Brasileirão Série A

Ausência de Rony no Palmeiras já era sentida há tempos por Abel. Mas e se o técnico sair, o que será de Rony?

Camisa 10 do Palmeiras, Rony vinha voltando a ser peça importante do time no Campeonato Brasileiro antes de lesão grave

Homem de máxima confiança de Abel Ferreira no Palmeiras, Rony está fora de combate até o fim desta temporada. Em lance ignorado pela arbitragem e o VAR, na goleada do Verdão sobre o América-MG na quarta-feira (29), o camisa 10 teve o antebraço fraturado por uma voadora de joelho do goleiro Jori.

Rony, que passa por cirurgia nos próximos dias, deixará de ser opção para o técnico bem no momento em que voltava a ser uma.

Depois de um 2022 dos sonhos, o centroavante do Palmeiras teve um ano bem abaixo da sua média no clube. Mas, nas últimas rodadas de Campeonato Brasileiro, ecos daquele jogador que chegou à seleção vinham aparecendo.

Fez o gol que fechou a vitória sobre o Internacional, no último dia 11. E, embora tenha jogado pouco contra o América, titular após dois meses, estava bem. Disputou a bola que gerou o gol de Endrick, no primeiro minuto, e, segundos antes de cair e pedir substituição, aos 8, fez uma boa jogada pela direita, com um cruzamento quase alcançado pelo camisa 9.

Estava em curso um momento de redenção para o jogador, que agora será interrompido para, talvez, não ser mais retomado pelas mãos de Abel Ferreira.

O Rony de 2022 recebeu declarações de amor do técnico. O de 2023, recebeu compreensão, paciência e proteção na hora necessária. Mas qual será, e do que vai precisar, o “próximo Rony”? E quem será o treinador a lhe dar?

Cinco baixas

A verdade é que mesmo tendo ficado no Palmeiras, Rony foi uma ausência para Abel neste ano. Na prática, ele foi uma das quatro peças sem as quais Abel iniciou a temporada: Danilo e Scarpa foram para o futebol inglês, Zé Rafael foi improvisado em uma nova opção, e, Rony foi caindo demais de rendimento.

Sem contar as oscilações normais de atletas, como Weverton, Raphael Veiga e Gustavo Gómez, o português teria ainda uma quinta baixa, quando Dudu lesionou o joelho direito, no fim de agosto.

Rony era um dos pilares do técnico, que viu nele um centroavante desde sua chegada, em 2020.

Luiz Adriano, especialista da função, atuava mais fora da área, como arco para Rony, a flecha, receber em profundidade para fazer os gols – que não foram poucos.

De um ponta caro e que pouco entregava, Rony se tornou um centroavante de respeito.

Síndrome da ausência de Dudu

Dudu deixou jogo contra o Vasco com lesão que preocupa o Palmeiras (Foto: Icon Sport)
Dudu deixou jogo contra o Vasco com lesão que preocupa o Palmeiras (Foto: Icon Sport)

No momento mais agudo do ano, Abel Ferreira perdeu seu jogador de ataque mais confiável e atleta mais experiente do elenco.

E a ausência de Dudu gerou um efeito dominó no clube. Muitos jogadores do time viram seus desempenhos minguarem depois de o camisa 7 ir para o departamento médico.

Raphael Veiga ficou sobrecarregado na armação sem Dudu. Zé Rafael, de volante que auxilia a criação, passou a ser muito mais demandado como criador e desafogador de jogadas. Artur teve de trocar de ponta para acomodar Mayke. E Rony sumiu.

Centroavante especialista em aproveitar bolas em profundidade, o atacante viu as jogadas chegarem cada vez menos a ele. Veiga, com muito no prato para digerir, não conseguia achar o atacante. Artur, fora de posição, tampouco. E Mayke, improvisado, menos ainda.

Conforme Abel Ferreira revelou, o jejum de gols começou a cobrar seu preço de Rony, um jogador que se cobra muito. E com o emocional murchando, Rony foi afundando.

O ponto mais baixo de sua decadência aconteceu na derrota por 2 a 0 para o Atlético-MG no Allianz Parque, em 19 de outubro. Naquele dia, ele discutiu com o amigo Raphael Veiga dentro do gramado, sendo contido por Kevin, enquanto Endrick tentava acalmar o camisa 23.

O próximo Rony

Não se sabe onde Rony estará depois da próxima janela de transferências. O jogador foi sondado diversas vezes, pelo futebol dos países árabes, pelo mercado europeu e pela MLS. Uma saída não seria necessariamente surpresa.

Se ele ficar, também não se sabe se Abel Ferreira será seu próximo comandante, já que o técnico está às voltas com propostas do futebol do Qatar.

Capacidade, o atacante tem. Mas é difícil saber como será seu desempenho sem aquele que fez dele, um motivo de piada entre os palmeirenses, um dos maiores atacantes do Palmeiras em sua história na Libertadores.

Foto de Diego Iwata Lima

Diego Iwata Lima

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, cursou também psicologia, além de extensões em cinema, economia e marketing. Iniciou sua carreira na Gazeta Mercantil, em 2000, depois passou a comandar parte do departamento de comunicação da Warner Bros, no Brasil, em 2003. Passou por Diário de S. Paulo, Folha de S. Paulo, ESPN, UOL e agências de comunicação. Cobriu as Copas de 2010, 2014 e 2018, além do Super Bowl 50. Está na Trivela desde 2023
Botão Voltar ao topo