Brasileirão Série A

15 vezes Felipão: Atlético-MG tem posse e finalização, mas desempenho é ruim

Com Felipão, Atlético-MG tem mais a bola e finaliza mais que os adversários, mas com pouca eficiência, por isso a fase é ruim

O Atlético-MG chegou na pausa da data Fifa sob muita desconfiança. Felipão, que assumiu o time há quase três meses, completou 15 jogos no último sábado (2). Os resultados não são bons, com o clube despencando na tabela do Campeonato Brasileiro, sendo eliminado da Libertadores e jogando um futebol bem criticado, que tem a posse de bola e finaliza muito, mas pecando muito.

Nos 15 jogos com Felipão, o Atlético venceu apenas três. O treinador ficou as nove partidas sem vencer, até bater o São Paulo por 2 a 0. Depois, ainda venceu Bahia e Santos, em casa. O treinador ainda soma seis empates e seis derrotas. O aproveitamento é de apenas 33%, um dos piores entre treinadores do Galo que tiveram mais de 10 partidas.

Com os resultados nesses 15 jogos, o Atlético foi eliminado da Copa Libertadores, com uma derrota e um empate, para o Palmeiras, e despencou do 4° lugar do Campeonato Brasileiro para o 9°. Antes de Felipão, a diferença do Galo para o líder Botafogo era de seis pontos. Agora, a diferença é de 20. Hoje o alvinegro está oito pontos atrás do G4, seu principal objetivo na temporada.

O Atlético-MG com Felipão

  • 15 jogos
  • 3 vitórias
  • 6 empates
  • 6 derrotas
  • 12 gols marcados
  • 13 gols sofridos
  • 33,33% de aproveitamento

O Atlético-MG melhorou ou piorou com Felipão?

Após os primeiros seis jogos de Felipão no Atlético, a Trivela fez um levantamento que mostrou que, nas estatísticas mais comuns (posse, passes e finalização), o time tinha evoluído ou mantido o nível que demonstrava com Coudet, mas na forma de jogar, tinha caído drasticamente.

Agora, com 15 jogos, a Trivela analisa o desempenho apenas de Felipão no comando do Atlético, pois já há uma distância longa entre os trabalhos do brasileiro e do argentino. Os resultados finais são claramente ruins, longe do esperado, mas e as estatísticas? E o desempenho em campo?

Atlético-MG tem a bola e finaliza muito, mas sem eficiência

Nos 15 jogos de Felipão no comando do Atlético, o time teve mais posse de bola do que o adversário em nove, ou seja, na maioria dos jogos. Mesmo fora de casa, o Galo costuma ter mais a bola do que os adversários, como quando empatou com o Goiás (39×61) e foi derrotado para o Grêmio (38×62).

O curioso nesse dado é que o Atlético só venceu um desses jogos em que teve mais a posse, tornando assim uma estatística ineficiente. Não adianta ter a bola por mais tempo se o time não sabe aproveitá-la para criar chances, marcar gols e vencer as partidas.

Por falar em marcar gols, foram apenas 12 do Atlético nesse período com Felipão. O aproveitamento nas finalizações explica esse número baixo. Foram 172 nesta sequência, um número considerado alto, que dá média de 11 por partida. No entanto, o Galo só acertou o gol em 57 oportunidades, ou seja, 33% de acerto, mesmo número que reflete o aproveitamento do time.

Com esses dados, dá para calcular que o Atlético precisa de 14,3 chutes para conseguir marcar um gol. Portanto, se a média de finalizações por partida é de 11 e o Galo precisa de 14 pra marcar, o comum é o time balançar as redes em um jogo sim e no outro não. Isso se reflete quase que perfeitamente, já que o alvinegro ficou seis partidas sem marcar nesse período, quase metade.

Confira o quadro com as principais estatísticas dos jogos do Atlético, com dados do SofaScore. Na ordem, da esquerda para a direita, de cima para baixo

Fluminense 1×1 Atlético

Posse de bola: 49×51
Passes: 419×427
Finalizações (no gol): 9(4) x 14(6)
Grandes chances: 0x1

Fortaleza 2×1 Atlético

Posse de bola: 42×58
Passes: 420×591
Finalizações (no gol): 9(3) x 18(4)
Grandes chances: 2×1

Libertad 1×1 Atlético

Posse de bola: 52×48
Passes: 407×400
Finalizações (no gol): 18(7) x 7(2)
Grandes chances: 1×2

Atlético 2×2 América

Posse de bola: 47×53
Passes: 367×405
Finalizações (no gol): 12(5) x 23(6)
Grandes chances: 2×4

Atlético 0x1 Corinthians

Posse de bola: 60×40
Passes: 562×397
Finalizações (no gol): 26(6) x 8(2)
Grandes chances: 0x1

Goiás 0x0 Atlético

Posse de bola: 39×61
Passes: 315×516
Finalizações (no gol): 17(3) x 6(1)
Grandes chances: 2×0

Grêmio 1×0 Atlético

Posse de bola: 38×62
Passes: 355×563
Finalizações (no gol): 6(2) x (3) 17
Grandes chances: 2×1

Atlético 1×2 Flamengo

Posse de bola: 39×61
Passes: 356×580
Finalizações (no gol): 20 (5)x(5) 6
Grandes chances: 3×3

