Brasileirão Série A

Cruzeiro tem tropeço difícil de entender e Pepa não se esforça para explicar

O Cruzeiro de Pepa voltou a jogar bem, mas segue sem vencer; apesar do desempenho positivo, escolhas do treinador influenciam diretamente nos resultados e passam a ser questionadas

O Cruzeiro deixou escapar uma vitória quase certa na noite desse sábado (19), no Mineirão. Vencendo o time misto do Corinthians por 1 a 0 até os 53 minutos da segunda etapa, a equipe de Pepa perdeu uma bola fácil, com Gilberto, no campo ofensivo, levou o contra-ataque e foi punido no apagar das luzes por um gol de Gustavo Silva, também chamado de Mosquito.

A sensação de alívio que todos os cruzeirenses sentiam a estarem próximos de uma vitória após cinco jogos sem um triunfo sequer, se tornou logo um misto de frustração, incredulidade e raiva. Nenhum dos mais de 30 mil presentes num fim de sábado no Mineirão entendeu bem como os três pontos escaparam por entre os dedos. E na entrevista coletiva, Pepa pareceu não conseguir, não poder ou não se esforçar o suficiente para explicar.

Após a derrota para o Palmeiras, também com gol sofrido no último lance do jogo, a Trivela publicou o texto “Pepa ‘arranha o disco’ e repete falas, substituições e falta de resultado“. Esse mesmo título poderia ser utilizado para resumir a coletiva de hoje. O português mais uma vez lamentou e não afirmou não ter visto justiça no resultado.

— Essa frustração é dos jogadores, da torcida e de todos nós. Uma situação ingrata. Não se trata só de segurar o resultado. Tivemos a oportunidade de fazer o segundo gol. Isso é de uma injustiça tremenda, mas o futebol é isso — desabafou Pepa.

Atuação de Gilberto

Pouco antes de sofrer o gol, o Cruzeiro havia mandado uma bola no travessão, com Robert. Durante o segundo tempo, Papagaio perdeu boa oportunidade após rebote de Cássio. Mas o lance que mais ficou marcado na cabeça do cruzeirense na última noite foi a bola perdida por Gilberto, que havia entrado em campo alguns minutos antes. O centroavante perdeu uma bola já dominada, no campo de ataque e armou o contragolpe que resultou no gol corintiano. Apesar da situação, Pepa preferiu não individualizar.

— São momentos. Temos que estar todos aqui para levantarmos uns aos outros. Lembro no início do campeonato, o Giba não fazia gols, mas entregava, trabalhava. A cobrança é grande em todo lado e aqui tem que ser assim. Somos nós os primeiros a cobrar uns aos outros — argumentou o treinador.

Perguntado sobre a insistência em não individualizar críticas sobre Gilberto, Pepa deixou claro que por seu papel como treinador, não é correto expor seus atletas.

— Essas questões individuais, como deve compreender, são analisadas internamente.

Substituições

Pepa foi questionado ainda sobre as alterações feitas durante o jogo. A entrada de Gilberto, principalmente, foi muito criticada. Vide o momento do jogador e sua prestação em outros momentos em aspectos que a partida contra o Corinthians pedia,  a escolha por ele parecia no mínimo arriscada. O treinador falou das mudanças.

— Não é sempre, nós não fazemos sempre as cinco (substituições). Se tivermos que fazer uma, duas ou três, fazemos. A questão (da saída) do Wesley e do Bruno (Rodrigues) foi uma questão de jogadores descansados nos corredores atrás. O Machado foi uma questão tática. Para termos a superioridade numérica que não estávamos a ter e a verdade é que o jogo ficou mais estável a partir daí — explicou o treinador, sem citar a entrada de Gilberto.

Pepa nega falta de concentração

O treinador Pepa ainda negou que os maus resultados recentes — o Cruzeiro sofreu gols no fim de três dos seus últimos quatro jogos — tenham sido resultado de falta de concentração dos jogadores.

“Não tem nada a ver com concentração. Estamos falando de um lance próximo da bandeirinha de escanteio. É uma situação de que temos que fazer falta ali. Não trata-se de concentração, trata-se puro e simplesmente de detalhes. Detalhes e competência. Faltou sermos mais malandros também”.

Apesar da coletiva longa, onde Pepa paciente e educadamente respondeu todos os jornalistas presentes, muitos questionamentos ainda ficam no ar. O que fazer para o Cruzeiro vencer? É necessário substituir os cinco jogadores em todos os jogos, mesmo com opções inferiores no banco? O que justifica a escalação constante de Gilberto, que atuou em 18 dos 20 jogos da equipe no Brasileirão, quando outros jogadores que não agradaram passaram a perder oportunidades ou até deixaram o clube, como é o caso de Neto Moura e Henrique Dourado? São perguntas que o torcedor celeste irá dormir, mais uma vez, sem saber as respostas.

Foto de Maic Costa

Maic Costa

Maic Costa nasceu em Ipatinga, mas se radicou na Região dos Inconfidentes mineiros. Formado em Jornalismo na UFOP, em 2019, passou por Estado de Minas, Superesportes, Esporte News Mundo, Food Service News e Mais Minas. Atualmente, é setorista do Cruzeiro na Trivela.
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