Brasileirão Série A

Pepa ‘arranha o disco’ e repete falas, substituições e falta de resultados

Cruzeiro venceu somente duas das últimas quinze partidas disputadas na temporada e, em muitos dos tropeços com Pepa, filme pareceu se repetir

O Cruzeiro voltou a tropeçar no Campeonato Brasileiro ao ser derrotado pelo Palmeiras, por 1 a 0, na noite desta terça-feira (14), no Allianz Parque. Apesar da partida equilibrada com o forte time paulista, que poupou três titulares para o jogo, o time celeste voltou a demonstrar os mesmos erros de outras partidas, na concretização e na defesa, e foi punido por um gol de Flaco López já no apagar das luzes.

O resultado acende um alerta no time celeste, que termina o primeiro turno na 12ª colocação, com 24 pontos. São sete pontos abaixo do G6 e seis acima da zona de rebaixamento. A posição ainda é intermediária na tabela, mas a crescente de times do pelotão de trás do campeonato, somada à dificuldade celeste de fazer resultados, não pode ser ignorada.

Em sua coletiva de pós-jogo, Pepa repetiu o mesmo discurso de outras ocasiões. Lamentou as oportunidades perdidas, exaltou a atuação, que de fato não foi ruim, e creditou uma melhora nos resultados ao trabalho no dia a dia. O problema nessas palavras é que elas vêm se repetindo desde o início da sequência ruim. São duas vitórias nos últimos 15 jogos. Recortando apenas o Brasileirão, são dois triunfos em 13 partidas disputadas.

— Tivemos oportunidades, mais bola, acertamos muito melhor a marcação e o Palmeiras não ficou confortável. Foi nosso melhor momento na hora do gol. Fica a sensação de frustração grande, principalmente pelo segundo período. Foi uma questão de centímetros e não conseguimos controlar. Foi uma boa apresentação — falou Pepa.

Falta de repertório

O Cruzeiro tem feito bons jogos no Brasileirão, mas em momentos adversos, têm cometido os mesmos erros sistematicamente. Os já comuns erros de finalização e falhas defensivas, acabam escondendo outros problemas que precisam ser sanados.

A dificuldade para criar contra defesas fechadas e bem postadas faz que o time não consiga agredir constantemente o adversário, mesmo em partidas em que possui o controle. Quando enfrenta equipes de marcação alta, assim como foi o Palmeiras, o Cruzeiro falha em aproveitar os espaços dados pelos adversários que avançam no campo. Se a saída pelo chão não funciona, a equipe sofre para encontrar alternativas. Pepa percebeu os problemas.

— Foi uma entrada muito forte do Palmeiras, nós sabíamos dessa pressão. Deveríamos ter aproveitado os espaços em profundidade. Com o tempo, fomos equilibrando, encurtando os espaços, mas tivemos dificuldades em controlar o espaço no ataque do Palmeiras. No segundo tempo, fizemos um grande jogo. Não levamos pontos, isso é o que conta. O futebol é assim mesmo. Foi um detalhe que nos roubou pontos — argumentou o treinador.

Outro ponto que chama a atenção no trabalho de Pepa, são as substituições pouco criativas. Na partida desta segunda-feira (14), o treinador utilizou cinco alterações, duas delas por lesão, e em todas as vezes trocou atletas por jogadores da mesma posição. Abel Ferreira, por sua vez, ousou e foi recompensado.

As bolas paradas ofensivas também são um problema. Abel usa isso muito bem. Contra o Cruzeiro, o Palmeiras criou três grandes chances de gol. Duas delas vieram de bola área. Uma delas foi o gol. O time celeste pouco agride os adversários nesse sentido e quando a bola não entra rolando, é preciso considerar as jogadas com ela parada.

E assim como todo esse texto, trato de um tema que teve o jogo contra o Palmeiras como sintoma e não como o problema, já que essas são questões levantadas por torcedores e imprensa noutros momentos. O Cruzeiro parece ter muita dificuldade em encontrar saídas, mudanças criativas, que são necessárias num campeonato longo. Pepa sabe disso e, como de costume, consegue transmitir sua leitura. Mas isso precisa deixar sair do campo do discurso.

— É uma frustração boa da nossa parte. Em relação ao resultado, não vamos ter pontos, não há vitórias morais, e viemos aqui para ganhar o jogo. O que se conta são os pontos. Justiça no futebol é marcar, mas fizemos uma boa exibição, acaba por ser muito frustrante o que aconteceu. Estávamos ligados o jogo todo e foram os detalhes que nos roubou os pontos — lamentou o treinador.

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Pepa ressalta indignação

Pepa ainda se mostrou incomodado ao ser questionado se há alguma indignação interna pelos pontos perdidos em partidas onde o clube desperdiçou muitas oportunidades.

— Mas quem tá dizendo que tá tudo beleza? Não tô vendo. Estamos frustrados, indignados, jogamos com olhos nos olhos, nós merecíamos outro resultado, portanto não estou a perceber essa pergunta de beleza. Não há aqui beleza nenhuma — contrapôs o português.

O Cruzeiro parece estar vivendo um ciclo vicioso. Após uma semana cheia de treinos o time vai para o jogo, consegue ter boas exibições, mas não as converte em vitórias. Na coletiva Pepa lamenta o tropeço e diz que o que tem que fazer é trabalhar. Mas os problemas têm se alongado demais e a fase ruim não passa.

É preciso maior repertório, mais no campo que nas coletivas. Por mais que existam pontos positivos no trabalho de Pepa, eles acabam se ofuscando pelos maus resultados. E nos pontos corridos, vencer é inegociável.

Foto de Maic Costa

Maic CostaSetorista

Maic Costa é mineiro, formado em Jornalismo na UFOP, em 2019. Passou por Estado de Minas, No Ataque, Superesportes, Esporte News Mundo, Food Service News e Mais Minas, antes de se tornar setorista do Cruzeiro na Trivela.

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