Brasileirão Série A

Tite é só sorrisos depois da melhor atuação do Flamengo, em coletiva para lá de incomum

Tannure, chefe do departamento médico do Flamengo, falou sobre lesionados antes do sorridente Tite falar sobre a vitória no Maracanã

Tite celebrou a melhor atuação do Flamengo sob a sua batuta em grande estilo. Uma coletiva leve, ao lado do filho, com sorrisos por todos os lados. Ainda assim, ele preferiu os pés no chão e evitou falar sobre a possibilidade de título do Rubro-Negro. Individualidades e estilo de jogo também foram tema em entrevista que também teve pronunciamento do doutor Márcio Tannure.

O que Tite disse?

  • Pés no chão com relação ao título
  • Elogios a Gerson, Gabi, Pulgar e Cebolinha
  • A reformulação da equipe
  • A busca pelo momento ideal da cabeça dos atletas

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Tite prefere pés no chão ao oba oba

— É a minha verdade. Se no momento estivermos a uma pontuação, falaremos. Por enquanto, é a realidade daquilo que nos propusemos. Aonde vai chegar não sei, mas o nosso objetivo é de crescimento. É um campeonato que a cada rodada se move, se mexe. Não vou colocar sonho e nem risco. É tudo de momento, do grande jogo que fizemos. Pés no chão, serenidade. Depois das duas primeiras vitórias, baixamos a guarda. Não vai acontecer de novo.

Tite ainda falou um pouco mais sobre as relações humanas no Flamengo. A importância de estabelecer uma confiança com os atletas, entre erros e acertos. É uma diferença gritante, mesmo que Adenor tenha evitado comparações, com relação aos trabalhos de Vítor Pereira e, em especial, Jorge Sampaoli.

— Vou dar um exemplo prático do que aconteceu. Eu individualmente errei no jogo contra o Santos porque fui reposicionar os atletas na bola parada. O posicionamento era mais central, eu pedi mais atrás. Deu rebote e eles fizeram o gol. Eu interferi de forma errado. Quando nos reunimos, eu falei “o teu técnico errou”. Se quiserem um atleta, um técnico, perfeitos, pode procurar outro lugar. Quero ter uma abertura para falar dos acertos e nos erros. A mensagem que eu tentei passar foi essa. O futebol é assim, a vida é assim — concluiu.

Tite tem sido muito comedido ao falar das chances de título do Flamengo ( Foto: Ton Molina/Fotoarena/Sipa USA)

Tannure fala sobre lesionados do Flamengo

A coletiva do Flamengo começou de maneira bastante diferente. É um elogio à comunicação do clube, que disponibilizou o chefe do departamento médico, Márcio Tannure, para elucidar e explicar as situações de David Luiz, Allan e Gabi. O trio está entregue aos cuidados do DM.

— O Allan teve uma lesão em setembro, uma ruptura da fáscia plantar do pé esquerdo. Era uma lesão com prazo mínimo de oito semanas, oito a doze semanas. Nem completaram o tempo mínimo. Ele ainda tinha uma lesão crônica no tornozelo direito, uma calcificação que gerava dor nele. Combinamos de fazer cirurgia no fim do ano, mas a lesão fez com que o procedimento fosse antecipado. Ganhamos tempo com isso, três semanas depois da lesão, precisávamos do tempo mínimo para que ele pudesse apoiar o pé esquerdo.

—  O David Luiz teve uma entorse grave no tornozelo direito. Ele rompeu dois ligamentos no local, mas está evoluindo bem. Esperamos que na próxima semana ele já esteja iniciando a transição física. Ele está acima da expectativa, dedicação, profissional ímpar.

— O Gabriel tem uma entesopatia, sobrecarga nos adutores, na inserção do osso. Não é de hoje, já tínhamos detectado isso. Tínhamos feito uma previsão de tratamento para o fim do ano, com medicina regenerativa. Vínhamos controlando a lesão, mais dor em alguns momentos, outros assintomáticos. Nossas decisões são sempre conjuntas. A gente optou por tratá-lo na reta final e fazer os procedimentos complementares no fim do ano. A dor limita em alguns momentos, mas não é uma lesão incapacitante no momento.

