Brasileirão Série A

Fluminense e São Paulo trocam faixas de campeões, e Cano decide jogo nada festivo no Maracanã

Cano marca o gol da vitória do Fluminense sobre o São Paulo em noite de festa apenas antes do jogo

Lado a lado, jogadores das duas equipes se abraçam e posam para a foto, vestindo as respectivas faixas de campeão conquistadas em 2023. Muitos sorrisos, cumprimentos, tudo no roteiro de uma quarta-feira (22) que era para ser festiva no Maracanã. E foi, mas só até a bola rolar. No duelo de tricolores, as duas equipes travaram um jogo quente, com entradas duras e troca de farpas dos dois lados, e que acabou decidido na diferença entre dois gringos. Gabriel Neves, do São Paulo, foi expulso. E Germán Cano (para surpresa de zero pessoa) decidiu com o gol da vitória do Fluminense em jogo atrasado da 32ª rodada do Brasileirão.

Campeões trocam faixas

Antes de um jogo que não importava lá muita coisa, as duas equipes trataram de festejar uma temporada de 2023 que entrou para história tanto do Fluminense quanto do São Paulo. Conforme já alinhado entre as diretorias, os jogadores entraram um pouco antes do habitual no gramado e fizeram uma bonita cerimônia de troca de faixas de campeões. Tudo foi alinhado em conjunto entre os dois clubes.

O Flu foi campeão inédito da Libertadores. O São Paulo, campeão inédito da Copa do Brasil. Os donos da casa apareceram primeiro. Mesmo sem estarem entre os relacionados, Nino e Felipe Melo foram ao campo com a taça da Libertadores da América, erguida novamente para a torcida no setor sul.

Misturados entre si, jogadores das duas equipes posaram para uma foto juntos, com as faixas de campeão. Pena que o clima de festa duraria pouco… Mas falaremos disso mais adiante. Antes, ao que importa (ou deveria importar): a bola.

Fluminense e São Paulo trocam faixas antes do jogo (IconSport)

Fluminense é melhor…

O jogo começou em ritmo acelerado e pegado. Mesmo com alguns desfalques, o Fluminense era melhor que o São Paulo já com 11 contra 11. Após a expulsão, aumentou o ritmo, mas não abriu o placar.

Substituto de André, Alexsander foi o melhor jogador do Flu na primeira etapa. Mais adiantado e com Martinelli recuado como primeiro volante, o camisa 5 jogou de uma área à outra, e as melhores jogadas da equipe passaram pelos seus pés. Em uma delas saiu a melhor chance do jogo — sem contar o gol bem anulado de David Braz, de cabeça. Alexsander penteou a bola na frente da área e levantou em um passe de futsal para Samuel Xavier, que soltou uma bomba, mas parou em Rafael, aos 46.

…E São Paulo sai com um a menos de primeiro tempo quente

Campeões, campeões… Negócios à parte. Aliás. Nem parecia que as duas equipes pisaram o gramado do Maracanã para trocar gentilezas (e faixas). Bastou a bola rolar para que o clima amistoso de minutos antes se dissipasse sem deixar vestígios. Pois Fluminense e São Paulo travaram um primeiro tempo quente, de ânimos acirrados. O árbitro André Luiz Skettino Policarpo Bento tentou controlar o jogo distribuindo cartões. Foram sete amarelos e um vermelho para Gabriel Neves. E nem mesmo assim, os jogadores pareceram respeitar sua autoridade.

Com uma lista de 13 desfalques, Dorival Júnior remodelou o São Paulo com três volantes. Por um lado, a estratégia deu certo no primeiro tempo. A equipe não sofreu enquanto teve 11 em campo – embora também não tenha levado perigo. O problema é que em um duelo que foi ficando quente, com entradas duras e discussões de lado a lado, Diego Costa e Lucas Beraldo foram amarelados. E Gabriel Neves acabou expulso por uma entrada em Thiago Santos – o lance foi revisto no VAR. Com um a menos, o treinador abriu David e Juan para impedir as subidas dos laterais do Fluminense. Funcionou, apesar de Rafael ter trabalhado um bocado.

Gabriel Neves é expulso contra o Fluminense e complica o São Paulo (IconSport)

Arbitragem consegue esquentar jogo festivo

O clima no Maracanã era todo de festa. Embora não sejam aliadas, as torcidas aplaudiam e gritavam juntas “é campeão!” para Fluminense e São Paulo, que trocaram faixas pelos títulos da Libertadores e da Copa do Brasil. Até que, no apito inicial, o clima ficou estranho.

Na saída de bola, Ganso deu um encontrão no ex-companheiro Luciano. Pareceu ser sem querer. Depois, entretanto, o camisa 10 do Flu chegou duro no atacante do time paulista. Veio o primeiro ato de André Luiz Skettino Policarpo Bento: um despropositado pito sem necessidade.

