Palmeiras subestima peso da arquibancada ao isentar Breno Lopes após comemoração
Palmeiras levou em conta a manutenção do bom clima interno ao não punir Breno Lopes, mas menosprezou o externo, principalmente com a arquibancada
Já era claro, na noite de sexta-feira (15), que Breno Lopes não sofreria grandes consequências por ofender pesadamente e mostrar o dedo do meio a parte da torcida do Palmeiras – em especial a Mancha Verde -, após fazer o gol da vitória, aos 51 minutos do segundo tempo, contra o Goiás. Uma decisão no mínimo contestável, que parece minimizar o peso do gesto e o efeito que a indignação de parte da torcida pode ter.
O discurso apaziguador de Abel Ferreira e dos jogadores, bem como o semblante sereno dos funcionários do clube após o jogo já deixavam claro que, no vestiário, o sentimento era outro. E que a ideia era mesmo não deixar o assunto ganhar vulto.
Abel, na entrevista coletiva, até se comparou a Breno, equiparando seus arroubos contra árbitros seguidos de expulsões ao gesto do jogador que, lembremos, mandou uma parte da torcida tomar naquele lugar: “Quem nunca perdeu a cabeça?”.
O clima era tão tranquilo que, mesmo “abatido”, como funcionários relataram que Breno estava, ele achou por bem repostar uma publicação com imagens do ocorrido.
Decisão tem aspectos práticos
Há muitas nuances na decisão de se deixar Breno Lopes impune. Manter o foco nas competições e o astral em alta é uma delas. Abel quase recorreu a um “deixa para lá” durante a coletiva. “Nosso elenco é curto e temos de nos unir”, disse, deixando claro que não havia a menor chance de o seu camisa 19 ser afastado
Para Abel e o elenco, a questão é prática. Faltando dois jogos para uma possível final de Libertadores, um time que já perdeu Dudu não pode mesmo abrir mão de outro atacante – o que é claro para todos que acompanham o time.
Nas redes sociais, mesmo os que pediam a cabeça do jogador ponderavam que uma possível dispensa deveria acontecer somente na próxima temporada. Mas havia quase consenso de que um pedido de desculpas – que não havia acontecido até a noite de domingo (17) – e uma punição ao jogador, uma multa salarial que fosse, eram o mínimo esperado.
Que Abel e os jogadores não queiram que o colega sofra, é compreensível. Que a diretoria esteja preocupada em manter o bom ambiente na reta final de competições que o Palmeiras disputa com grandes chances de conquistar, também. Mas Breno sair totalmente ileso não pode receber outra denominação que não omissão e, em parte, descumprimento de função.
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A torcida também é o Palmeiras
Entre as atribuições da diretoria, está zelar pelo respeito à instituição Palmeiras. E o Palmeiras também é a sua torcida. Quando Breno faz o que faz e sai com a garantia de que não sofrerá qualquer arranhão, sem nem mesmo ter se desculpado publicamente, a mensagem é de permissividade: “jogadores, tratem a torcida como quiserem, porque estamos fechados por um bem maior, que é conquistar títulos”.
“Mas Breno não falou com todos”, dizem alguns. “A briga do Breno foi com a Mancha Verde”, dizem outros. Pelo que ficou claro, o jogador se voltou contra todos os que o xingaram ou vaiaram. E quem estava no estádio viu que não foi apenas a organizada e a inferior leste que o estavam criticando.
Mas aí entra outra nuance: e se fosse só com a Mancha Verde, Breno poderia agir como agiu? Na semana em que a presidente Leila Pereira obteve medida restritiva contra dirigentes da organizada, a impunidade a um jogador que xingou especialmente a Mancha é um prato cheio para conclusões.
Há um ruído na relação
A diretoria pode ter tomado a medida pensando no âmbito interno, no bem do time, que é o bem do clube e também o dos torcedores, em última instância. Mas não se atentou ao fato de que há agora um ruído nessa tríade.
Breno não terá apoio, e deverá ter vaias e avisos de “muito respeito com a torcida e com a camisa” a cada jogo de que participar. Faltam dois jogos para uma possível final de Libertadores. Mas ainda há 16 jogos para o término do Campeonato Brasileiro.
Na vontade de manter o bom clima entre os jogadores, enquanto respeita a união do elenco, a diretoria não percebe que se desprende de parte da torcida. Ao não apenas deixar de punir Breno, mas exaltá-lo pelos feitos do passado, como foi a postagem da presidente do clube no Instagram, Leila parece até querer afrontar aqueles que estão indignados.
A arquibancada que empurra o time é a mesma que atrapalha, mesmo quando não quer. E de todos os aspectos envolvidos na questão, este não foi levado em conta.



