Brasileirão Série A

Seabra viu um jogo em que o Cruzeiro foi muito bem, mas o time quase perdeu

O Cruzeiro segue em péssima fase e voltou a tropeçar em casa, dessa vez contra o RB Bragantino, na noite deste domingo (3), no Mineirão, pela 22ª rodada do Campeonato Brasileiro. A partida terminou em 0 a 0.  Apesar de criar oportunidades, o time celeste também cedeu muitas chances ao time do interior paulista e contou com uma grande atuação de Rafael Cabral para não sair com um prejuízo ainda maior.

Na coletiva de pós-jogo, o treinador interino da Raposa, Fernando Seabra — que comanda o sub-20 do Cruzeiro e foi o escolhido para substituir Pepa enquanto a diretoria celeste sofre para encontrar um novo técnico —, analisou o confronto, mas suas declarações parecem mais um devaneio corporativista do que, realmente, uma visão sincera do que foi a partida.

Num primeiro momento, Seabra agradeceu a oportunidade de comandar o Cruzeiro, o que tratou como uma realização profissional. Com passagem em vários departamentos dentro do futebol, o agora comandante celeste teve sua primeira chance num jogo de time principal. Foi um momento interessante que parou por aí.

Quando o assunto foi o jogo, ele demonstrou uma visão excessivamente otimista da atuação, que não foi bem o que se passou num jogo onde o time celeste flertou com a derrota e falhou nos momentos decisivos, no ataque e na defesa.

Orgulho do desempenho

Primeiro, Fernando Seabra afirmou que durante a semana os jogadores se mobilizaram para tirar o Cruzeiro da atual situação. Segundo ele, um de seus pedidos aos atletas foi transformar a indignação sentida pelo momento da equipe em disposição para a partida e, para ele, isso se refletiu em campo.

— A gente está jogando contra um adversário que trabalha com muita verticalidade, energia e juventude. A pressão pós-perda é muito grande. Muitas vezes tem dobra, tripla no meio de campo. É um nível de intensidade de jogo que eu fiquei, na verdade, orgulhoso, de tantas vezes que a gente dobrou e triplicou a marcação no jogo. E quantas vezes a gente conseguiu recuperações para sair de frente no contra-ataque, o que é muito difícil. A gente conseguiu acabar com a construção curta deles, eles só fizeram construções longas. Conseguimos enfrentá-los num jogo que não é o nosso — alegou Seabra.

— O que a gente pediu para eles? Que trabalhassem muito. Porque a trajetória que eles fizeram no futebol foi graças ao trabalho. Que diante da situação a gente tivesse coragem, pois íamos enfrentar uma equipe que precisaríamos de muita coragem para atacar e defender e que a gente tivesse indignação com a situação — continuou o treinador.

Para Seabra, o Cruzeiro criou muitas chances de gol contra o Bragantino. De fato, existiram oportunidades de gol. Papagaio perdeu algumas, Machado chutou uma bola cara a cara na trave. Arthur Gomes e Bruno Rodrigues também falharam. Castán não aproveitou a bola aérea. Ainda assim, o Bragantino também fez Rafael Cabral trabalhar em diversas oportunidades. A desorganização defensiva das equipes acabou gerando lances.

— A gente teve quatro chances claras de gol. Se você for fazer uma retrospectiva, quais equipes tiveram quatro chances claras de gol contra o Red Bull Bragantino? Assista ao jogo contra o Cuiabá, que é um time estruturado e extremamente bem treinado. E o Red Bull foi vencedor com muitos méritos. Aqui, as chances foram divididas — falou Seabra.

Grupo sentiu a partida de Pepa

Apesar das informações de que o mau-relacionamento interno foi uma das causas da demissão de Pepa, Seabra garantiu que os jogadores celestes “sentiram” a saída do antigo treinador.

— Existe um fator no futebol que são as relações humanas. Nenhum grupo gosta de perder um treinador nessa situação. Você pode ter certeza que eles sentiram essa perda. O que eu vi foi que durante a semana eles começaram a se mobilizar cada vez mais. Mas durante a semana, eles se mobilizaram e participaram da construção — disse o treinador.

Fernando Seabra explicou, ainda, porque não fez as cinco substituições. Segundo ele, não se trata de falta de confiança nos jogadores, mas sim da circunstância do jogo.

— Queria muito fazer as cinco trocas, mas não fiz pela circunstância do jogo. Estou satisfeito com o que foi feito durante a semana, trabalhamos todos os jogadores de forma igual. Reconheço o valor e respeito a todos que estavam lá, mas no momento do jogo, precisávamos de estabilidade porque os dois times assumiram muito risco. Resolvemos ser conservadores para minimizar a chance de derrota — explicou Seabra.

“Sair com um ponto é melhor que sair sem nenhum”

Fernando Seabra disse ainda que é preciso entender movimentos mais conservadores dos jogadores em campo e que em determinados momentos é melhor garantir um ponto do que se arriscar buscando a vitória e perder o jogo.

— Às vezes você não vai arriscar uma situação que pode comprometer. O jogo vale muito. A circunstância na tabela não é a ideal, então os jogadores, em alguns momentos, optam pela segurança e a gente tem que respeitar isso. É claro que todo mundo queria sair com a vitória, mas sair com um ponto é melhor que sair sem nenhum — disse Seabra.

Seabra disse ainda que não sabe se comanda o Cruzeiro contra o Santos. Apesar disso, a ideia da diretoria é fechar com um treinador nos próximos dias para que este aproveite a parada para a data Fifa e possa, assim, colocar seus treinamentos em prática e conhecer o elenco da Raposa.

Foto de Maic Costa

Maic Costa

Maic Costa nasceu em Ipatinga, mas se radicou na Região dos Inconfidentes mineiros. Formado em Jornalismo na UFOP, em 2019, passou por Estado de Minas, Superesportes, Esporte News Mundo, Food Service News e Mais Minas. Atualmente, é setorista do Cruzeiro na Trivela.
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