Atlético 0x1 Palmeiras

Posse de bola: 52×48
Passes: 397×370
Finalizações (no gol): 12 (1)x(3) 7
Grandes chances: 1×2

São Paulo 0x2 Atlético

Posse de bola: 68×32
Passes: 573×276
Finalizações (no gol): 19 (3)x (2) 8
Grandes chances: 0x2

Palmeiras 0x0 Atlético

Posse de bola: 45×55
Passes: 352×456
Finalizações (no gol): 19 (7)x(0) 7
Grandes chances: 3×1

Atlético 1×0 Bahia

Posse de bola: 39×61
Passes: 317×477
Finalizações (no gol): 11 (4)x(5) 14
Grandes chances: 2×1

Vasco 1×0 Atlético

Posse de bola: 41×59
Passes: 350×508
Finalizações (no gol): 16 (3)x(5) 10
Grandes chances: 4×0

Atlético 2×0 Santos

Posse de bola: 56×44
Passes: 471×367
Finalizações (no gol): 15 (6)x(0) 13
Grandes chances: 7×2

Athletico-PR 1×1 Atlético

Posse de bola: 52×48
Passes: 445×435
Finalizações (no gol): 23 (6)x(7) 9
Grandes chances: 6×1

Partida contra o Santos foi ponto fora da curva

A vitória do Atlético por 2 a 0 contra o Santos, no jogo que marcou a estreia da Arena MRV, é a única que foge do padrão do time nesse período com Felipão. O comum é o Galo ter mais a bola, finalizar mais e não ganhar, mas quando isso se inverte e o time tem estatísticas piores que o adversário, ele vence. Foi assim nas vitórias contra São Paulo e Bahia.

Contra o Santos, o Atlético conseguiu unir tudo. Teve mais posse de bola (56×44), trocou mais passes (471×367), finalizou mais (15×13) e acertou mais o gol (6×0). Pela primeira vez com Felipão, o time conseguiu unir sua superioridade nas estatísticas com a superioridade no placar e no desempenho.

Por que o Atlético-MG joga mal e não vence?

As estatísticas estão boas para o time de Felipão nas questões mais importantes, apesar de pecar nas finalizações. Mas o futebol vai além dos números. É necessário também analisar o que é feito em campo e qual o objetivo que o treinador propõe para o clube. Vai ser um time mais defensivo? Mais ofensivo? Vai variar entre os jogos? Vai depender do estilo do adversário ou sempre vai impor o seu estilo? São coisas que os números frios não mostram.

No caso do Atlético, dá para entender que Felipão tem preferência por um time mais defensivo, que prefere reagir ao adversário ao invés de atacá-lo primeiro. O treinador passou a montar o time com dois volantes, visando melhorar o desempenho da defesa, e claramente busca recuar mais quando abre o placar. A exceção, mais uma vez, foi no jogo contra o Santos.

Esse estilo de jogo de Felipão não tem agradado muito a torcida, principalmente na questão do clube abdicar de atacar em vários momentos. Na partida de volta das oitavas de final da Libertadores, contra o Palmeiras, o Galo passou o primeiro tempo inteiro sem chegar ao ataque, mesmo precisando de pelo menos um gol para levar a disputa para os pênaltis. Contra o Athletico-PR, no último sábado, abriu o placar e recuou, deixando o Furacão gostar do jogo e chegar ao empate, não conseguindo mais por conta de grande atuação de Everson.

Em resumo, o Atlético até pode ter mais a posse do que o adversário, mas é porque fica com ela no seu campo de defesa, ou de forma ineficiente no campo de ataque. O time pode finalizar mais, mas não adianta se for “de qualquer jeito”, é preciso criar chances para marcar, e isso o Galo não consegue com frequência, consequentemente, não vence seus jogos. O alvinegro não melhorou com Felipão e não parece estar próximo disso acontecer, já que só alguns detalhes de melhora de forma isolada, ou seja, não há um notório crescimento e desenvolvimento do que é visto em campo. Está estagnado, e em um ponto bem inferior.

Felipão consertou um ponto

O Atlético ter voltado a vencer e viver um momento mais estável, apesar de ainda muito ruim, tem muito a ver com algo que Felipão conseguiu perceber que ele errou. O Galo tinha a dupla Hulk e Paulinho como destaque ofensivo com Coudet, mas o treinador brasileiro chegou e afastou os dois, utilizando o camisa 10 como um ponto. Por conta disso, o alvinegro perdeu muito ofensivamente.

Há quatro jogos, contra o Bahia, Felipão voltou a escalar a dupla mais próxima, o que fez total diferença. Desde então, Paulinho marcou os quatro gols do Atlético, com três assistências de Hulk. Eles formam hoje a melhor dupla do Brasil em 2023. O camisa 7 está suspenso para o próximo compromisso, contra o Botafogo, e o treinador terá que se virar para encontrar um substituto.

Foto de Alecsander Heinrick

Alecsander HeinrickSetorista

Jornalista pela PUC-MG, passou por Esporte News Mundo e Hoje em Dia, antes de chegar a Trivela. Cobriu Copa do Mundo e está na cobertura do Atlético-MG desde 2020.
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