Brasileirão Série A

Abel Ferreira cita problemas sem solução no horizonte após derrota do Palmeiras

Técnico do Palmeiras queixou-se menos da derrota do que de algumas questões perenes no clube

O Palmeiras perdeu pela segunda vez em 21 partidas no ano, para o Internacional, na noite de quarta-feira (17), por 1 a 0.

Como o técnico Abel Ferreira mesmo falou, ninguém morreu por conta do resultado, não há tanto com o que se preocupar. Mas, na entrevista coletiva após a partida, ao comentar a derrota, o treinador abordou alguns problemas que não têm solução palpável no horizonte. E estes, sim, podem ser preocupantes.

O primeiro e menos solucionável deles é a questão Allianz Parque. Mais uma vez, o time teve de se deslocar e jogar na Arena Barueri, situação que desagrada muito o técnico do Palmeiras.

— Precisávamos de mais energia dos nossos torcedores. Não estamos jogando em casa, não é desculpa, mas não é igual quando temos o estádio com 40 mil e quando temos um estádio com 15 mil. Jogar no nosso estádio é diferente, energia diferente, o respeito do adversário é diferente. Sentem o poder e o barulho de um estádio como é o Allianz Parque — disse o técnico.

Desalojado por conta do show da banda norte-americana Jonas Brothers, o Palmeiras já sabe que vai jogar em Barueri contra Athletico-PR (sexta rodada) e Vasco (oitava rodada) por conta de outros dois shows: Louis Tomlinson (11 de maio) e Andrea Bocelli (25 e 26 de maio), respectivamente.

E isso é apenas no primeiro semestre. Jogar na Grande São Paulo será uma constante para o time ao longo de todo o ano, mais uma vez.

Um novo meia

Outra questão sem uma solução fácil é a substituição a Raphael Veiga, que iniciou contra o Inter sua quarta partida seguida como titular. Dentre os principais jogadores da equipe, apenas ele vem de uma sequência tão longa.

— Eu (o) tirei porque ele pediu para sair. É uma posição em que, de fato, neste momento, ainda não temos um substituto à altura do Veiga. Vamos ver o que ele tem — disse Abel.

Rômulo, recém-chegado ao clube, foi quem entrou no lugar dele. O ex-Novorizontino fez uma boa partida, mas ainda está se adaptando ao ambiente.

— Temos que ir com calma. Entrou bem, teve uma oportunidade de fora da área, sabemos que ele tem essa característica — ponderou Abel.

Sobre o recém-anunciado Felipe Anderson, que pode ser o meia para atuar junto a Veiga, e que chega ao clube em julho, Abel não quis falar.

— – Sobre esse assunto vou falar hoje e não volto a falar mais. Vocês sabem que no meio do ano, uma das nossas referências vai sair. Temos que ter reposições à altura. Sobre esse jogador, quando ele estiver conosco, eu falo sobre ele.

Desgaste

O terceiro ponto citado por Abel que não tem como ser resolvido é questão calendário. O Palmeiras, se avançar nas competições como é a expectativa da torcida e da diretoria, pode jogar mais cerca de 60 partidas até o fim da temporada.

— Jogamos contra um adversário forte que não disputou a final do estadual. Equipe fresca que se preparou bem para o jogo. No primeiro tempo, o Inter aproveitou bem nossos erros. No segundo, não fomos efetivos nas oportunidades que criamos. 68% x 32% de posse, 18 finalizações contra 5. Pelo que produzimos no segundo tempo, merecíamos mais — disse.

— Uma viagem de duas horas, dois ou três dias de descanso, fazem muita diferença. Eu ia disse que o jogo (contra o Vitória) iria deixar marcas — relembrou.

O que mais Abel falou:

Resultado justo?

— No futebol há três resultados. Vitória, empate e derrota. Nós temos que saber lidar. Hoje, se me perguntar se eu acho o resultado justo? Na minha opinião, não.

Flamengo

— O que eles têm? Mais dinheiro que o Palmeiras para comprar jogadores prontos, só isso. Elenco recheado, treinador que vocês conhecem tão bem ou melhor que eu. Seleção, títulos, mais cabelos brancos e melhor que eu.

— O Palmeiras consegue competir com essa equipe (Flamengo) porque somos organizados, estruturados, jogamos juntos há mais tempo. Mas se for competir com orçamento, capacidade financeira, não tem como. São três ou quatro vezes mais que nós. Somos competitivos porque somos organizados.

Elenco e sistema de jogo

— O Palmeiras tem um elenco espetacular, mas no último jogo, sete jogadores da base foram utilizados. Vejam se as equipes que lutam para ser campeãs usam tantos jogadores da base como nós. E não está em causa a qualidade dos moleques, são bons. E sim a experiência e maturidade competitiva que também é preciso acrescentar.

— O sistema dá o que o treinador quer. Um sistema de três zagueiros pode ser altamente defensivo ou ofensivo. Só lembro vocês que, na última vez que o Brasil ganhou alguma coisa, vejam como o Brasil jogava…

Foto de Diego Iwata Lima

Diego Iwata Lima

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, Diego cursou também psicologia, além de extensões em cinema, economia e marketing. Iniciou sua carreira na Gazeta Mercantil, em 2000, depois passou a comandar parte do departamento de comunicação da Warner Bros, no Brasil, em 2003. Passou por Diário de S. Paulo, Folha de S. Paulo, ESPN, UOL e agências de comunicação. Cobriu as Copas de 2010, 2014 e 2018, além do Super Bowl 50. Está na Trivela desde 2023.
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