Brasileirão Série A

CBF e clubes fazem jogo de empurra-empurra sobre paralisação do Brasileirão

Enquanto times esperam CBF definir se paralisará ou não o Campeonato Brasileiro, entidade diz que irá checar... com os clubes!

Não há uma unanimidade se o futebol brasileiro deve realmente parar por conta das enchentes no Rio Grande do Sul. No momento, o trio gaúcho, Internacional, Grêmio e Juventude, já com partidas adiadas até 27 de maio, é a favor da paralisação total da Série A do Campeonato Brasileiro, com apoio do governo federal através do Ministério do Esporte. No entanto, os três só tem o amparo de mais quatro times, enquanto outros são contra que o campeonato seja interrompido e o restante não se posicionou.

Imaginamos que quem deve tomar essa decisão seja Confederação Brasileira de Futebol (CBF), certo? Bom, errado, segundo o próprio presidente da entidade, Ednaldo Rodrigues. Nesta sexta-feira (10), antes da convocação para Copa América 2024, o mandatário da CBF atendeu a imprensa e, questionado sobre o assunto, jogou a responsabilidade para os clubes.

— Toda decisão sobre a uma competição, como começar, ter, suspender, prorrogar ou adiar, a CBF discute de maneira conjunta com os clubes. O poder da CBF não é um poder supremo e absoluto. É um poder limitado. Assim como fizemos na reunião de conselho técnico com todos os clubes de Série A, B, C e D, nós faremos também a partir do momento que as próprias equipes entendam o que tem que deliberar sobre esse assunto. — explicou, emendando sobre o pedido da Federação Gaúcha de Futebol para adiar aos jogos dos times gaúchos.

— Aquilo que foi solicitado pelos clubes, através da Federação Gaúcha, a CBF atendeu integralmente, que foi o adiamento dos jogos deles até o dia 27 de maio. Tudo que acontecer daqui para frente a gente vai ter que conversar com os clubes e todas as divisões do futebol.

Ednaldo também tratou da iniciativa de André Fufuca, Ministro do Esporte, de enviar um ofício defendendo a suspensão dos torneios masculinos e femininos, como antecipou o político do Partido Progressistas ontem à Trivela.

— A gente respeita muito todos os segmentos do Governo, porém toda a construção do futebol brasileiro está num Conselho Técnico de clubes, isso envolve todas as competições. Tem que reunir o Conselho Técnico. Quando a CBF define uma competição, nós fazemos reuniões com o conselho técnico da Série A, B, C e D e também das competições de base. Se pede uma paralisação, nós vamos dar conhecimento para cada série desses clubes para que eles possam se posicionar em relação ao documento do Ministério do Esporte.

O presidente da CBF também lembrou que a Copa Libertadores e Sul-Americana estão sendo disputadas normalmente — obviamente, com os jogos de Inter e Grêmio adiados — e ainda faltam duas rodadas da fase de grupos antes das oitavas de final.

— A partir dai, se for necessário, é unir o conselho técnico para que eles possam deliberar: ‘olha, podemos parar toda a competição?’. E as competições internacionais que seguem, como faz? Até porque estão afunilando, faltam duas rodadas para Libertadores e Sul-Americana — finalizou Ednaldo Rodrigues.

Quais clubes do Brasileirão são a favor e contra a paralisação por conta da tragédia no RS?

A favor

  • Grêmio, Internacional, Juventude, Atlético-MG, Botafogo, Criciúma e Cuiabá

Contra

  • Atlético-GO, Athletico-PR, São Paulo, Palmeiras e Flamengo (os três últimos ofereceram suas respectivas estruturas para que os gaúchos continuem na competição)

Sem posição pública ou sem posição firme

  • Fortaleza (quer “analisar bem” a situação), Cruzeiro (aguarda o posicionamento da Liga Forte Futebol), Red Bull Bragantino (aguarda definição da CBF), Bahia, Corinthians, Vasco, Fluminense e Vitória (os cinco últimos sem posição).

Tragédia climática no Rio Grande do Sul já deixou mais de 100 mortos

Os temporais que iniciaram no último dia 29 de abril no Rio Grande do Sul já deixaram 116 mortos, 143 desaparecidos e 756 feridos, conforme o último levantamento da Defesa Civil, divulgado no início da tarde desta sexta-feira (10). Há 408,1 mil pessoas fora de casa. Desse total, são 70.772 em abrigos e 337.346 mil desalojados (pessoas que estão nas casas de familiares ou amigos). 437 dos 497 municípios do estado registram algum tipo de transtorno.

Como doar para ajudar vítimas da tragédia no Rio Grande do Sul

Correios

Para quem não está no Rio Grande do Sul, os Correios estão transportando doações físicas, gratuitamente, a de diversos estados. Desde terça-feira (7), a iniciativa contempla São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Bahia, Minas Gerais, Pernambuco, Distrito Federal e Rio de Janeiro. Na quarta-feira (8), um termo de cooperação assinado pela presidente do Consórcio Nordeste (CNE) e governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra, ampliou o raio da ação para todo Nordeste brasileiro.

Órgãos públicos

  • SOS Rio Grande do Sul (Governo do Estado do Rio Grande do Sul) — Chave PIX: 92.958.800/0001-38
  • PIX Solidário Ajuda São Léo (Defesa Civil de São Leopoldo) — Chave PIX: [email protected]
  • PIX SOS Canoas (Prefeitura de Canoas) — Chave PIX: [email protected]
  • Prefeitura de Eldorado do Sul — Chave PIX: 51985951493

Abrigos

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius é nascido e criado em São Paulo e jornalista formado pela Universidade Paulista (UNIP). Escreveu sobre futebol nacional e internacional no Yahoo e na Premier League Brasil, além de eSports no The Clutch. Além disso, atuou como assessor de imprensa no setor público e privado.
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