— Depende da individualidade biológica do atleta. Faremos todo o esforço no momento final para que o professor possa contar com todos os atletas possíveis. Não é uma lesão cirúrgica, é um tendão que está inflamado. São terapias que estimulam a cicatrização. Por isso estamos tentando controlar, não é uma cirurgia, mas tiraria ele de alguns dias, que são uma eternidade no nosso calendário.

O Flamengo volta a campo no próximo domingo (11), às 18h30 (de Brasília), para enfrentar o Fluminense, pela 34ª rodada do Brasileirão. É um clássico muito importante para o Rubro-Negro, que tenta se aproveitar da “ressaca” do rival pelo título da Libertadores.

Veja outros pontos abordados na coletiva

Explicações sobre o jogo

— Eu não gosto do termo tirar da zona de conforto. Ninguém gosta de sair, conforto é confiança. Ser desafiado em alguma situação, eu vejo como positivo. O Gerson pela esquerda fica mais natural por ali, ele domina mais o setor. O conjunto da obra é o ajuste, a parceria é importante. O Arrascaeta também fez seu melhor jogo. Saímos direto pela direita e vínhamos com alguém passando. Nós também vamos aprendendo as características dos atletas.

— Pedi para compreender os momentos de oscilação. A equipe está em reformulação. Com atletas por vezes sem a melhor condição. Reitero em relação ao Gabi, que vem com problema, mas precisávamos e ele se colocou à disposição. Todos têm essa doação. Nunca vi atleta de alto nível sem dor. Hoje digo “obrigado” para a torcida, o carinho o atleta precisa. E precisa do carinho principalmente quando erra.

Cebolinha

— Eu entendo a individualidade, mas a engrenagem precisa funcionar também. Isso é um conceito. Sobre o Cebolinha, vou dar um exemplo. Teve um determinado momento que um atleta que eu dirigi que foi para a Alemanha e teve um ano para se adaptar. O atleta é um ser humano igual a nós. Tem todo um contexto de adaptação, uma camisa pesada.

Entender o processo

— A equipe está se moldando. Está em formação. Hoje ela tem dois atletas de velocidade, que potencializam um 9 é um meia criador. Dois volantes. Tu vai tendo possibilidade de ajustes para que ele (Pedro)possa tirar proveito. Ele traz pontos de equilíbrio ao Flamengo.

— A gente mudou três metodologias durante o ano. O quanto isso dificulta a coordenação. Um gosta de volume, outro de intensidade, outro baixa a linha. Isso tudo entra na cabeça do atleta, é muito difícil. A data fifa serviu para organizar, buscar informações, não para implementar algo, mas para potencializar aquilo que já vinha sendo feito. Isso é desafiador. É só uma forma que a gente acredita. Sem julgar ou fazer comparações com os outros trabalhos que passaram aqui.

Melhor atuação do ano?

— Foi a melhor atuação sim. Foi mais consistente, contra um adversário de muita qualidade. Eles têm uma relação vitoriosa com o Abel, isso gera um grau de dificuldade maior.

Saiu o som (risos)

— Estava tão concentrado que não ouvi nada. Fiquei voltado para o jogo, concentração alta você abstrai de tudo. Tem que compreender o torcedor, claro, não posso frear ele. Eu quero é colocar o fato real. Onde nós podemos chegar depende da evolução, mas outras equipes de qualidade estão aí.

Pulgar

— Joga muito. Pode escolher box-to-box ou posicional. A qualidade técnica que ele tem é impressionante. No passe. No gol contra o Fortaleza, ele faz o corta luz. É uma capacidade impressionante de criar o jogo. Leitura certa, no momento certo.

Foto de Guilherme Xavier

Guilherme XavierSetorista

Jornalista formado pela PUC-Rio. Da final da Libertadores a Série A2 do Carioca. Copa do Mundo e Olimpíada na bagagem. Passou por Coluna do Fla e Lance antes de chegar à Trivela, onde apura e escreve sobre o Flamengo desde 2023.

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