Brasileirão Série A

Sacrifício, desabafo e choro de Everson escancaram como ele é perseguido no Atlético-MG

Sempre questionado por parte da torcida do Atlético, Everson desabafou pela primeira vez depois de mais uma série de críticas sem sentido

O Atlético-MG só empatou com o Fortaleza na Arena MRV neste domingo (23). O Galo sofreu mais um golaço, pelo quinto jogo seguido, do tipo de chute que vai no ângulo, sem chance para o goleiro. Mesmo assim, Everson sempre saiu como culpado e, dessa vez, ele não aguentou e desabafou, chorando ao falar sobre a perseguição que sofre por parte da torcida.

Multicampeão pelo Atlético, Everson nunca foi bem quisto por parte da torcida do Atlético, que sempre procurou um jeito de criticá-lo, mesmo que ele não tivesse culpa. Foi assim desde a chegada dele, e os momentos de calmaria fora, basicamente durante o mágico ano de 2021, e na segunda metade de 2023.

Fora isso, Everson acaba sempre saindo como culpado por alguns torcedores, mesmo que ele sofra gols praticamente impossíveis de serem defendidos. Depois de tanto aguentar, chegou o dia dele desabafar e até chorar pelo que sofre.

— Sei que não agrado parte da torcida, mas eu trabalho pra caral**. Desculpa o palavrão, mas trabalho mesmo, me sacrifico pra caral**. Desculpa, mas ninguém sabe o sacrifício que eu fiz para jogar hoje, cheio de dor… a dor foi insuportável, aguentar ela para jogar hoje — iniciou o goleiro seu desabafo

Everson revelou que fez tudo um esforço para jogar contra o Fortaleza, pois estava com os dedos luxados: “meu dedo não estava dobrando até ontem”. O goleiro afirmou que a sensação era de ter o coração batendo nas mãos, de tanto que os dedos pulsar.

Enquanto eu tiver forças para fazer meu trabalho e me sacrificar, eu vou fazer. Se por acaso o treinador ou diretoria achar que não estou mais ajudando, eles vão ser os responsáveis por me tirar. Mas não sou de largar o bastão. Sou batalhador para caralho — Everson

Everson é criticado por sofrer golaços

As atuais críticas a Everson acontecem também por conta dos vários golaços que o Atlético tem sofridos nos últimos cinco jogos. Mas, como a palavra diz, foram golaços, e o goleiro pouco podia fazer. Não à toa, ele não foi o único a sofrer esses gols. Mesmo com ele fora, o substituto dele também sofreu.

O de Breno Lopes, do Fortaleza, foi o último. A sequência começou com Ademir, do Bahia, que marcou um gol bem parecido com o do atacante do Fortaleza, mas de canhota e no outro lado da Arena MRV. Nesse jogo, o Galo empatou.

Depois, foi a vez de Lucas Evangelista, do Red Bull Bragantino, que soltou uma pancada no ângulo de Everson. Mas, nesse caso, o Galo conseguiu virar o jogo para 2 a 1.

E quem acha que o problema é Everson, está enganado. Contra o Palmeiras, o goleiro foi Matheus Mendes. Resultado? Golaço de Estevão no ângulo, também parecido com os de Breno e Ademir.

Antes de ser vítima de Breno, o Atlético foi de Matheusinho, do Vitória. No Barradão, o jovem do Rubro-Negro acertou de canhota o ângulo de Everson, que estava de volta ao gol.

Melhor goleiro do Brasil em 2023?!

Everson vem de uma das melhores, se não, a melhor, temporada da sua carreira. Em 2023, principalmente no segundo semestre, ele colecionou grandes atuações e defesas espetaculares, ganhando prêmios ao final do Brasileiro como o melhor goleiro da competição.

— Por mais que não agrade uma parte da torcida, ano passado passei por isso e terminei 2023 como um dos melhores da competição. Talvez por isso sou cobrado, por sempre estar jogando em alto nível. Mas, alguns gols, difíceis de tomar. Quando erro eu assumo, mas é um momento difícil. Graças a Deus eu deito no travesseiro com a consciência limpa de que toda fazendo meu trabalho ao máximo — afirmou.

Pelo trabalho no Atlético, Everson chegou a Seleção Brasileira (Lucas Figueiredo/CBF)

Perseguição desde o início

Everson chegou ao Atlético em 2020, a pedido de Sampaoli, que tinha trabalhado com ele no Santos. Conhecido por ser muito bom com a bola nos pés, o goleiro nunca deixou de cumprir muito bem sua função, mas, mesmo assim, para alguns, isso não era o bastante.

Everson chegou ao Galo e logo substituiu Rafael, hoje no São Paulo, o que irritou boa parte da torcida. Para ele, 2020 foi o pior ano no sentido pressão, pois o sistema de jogo fazia o time levar muitos gols, e a culpa sempre acaba nele. Mesmo assim, ele nunca se isentou de culpa.

Ao longo de quase quatro anos no Atlético, Everson teve seis treinadores, e todos eles optaram por colocar ele como titular. Sinal de que, algo de bom ele faz.

No dia a dia o treinador vai escolher quem estiver melhor e, graças a Deus, estou há quase quatro anos sendo escolhido para representar a torcida dentro de campo. Peço desculpas pelo desabafo. Sei que quem gosta do meu trabalho não queria me ver assim, chorando, mas bola pra frente, quarta-feira tem mais um jogo — Everson.

Pelo Atlético, Everson soma 247 jogos e tem média de menos de um gol sofrido por jogo. Ele foi titular na conquista de quatro Campeonato Mineiros, uma Copa do Brasil, um Campeonato Brasileiro e uma Supercopa.

Foto de Alecsander Heinrick

Alecsander Heinrick

Jornalista pela PUC-MG, passou por Esporte News Mundo e Hoje em Dia, antes de chegar a Trivela. Cobriu Copa do Mundo e está na cobertura do Atlético-MG desde 2020.
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