Cruzeiro chega em fim de semana decisivo sem técnico e com dúvidas
O Cruzeiro receberá o Bragantino no domingo (3) e precisará superar problemas futebolísticos e extracampo para não se aproximar demais da zona de rebaixamento
O Cruzeiro vive seu momento mais difícil na temporada, dentro e fora de campo. Os resultados ruins — duas vitórias em 17 jogos — aproximaram o time celeste da zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro e pesaram na decisão da diretoria celeste em demitir o treinador português Pepa, menos de seis meses após ele ter assumido o cargo deixado por Paulo Pezzolano, treinador uruguaio que hoje comanda o Valladolid, time de Ronaldo na Espanha, na segunda divisão do país europeu.
Mas não foram somente os resultados ruins que encerraram, de forma precoce, a trajetória de Pepa no Cruzeiro. Informações de bastidores dão conta que o treinador português encontrou problemas na gestão do elenco celeste. Dos casos mais recentes, podemos destacar as situações do volante Wallisson e do meia Daniel Jr. Ambos deixaram o clube nos últimos dias, rumo ao futebol europeu, após se queixarem das poucas oportunidades recebidas. Apesar das mudanças terem acontecido há pouco tempo, se tratam de queixas antigas.
?DE SAÍDA
Acabei de conversar com uma fonte importante que garantiu que o futuro de Wallisson é longe do Cruzeiro. Dois times de Portugal, sendo eles o Moreirense e o Casa Pia, ambos da primeira divisão, oficializaram interesse. Ainda há (+)@trivela
?Gustavo Aleixo/Cruzeiro pic.twitter.com/XEpKc2i1DZ
— Maic Costa (@omaiccosta) July 18, 2023
A pouca utilização de jovens jogadores e a insistência em atletas que não rendiam, como Gilberto e, até certo ponto, Filipe Machado, irritou a torcida celeste. Além disso, de acordo com a Itatiaia, a chegada de Lucas Silva ao Cruzeiro encontrou resistência em Pepa. Por isso, o jogador não saiu do banco de reservas nas duas primeiras partidas em que esteve disponível. Para se ter ideia, o volante Neto Moura entrou no segundo desses jogos, a derrota contra o Goiás, por 1 a 0, no Independência, pela 16ª rodada do Brasileirão. O confronto aconteceu no dia 23 de julho. Pouco mais de uma semana depois, no dia 1 de agosto, Moura deixou o time celeste rumo ao Mirassol.
Lucas Silva, por sua vez, aproveitou a deixa causada pelo mau momento do Cruzeiro e se tornou titular, não saindo mais do time principal celeste e se tornando um dos grandes destaques da equipe, controlando o meio de campo e criando diversas chances de gol.
Cruzeiro pode se aproximar ainda mais do Z4
O Cruzeiro volta a jogar no domingo (3), contra o Bragantino, às 18h30, no Mineirão. Ocupando a 12ª colocação no Campeonato Brasileiro, com 25 pontos em 21 jogos, o time celeste tem quatro pontos de vantagem em relação ao Santos, primeiro time do G4. Com campanha ruim em casa e sem vencer no Gigante da Pampulha pela Série A do Brasileirão desde 2019, o time celeste sabe que um tropeço contra o clube de Bragança Paulista pode custar caro.
Se perder no domingo e os times de trás conseguirem vitórias, o Cruzeiro termina a rodada somente um ponto à frente da zona de rebaixamento. No Brasileirão não é comum que muitos os times da segunda metade da tabela vençam na mesma rodada, mas, ainda assim, o alerta precisa ser ligado.
Além disso, na rodada seguinte o Cruzeiro pega o Santos, adversário direto na briga contra o Z4, e seis dias depois, entra em campo contra o forte Fluminense de Fernando Diniz. Uma sequência ruim pode colocar o time celeste na zona de rebaixamento, podendo deixar a equipe mineira numa situação difícil de se contornar no Brasileiro.
Se vencer, considerando o efeito de “fato novo” com a demissão de Pepa, principalmente pelo fato das questões internas estarem atrapalhando o trabalho do português, o Cruzeiro respira na competição. Além disso, após a partida de domingo, a Raposa terá onze dias sem jogos, já que o Brasileirão para para a data Fifa.

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Indefinição de treinador é problema
A diretoria do Cruzeiro tinha um nome como plano A para a continuidade da temporada: o diretor técnico do clube, Paulo Autuori, que tem longa carreira como treinador, tendo conquistado, inclusive, a Copa Libertadores da América de 1997 pelo time celeste.
Como é experiente, conhecedor do Cruzeiro e do futebol brasileiro, Autuori foi visto com bons olhos pela gestão celeste, já que com a temporada em andamento, um técnico jovem, com perfil de “aposta” poderia ser arriscada. A ideia era que Paulo finalizasse 2023 como treinador e o clube celeste partisse para a busca de um novo nome para a temporada 2024.
Mas Autuori negou as investidas e preferiu dar prosseguimento no cargo que ocupa desde o início deste mês de agosto. O ex-técnico, que trabalhou pela última vez na beira do gramado entre 2022 e 2023, no Atlético Nacional, da Colômbia, não tem mais interesse em atuar como treinador de futebol.
A negativa de Paulo Autuori obriga a direção do Cruzeiro a trabalhar com novos nomes, já com a ideia de uma continuidade de trabalho. Ou seja, quem assumir o clube será o nome também para 2024. Com isso, abre-se a possibilidade de um treinador estrangeiro. De acordo com o repórter Samuel Venâncio, o ex-zagueiro argentino Gabriel Milito, que pediu demissão do Argentinos Juniors, nesta semana, é um dos técnicos analisados.

Obrigados a recalcular a rota, os dirigentes do Cruzeiro agora correm contra o tempo para anunciar um substituto para Pepa. A diretoria enxerga estilo de jogo, facilidade de gestão de vestiário e alinhamento com as ideias da SAF celeste como valores inegociáveis para a contratação de um novo treinador. Além disso, existem os trâmites contratuais e burocráticos.
Sendo assim, passa a ser cada vez mais importante a celeridade do processo. Até porque, caso a escolha seja de um treinador estrangeiro, este precisaria conhecer melhor o elenco celeste e algumas particularidades do Brasil. A pausa para a data Fifa é uma mão na roda para o Cruzeiro neste momento, mas cada dia passado é um dia a menos e um time que não está distante o suficiente da zona de rebaixamento não pode esperar muito.



