que com dois jogos a menos, nós ainda estávamos na briga, mas pediu aos jogadores para nos olharmos no espelho. É normal depois do que vimos no sábado”, disse um membro da comissão técnica não identificado.

Em coletiva de imprensa neste sábado, Villa-Boas foi perguntado sobre a sua continuidade no clube. “Se terminará em junho? Acho que sim”, afirmou o português, sobre a sua permanência depois do fim da temporada. Vice-campeão na temporada passada, que foi interrompida e encerrada antes por causa da pandemia COVID-19, uma decisão vista como uma vitória política do Olympique de Marseille. Desta vez, porém, o time é o sexto na tabela, com 32 pontos, 13 a menos eu o líder, Paris Saint-Germain. Por isso, o treinador acha que “está longe dos objetivos traçados no início da temporada”.

“Todos pensamos que é isso que vai acontecer [sair no final da época]. Nada está a acontecer com os meus agentes”, disse o treinador. “O que é importante é ser bem substituído para dar continuidade ao trabalho desenvolvido. Estamos a 29 de janeiro e nunca recebi oferta de prorrogação de contrato, pelo que acho que acabou. A prioridade não sou eu, mas o clube e os adeptos”.

Villas-Boas vive uma relação bastante conflituosa com o elenco neste momento. É uma panela de pressão e as coisas parecem sempre prestes a explodir. No sábado, o Marseille recebe o Rennes pela Ligue 1, no Estádio Orange Velodrome. Aparentemente, começa a tour de despedida de Villas-Boas e, sinceramente, os torcedores e os jogadores nem parece que sentirão tanta falta do treinador assim.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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