Brasileirão Série A

Com mais erros que acertos, passagem de Paulo Bracks no Vasco deixou pequeno legado para 2024

Agora ex-diretor de futebol do Vasco, Paulo Bracks foi demitido depois de uma temporada ruim, com luta contra o rebaixamento e erros na montagem do elenco

Primeiro diretor de futebol da “era SAF” do Vasco, Paulo Bracks foi demitido depois de menos de um ano e meio no cargo. Após a confirmação da permanência do clube na Série A do Campeonato Brasileiro, o Cruz-Maltino anunciou a saída do dirigente na última quinta-feira, cerca de 12 horas depois da vitória sobre o Red Bull Bragantino, em São Januário, que livrou o time, montado por Bracks, do rebaixamento. Com mais erros que acertos, o dirigente deixou o clube com poucos, mas importantes legados para a próxima temporada.

A demissão de Paulo Bracks não surpreendeu pela saída do dirigente, mas pelo anúncio nesta quinta-feira, poucas horas depois dele participar da coletiva de imprensa de Ramón Diaz e falar sobre o planejamento do Vasco para 2024. Bracks, inclusive, citou que tinha uma viagem agendada na próxima semana para a Alemanha, onde se encontraria com os diretores de futebol dos clubes da 777 Partners, empresa que comanda o futebol do Vasco.

No clube, Bracks foi responsável pela montagem do elenco no ano de maior investimento da história do Vasco. Mas, ainda assim, o time lutou contra o rebaixamento até o minutos finais do Campeonato Brasileiro, o que pesou para a sua demissão, apesar do CEO Lúcio Barbosa ter citado apenas um desejo por uma “mudança de perfil” em relação ao comandante do futebol do clube.

Bracks participou da coletiva de Ramón, na quarta-feira, sem saber que seria a sua último como diretor do clube (Foto: Gabriel Rodriguez/Trivela)

Montagem de elenco teve muitos erros na primeira janela

Como a 777 Partners assumiu o clube em setembro de 2022, a janela de transferências do começo da temporada foi a primeira sob o comando de Paulo Bracks no Vasco. E, por mais que o clube precisasse passar por uma reformulação quase que total, o Cruz-Maltino ficou com um grupo muito desequilibrado depois do primeiro período de contratações. Foram cerca de R$ 110 milhões investidos na contratação de 16 jogadores. Mas, pelo fisolosofia de trabalho da 777, o clube investiu mais em jogadores menos experientes. A média de idade destes primeiros reforços era de 25,1 anos.

Exemplo disso foram os R$ 22 milhões investidos na contratação do meia-atacante Luca Orellano. O jovem argentino de 23 anos, que havia se destacado no Vélez, ainda sofre com a adaptação ao Brasil. Ao todo, foram 23 jogos, com apenas um gol e uma assistência.

Além disso, o Vasco investiu mais em jogadores para o sistema defensivo. Para o ataque, por exemplo, os únicos reforços foram Pedro Raul, Rwan Seco e o próprio Orellano. Depois de cair na semifinal do Carioca e na segunda fase da Copa do Brasil, o Vasco teve a chance de corrigir essa rota, ainda com a janela aberta, mas fez três contratações que pouco acrescentaram ao elenco: o meia Carabajal, o volante Matheus Carvalho e o atacante Rwan Seco. No meio do ano, praticamente sem oportunidades, Carabajal e Rwan já deixaram o clube.

Primeira janela do Vasco em 2023 deixou elenco desequilibrado e prejudicou começo do Brasileiro (Foto: Daniel Ramalho/Vasco)

Manutenção exagerada de Barbieri quase cobrou o preço no final

Além da montagem do elenco, a manutenção do técnico Maurício Barbieri depois de uma sequência de resultados ruins também causou problemas para Paulo Bracks. Depois de cair na semifinal do Carioca para o Flamengo, o Vasco fracassou ao ser eliminado na segunda fase da Copa do Brasil, para o ABC, em pleno São Januário. O começo de Brasileiro com vitória sobre o Atlético-MG e empate com o Palmeiras até deu alguma esperança, mas logo a realidade bateu na porta.

No entanto, Paulo Bracks sustentou o trabalho de Barbieri até a 12a rodada do Brasileiro, quando o time tinha conquistado apenas seis pontos e acumulou seis derrotas seguidas. Depois da confusão na partida com o Goiás, em São Januário, o Barbieri, enfim, deixou o clube.

