Brasileirão Série A

Três pontos explicam a demissão de Pepa no Cruzeiro

O Cruzeiro demitiu o português Pepa na manhã desta terça-feira com a promessa de anunciar um novo técnico “nos próximos dias”

O Cruzeiro anunciou, na manhã desta terça-feira (29), a demissão do português Pepa, que chegou ao clube em março, para substituir Paulo Pezzolano. Hoje, menos de seis meses após sua chegada ao Brasil, o comandante deixa a Raposa, minado pelos maus resultados — o time celeste venceu dois de seus últimos 17 jogos — e por problemas de relacionamento dentro do elenco, com jogadores insatisfeitos com a baixa utilização.

A demissão ocorre dois dias após a pesada derrota celeste por 3 a 0, para o Grêmio, em partida disputada no domingo (27), na Arena do Grêmio, em Porto Alegre. O resultado da partida, válida pela 21ª rodada do Campeonato Brasileiro, deixou o Cruzeiro dez pontos abaixo do G6 e apenas quatro acima da zona de rebaixamento para a Série B.

Pepa ser mandado embora após menos de seis meses de trabalho vai contra o que é pregado na própria SAF do Cruzeiro, de ir na contramão do futebol brasileiro, buscando trabalhos de longo prazo, não baseados apenas no “resultadismo”. Quando anunciar o substituto do português, o time celeste estará oficializando seu terceiro treinador no ano de 2023, um cenário inesperado e pouco provável se analisado com a ótica do início do ano.

Ainda assim, a decisão de demitir Pepa não é arbitrária e existem argumentos que a corroboram. Por outro lado, o Cruzeiro se coloca numa linha tênue, onde o insucesso na escolha do substituto do português pode custar caro em um Brasileirão que já ultrapassou sua metade.

O que causou a demissão de Pepa?

A demissão de Pepa pode ser explicada por alguns pontos:

  • Sequência ruim de resultados
  • Dificuldade na resolução de problemas
  • Má gestão de grupo

Resultados ruins

O primeiro ponto é talvez o que mais minou o trabalho do Pepa. Mesmo jogando melhor que os adversários em parte dos jogos, o Cruzeiro não conseguia vencer. Nas últimas 17 partidas, somente duas vitórias, curiosamente com o time jogando mal. Contra o São Paulo, no Independência, um gol contra de Rafinha e uma atuação de gala do goleiro Rafael Cabral garantiram os três pontos em um 1 a 0 sofrido.

Contra o Vasco, afundado na zona de rebaixamento, em um São Januário com portões fechados, uma cobrança de falta de Filipe Machado deu a vitória por 1 a 0 ao Cruzeiro na partida de nível técnico baixo.

Os resultados ruins fizeram com que a “gordura” acumulada no início do Brasileirão, quando o Cruzeiro chegou a vencer quatro partidas num recorte de cinco jogadas, fosse queimada. O time mineiro, que passou a maior parte do campeonato mais próximo do G6 que da zona de rebaixamento, viu a metade de cima da tabela ficar para trás e os quatro últimos se aproximarem.

Com isso, a torcida passou a pressionar. Dois protestos aconteceram em 48 horas. Um na Toca da Raposa 2, no sábado (26), antes do time viajar para Porto Alegre, onde foi derrotado pelo Grêmio. O segundo aconteceu no Aeroporto de Confins, nessa segunda-feira (28), quando o time retornou do Sul. Nas redes sociais os pedidos de “Fora Pepa” começaram a aumentar, com participação, inclusive, de torcidas organizadas.

Dificuldade para resolver problemas

Desde o início do seu trabalho, Pepa se mostrou um treinador que conseguia identificar, com facilidade e sem vaidades, os problemas do Cruzeiro. Finalização, intensidade, perda nos duelos, enfim, sempre que o time celeste tropeçava, o português mostrava estar ciente do que não havia funcionado.

Acontece que Pepa jamais conseguiu resolver a maioria desses problemas. Ele até tentou, mudou peças, mas os erros seguiam os mesmos e em determinado momento a impressão que ficou foi que o português não conseguiria tirar mais do time.

