Brasileirão Série A

Para além da confusão, último Palmeiras x São Paulo enterrou ideias e pautou Abel

Técnico do Palmeiras abriu mão de algumas concepções após empate pelo Paulistão

Não faz dois meses que Palmeiras e São Paulo protagonizaram um jogo com mais confusão do que futebol no MorumBis. O empate em 1 a 1 no Choque-Rei, pelo Campeonato Paulista, ficou marcado pela negativa de concessão de sala de entrevistas para Abel Ferreira e pelo escândalo xenofóbico do diretor Carlos Belmonte.

Por conta disso, o que aconteceu no gramado — exceto pelos erros de arbitragem — quase não é lembrado. Mas, para o Palmeiras, o jogo talvez tenha sido fundamental para o time tomar o rumo que o levou ao título Estadual.

Próximo ao seu terceiro jogo contra o Tricolor no ano, o primeiro pelo Campeonato Brasileiro, o Palmeiras chega em um processo de contingência. Cansado por uma maratona de sete jogos em abril, o time de Abel Ferreira não terá força máxima nem no que diz respeito à escalação, tampouco na capacidade física dos jogadores.

Por outro lado, o Palmeiras consolidou algumas ideias de jogo nesse intervalo de tempo. E algumas opções naquele empate do MorumBis, em 3 de março, morreram ali mesmo, no campo do arquirrival.

Endrick ala

O mapa de calor de Endrick naquele clássico mostra que o camisa 9, principal atacante do time, pouco entrou na área. Posicionado como ala na direita, Endrick apareceu mais no campo de defesa alviverde do que na área adversária.

Thiago Carpini, então técnico do São Paulo, deve ter ficado maravilhado ao perceber que o atleta mais perigoso do adversário estava mais interessado em marcar o lateral-esquerdo Wellington do que em atacar.

Foi a última vez que Endrick atuou pelo setor. Depois desse jogo, Abel passou a deixar Endrick com menos funções defensivas e necessidade de retornar para auxiliar tanto a marcação.

Zé Rafael armador

Com lombalgia, Zé já não entra em campo há quatro jogos pelo Palmeiras, e também não deve ir a campo no clássico de segunda-feira (29).

Contra o São Paulo, em março, Zé atuou como uma espécie de meia pela esquerda, fazendo companhia a Raphael Veiga. Não deu certo.

No campo, os dois se embolaram e o camisa 8 não teve velocidade para chegar ao ataque. Flaco López ficou quase sozinho no ataque naquele dia, aliás.

3-4-2-1

A formação com três zagueiros, dois alas, dois volantes e dois meias também nunca mais foi utilizada por Abel. Muito porque o uso de Endrick na ala e Zé como meia não deu certo. Mas não só.

Abel até tem povoado o meio e usado três zagueiros, mas Flaco López nunca mais ficou sozinho no ataque. Às vezes, tem a companhia de Endrick. Em outras, Abel lançou mão de outro ponta pela esquerda, como Lázaro, ou pela direita, como Estevão.

O abandono de tal ideia talvez seja revisto com a chegada de Felipe Anderson, em julho. Ou com a ascensão de Luis Guilherme, que vem crescendo de produção.

Trégua

Representantes de São Paulo e Palmeiras se reuniram com a Polícia Militar e a Federação Paulista de Futebol (FPF), na última quinta-feira (25), para definir os detalhes da logística e operação do clássico.

Na reunião, ficou acertado que o Tricolor cederá a sala de coletivas para Abel Ferreira conceder entrevista após a partida. Também foi selado um acordo para que o camarote de Leila Pereira e da diretoria dos visitantes esteja posicionado em um lugar central do estádio.

Foto de Diego Iwata Lima

Diego Iwata Lima

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, Diego cursou também psicologia, além de extensões em cinema, economia e marketing. Iniciou sua carreira na Gazeta Mercantil, em 2000, depois passou a comandar parte do departamento de comunicação da Warner Bros, no Brasil, em 2003. Passou por Diário de S. Paulo, Folha de S. Paulo, ESPN, UOL e agências de comunicação. Cobriu as Copas de 2010, 2014 e 2018, além do Super Bowl 50. Está na Trivela desde 2023.
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