A escolha por Barbieri no começo da temporada até parecia razoável. O clube procurava um treinador que tivesse experiência em clube-empresa e que soubesse gerir um grupo jovem, além de ter um time ofensivo. No entanto, nada disso se justificou em campo. A luta do Vasco contra o rebaixamento no Campeonato Brasileiro deixou claro como essa insistência em Barbieri no começo da competição atrasou a vida do clube em 2023. Por pouco, não colaborou para o rebaixamento do clube.

Insistência em Barbieri no começo do Brasileiro quase custou caro ao Vasco (Foto: Daniel Ramalho/Vasco)

Mudança de rota foi essencial para o Vasco contra o rebaixamento

Depois de uma primeira janela com mais erros do que acertos, o Vasco, de fato, conseguiu corrigir essa rota no meio do ano. Além da chegada de Ramón Diaz, é claro, os reforços contratados pelo clube, sob o comando de Bracks, mudaram a cara do time. Medel, Maicon, Paulinho, Payet, Vegetti… Além de “envelhecer” o elenco, as novas contratações deram mais qualidade ao time. Até mesmo a chegada do então desconhecido Serginho acabou fazendo diferença para o Vasco na luta contra o rebaixamento.

A chegada de Payet também mostrou uma certa ambição de Paulo Bracks e do Vasco em tentar uma mudança de patamar do clube. Depois de uma operação que certamente não foi fácil, o francês demorou para entrar no ritmo de jogo, mas também teve momentos importantes na luta contra o rebaixamento.

Bracks deixa base ‘questionável' para 2024

Durante a atual temporada, o Vasco contratou 26 jogadores. Como a reformulação foi grande da Série B para a Série A deste ano, é compreensível esse número de reforços. Dessas contratações, dez jogadores foram comprados pelo Cruz-Maltino e têm contratos mais longos, como Puma Rodríguez, Capasso, Léo e Lucas Piton.

Dessa forma, as mudanças no elenco para a próxima temporada, a depender do novo diretor de futebol, não devem ser tão bruscas como as que foram feitas durante 2023. Por mais que tenham alguns nomes questionáveis e que ficaram devendo no Brasileirão, o Cruz-Maltino não deve fazer uma grande reformulação nesta janela entre 2023 e 2024.

Paulo Bracks avalia o trabalho feito em 2023

Na sua última coletiva como dirigente do Vasco – que ele não sabia que seria a última -, Paulo Bracks fez uma avaliação da temporada vascaína. Com pouca autocritica, ele dividiu o ano em três partes, citou a reformulação no começo do ano, o período de crise no começo do Brasileiro, e a recuperação com Ramón Diaz.

– Podemos dividir o ano em três: de janeiro até abril, iniciamos um primeiro ano de reformulação. Saíram 30 jogadores e chegaram muitos. Como toda reformulação, foi difícil. A segunda parte, de maio até agosto, foi o período que sofremos. Foram três meses de pouco resultado esportivo, que nos forçaram a mudar a rota. A última vez que vim aqui nessa sala de imprensa, disse que estávamos traçando uma reta, uma linha, que o passado tinha ficado para trás, e que teríamos um futuro intacto – afirmou Paulo Bracks, antes de completar.

– Fizemos diferente, acreditamos para fazer diferente. Ter força, resiliência e sustentar a pressão, que é um privilégio de dirigir um clube do tamanho do Vasco. Poucos acreditavam, mas na retomada de agosto para cá, com esse aproveitamento que tivemos com Ramón, retomamos o que disse no início do ano que era ser competitivo. Ninguém prometeu título, nem vaga em competição sul-americana. Há muito acerto, há muito erro, alguns foram corrigidos, mas temos que ser gratos de poder fazer diferente. Aqui tem um caderno novo para fazermos um ano diferente ano que vem. Sabíamos que seria difícil. Foi acima, mas também foi acima a nossa recuperação. Poucos clubes conseguiram uma recuperação tão forte e impactante, mas é do tamanho desse clube – finalizou o dirigente, que tinha esperança de seguir no clube.

Foto de Gabriel Rodrigues

Gabriel Rodrigues

Gabriel Rodrigues é jornalista formado pela UFF e soma passagens como repórter e editor do Lance!, Esporte News Mundo e Jogada10.
Botão Voltar ao topo