A postura de valentão se repetiria outras vezes. Vieram seis amarelos, três para cada lado, sempre juntos. Até que Gabriel Neves fez falta dura em Thiago Santos e acabou expulso pelo VAR. Chegava ao fim o clima de festa, e as brigas tomavam conta do gramado.

No fim do primeiro tempo, até assessores de imprensa e auxiliares discutiram. Dorival Júnior, um gentleman, perdeu as estribeiras com o juiz no centro do campo. Na saída, Marcelo e Diego Costa trocaram xingamentos. Enquanto dava entrevista, Luciano provocou a torcida do seu ex-clube e foi xingado.

Fluminense volta sem zagueiros, e Cano decide mais uma vez

Com o 0 a 0 no placar e um a mais em campo, Fernando Diniz fez das suas no intervalo. O técnico tirou David Braz e colocou Lelê, deixando o Fluminense sem zagueiros de ofício em campo.

Volante de origem, Thiago Santos só treina como defensor nos últimos meses, é bem verdade, mas ainda assim, está em adaptação à nova posição. E foi muito bem. No segundo tempo, ele teve Martinelli ao seu lado, e o Flu, como de costume, cresceu no jogo.

Com a dupla de volantes na defesa e dois laterais construtores em Marcelo e Samuel Xavier, o Fluminense melhorou a saída de bola e colocou o São Paulo, com dez em campo, de costas na parede.

Não demorou para que o placar fosse alterado. Aos oito, Lelê virou a bola para Germán Cano na entrada da área, e o centroavante argentino, claro, não perdoou. A bomba que desviou em Rafinha foi o 82º gol do camisa 14 em menos de dois anos pelo Fluminense. Louca da cabeça, a torcida retribuiu com muitos duplos L e festa nas arquibancadas.

São Paulo tenta, mas não resiste a Cano

Do outro lado, o São Paulo voltou com postura totalmente oposta: disposto a se defender do jeito que dava contra as investidas de um Fluminense ainda mais ofensivo no segundo tempo. Como era esperado, os donos da casa ocuparam o campo de ataque e sufocaram os visitantes em busca do gol. A equipe de Dorival Júnior, diga-se, conseguiu se defender ao longo dos 45 minutos finais. O problema é que logo aos oito, Cano chutou de fora da área. A bola desviou em Rafinha e traiu Rafael, que não reagiu a tempo de evitar o gol.

Gol que, aliás, não mudou em nada o panorama do jogo. O São Paulo seguiu com a postura defensiva imposta por um Fluminense que tentava o segundo gol. Os respiros só vieram a partir das substituições de Dorival Júnior. Primeiro, veio William Gomes no lugar de David. Depois, as entradas de Talles Costa e Erison nos lugares de Luciano e Alisson, e de Talles Wander no lugar de Pablo Maia. Elas deixaram a equipe com mais velocidade nas transições ao ataque. Em contrapartida, o time ficou mais exposto e correu mais riscos. Só o que não se alterou, mesmo, foi o placar.

De olho no Mundial, Fluminense cumpre tabela no Brasileiro

A situação de Fluminense e São Paulo na tabela pouco importa para os clubes e suas torcidas. A do Flu, então, talvez menos ainda. Classificado à Libertadores como atual campeão e de olho no Mundial de Clubes, o time de Fernando Diniz chegou aos 50 pontos e manteve a oitava posição do Campeonato Brasileiro. A equipe apenas cumpre tabela na competição.

Além da derrota, São Paulo coleciona desfalques

O São Paulo volta a campo no próximo domingo (26), às 18h30 (horário de Brasília), para enfrentar o Cuiabá no Morumbi pela 35ª rodada do Brasileirão. E o fará repleto de desfalques. Lucas Beraldo e Diego Costa receberam o terceiro cartão amarelo contra o Fluminense, e Gabriel Neves ainda foi expulso. Menos mal que Arboleda, Ferraresi e James Rodríguez retornam de suas respectivas seleções, e Lucas Moura deve ficar à disposição, recuperado de lesão muscular.

Foto de Caio Blois

Caio Blois

Caio Blois nasceu no Rio de Janeiro (RJ) e se formou em Jornalismo na UFRJ em 2017. É pós-graduado em Comunicação e cursa mestrado em Gestão do Desporto na Universidade de Lisboa. Antes de escrever para Trivela, passou por O Globo, UOL, O Estado de S. Paulo, GE, ESPN Brasil e TNT Sports.
Foto de Eduardo Deconto

Eduardo Deconto

Eduardo Deconto nasceu em Porto Alegre (RS) e se formou em Jornalismo na PUCRS. Antes de escrever para a Trivela, passou por ge.globo e RBS TV.
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