O Cruzeiro seguiu falhando, por um, dois, cinco, dez, quinze jogos e a paciência acabou. As coletivas do treinador passaram a soar repetitivas. Perguntado sobre o que fazer para corrigir esses problemas, Pepa dizia que a resposta estava no trabalho. E que os treinos haviam sido bons naquela semana, mas que algo não havia dado certo no jogo. O discurso se tornou contraditório.

Gestão de grupo

Pepa também teve problemas com alguns jogadores. O volante Wallisson e o jovem meia Daniel Jr ficaram insatisfeitos com as poucas oportunidades dadas pelo treinador e buscaram sair do clube. O primeiro citado chegou a ser afastado por indisciplina.

De acordo com a Itatiaia, Pepa também foi contra a contratação do volante Lucas Silva. Quando o camisa 16 chegou, ficou duas partidas inteiras no banco de reservas, mesmo com atuações ruins contra Coritiba e Goiás. Neto Moura, que viria a ser negociado dias depois das partidas em questão, chegou a entrar nos jogos, mas Lucas não.

Na rodada seguinte, contra o Athletico-PR, Pepa ouviu os apelos de parte da torcida e da imprensa e Lucas Silva começou como titular. E não saiu mais. O camisa 16 tornou-se um dos principais jogadores da equipe e tem entregado boas atuações.

Alguns jogadores jovens, como os volantes Fernando Henrique e Ian Luccas receberam pouquíssimos minutos com o português. Em certos momentos, quando tinha desfalques na zaga, Pepa preferiu deixar apenas um zagueiro no banco, que levar alguém da base para as viagens, mesmo que Weverton e Ruan Santos, assim como Ian, tenham passagens pelas Seleções Brasileiras de base. Arielson, centroavante destaque do sub-20, deixou o clube sem jogar, mesmo com seus companheiros de posição fazendo uma temporada ruim.

A pouca confiança de Pepa nos jovens, somada ao uso constante de peças que já não desempenhavam bem, rendeu muitas críticas e resultou em problemas de elenco. Daniel Jr chegou a curtir um post que criticava o treinador por não utilizar a base. A mãe do atleta comemorou, em seu Instagram, a demissão do português.

Pepa insistiu com alguns jogadores por muito tempo, mesmo que estes não apresentassem bom futebol. Foi o caso do atacante Gilberto, sacado do time somente quando a situação com a torcida se tornou insustentável. Henrique Dourado, outro centroavante, foi utilizado com frequência até deixar o clube para assinar com a Chapecoense, que busca evitar o rebaixamento na Série B do Brasileirão.

Gilberto, do Cruzeiro, sendo consolado por Nikão
Pepa ter insistido tanto em Gilberto foi ruim para torcida, jogador e para ele mesmo – Foto: Gilson Lobo/Icon sport

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Futuro do Cruzeiro

O Cruzeiro corre contra o tempo para anunciar um novo treinador. O dono da SAF celeste, Ronaldo Nazário, chega em Belo Horizonte nesta quarta-feira (30), para participar dos processos de escolha. Com o Brasileirão em andamento, o tempo de preparação é curto. No domingo (3), o time recebe o Bragantino no Mineirão, às 18h30, pela 22ª rodada do campeonato. Se perder, pode ficar somente um ponto acima da zona de rebaixamento.

Depois disso, haverá pausa para a data Fifa. Um tempo precioso para o novo treinador, se anunciado até lá, trabalhar. Serão 11 dias sem jogos, até a partida contra o Santos, na Vila Belmiro, no dia 14 de setembro, uma quinta-feira. Confronto direto contra o rebaixamento. O futuro do Cruzeiro no Brasileirão 2023 será definido nos próximos dias.

Foto de Maic Costa

Maic CostaSetorista

Maic Costa é mineiro, formado em Jornalismo na UFOP, em 2019. Passou por Estado de Minas, No Ataque, Superesportes, Esporte News Mundo, Food Service News e Mais Minas, antes de se tornar setorista do Cruzeiro na Trivela.

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