O que o Atlético-MG precisa fazer para superar o líder Botafogo?
Apesar do grande destaque, o Botafogo não é um time perfeito, e o Atlético precisa explorar alguns pontos se quiser vencer o líder do Brasileirão
O Atlético-MG entra em campo neste sábado (16), às 21h, na Arena MRV para encarar o líder, melhor ataque e melhor defesa do Campeonato Brasileiro, o Botafogo. Com tantos prós no rival, o que o Galo precisa fazer para superá-lo em sua nova casa? A Trivela te conta.
Quando um time se destaca tanto positivamente como o Botafogo, que lidera o Brasileirão com 10 pontos de vantagem, venceu 16 dos 22 jogos, já marcou 39 gols e sofreu apenas 13, ele se apresenta como quase imbatível. Mas o Glorioso perdeu três partidas nesta edição, incluindo a última, o clássico contra o Flamengo. Nas derrotas e gols sofridos pelo alvinegro carioca na competição, é possível ver os pontos fracos. Outro detalhe que o Atlético pode explorar é a troca no comando técnico do seu rival.
No primeiro turno, o Botafogo venceu o Atlético no Nilton Santos por 2 a 0. A partida é considerada como o pior desempenho que o time do Galo teve sob o comando de Eduardo Coudet, sendo completamente dominado. Vale lembrar que o time botafoguense era treinado por Luís Castro. Agora, será um confronto de dois novos treinadores: Felipão x Bruno Lage.
Atlético precisa marcar os destaques botafoguenses
A primeira missão do Atlético é a mais óbvia possível para qualquer time que enfrenta um adversário com grandes destaques: tentar anular esses jogadores. No Botafogo, praticamente todo mundo se destaca, mas há três em específico que brilham ainda mais. O primeiro é Marlon Freitas, o volante é praticamente dono do meio campo botafoguense. Ótimo na marcação, o Galo também precisa ficar de olho nos lançamentos do camisa 17, que tem precisão alta e consegue quebrar linhas ou achar espaços para enfiadas que deixam os companheiros na cara do gol.
Quem quer um lançamento do Marlon Freitas aí? É muita categoria! ??? #VamosBOTAFOGO
? Vítor Silva/ BFR pic.twitter.com/6bBm2ZoSYH
— Botafogo F.R. (@Botafogo) August 3, 2023
Os outros dois destaques do Botafogo são, para muitos, os melhores jogadores do campeonato. Eduardo é um meia “invisível” nas estatísticas, já que não tem alto número de gols ou assistências, mas é um criador e rege o meio campo como poucos, construindo jogadas ofensivas para o time. Já Tiquinho Soares dispensa apresentações, sendo o artilheiro do campeonato e um atacante letal como poucos no Brasil. O camisa 9 voltou de lesão no último jogo e talvez ainda não consiga jogar os 90 minutos no sábado, o que é uma boa notícia para o Galo.
Para evitar as ações do volante, o Atlético vai precisar que os jogadores mais ofensivos, como meias e atacantes, se doem para evitar que o jogador botafoguense tenha espaço para trabalhar. Eduardo precisa ficar à cargo de Battaglia, melhor marcador do Galo, enquanto Tiquinho é preocupação para a dupla de zaga, que não terá o titular Jemerson.
A grande arma do Botafogo e o maior ponto fraco do Atlético
Ainda na parte ofensiva do campo, o Atlético vai precisar se virar para evitar a principal arma do Botafogo que, por azar, também é o maior ponto fraco do Galo: a bola aérea. Metade dos gols (9/18) do time de Bruno Lage, somando todas as competições, saíram dessa forma, com bola na área do adversário. Do outro lado, quase metade dos gols sofridos pelo Atlético (17/38) no ano também saíram através dessas jogadas.
O Botafogo tem jogadores altos e ótimos na bola aérea, como os zagueiros Victor Cuesta e Adryelson, os meias Marlon Freitas e Eduardo, e o atacante Tiquinho. Já o Atlético só tem os zagueiros Maurício Lemos e Bruno Fuchs, e o volante Battaglia. O Galo pode ainda ter o atacante Alan Kardec com boa estatura, se for ele o substituto de Hulk. A diferença de estatura e de posicionamento em jogadas na área pode ser o diferencial no jogo.
Como o Atlético pode atacar o Botafogo?
A primeira missão ofensiva do Atlético é sair da pressão alta do Botafogo. A marcação mais em cima imposta por Bruno Lage, é uma ferramenta que faz muita diferença para o time, que aperta o adversário, faz ele despachar a bola e recupera para atacar. Felipão vai precisar trabalhar o time para ter um plano para fugir dessa pressão, conseguindo começar assim um ataque. Caso o Galo não consiga isso, provavelmente terá poucos lances de ataque, dependendo muito de individualidades ou falhas dos botafoguenses.
Contra-ataques
Outra coisa que o Atlético precisa fazer é explorar mais os contra-ataques. Dos poucos gols sofridos pelo Botafogo de Lage, os de contra-ataque são os que mais aconteceram. Isso é algo, inclusive, que o time de Felipão faz muito. Contra o Bahia, há quatro jogos, o Galo teve cinco oportunidades criadas em contra-ataques, por exemplo. No entanto, o alvinegro não aproveitou nenhuma delas nessa partida, e isso é outro ponto que precisa estar alinhado, a eficiência ofensiva.
(In)Eficiência ofensiva
Com Felipão, o Atlético tem criado menos, tem menos chances de gols por jogo, o que obriga o time a ser mais eficiente, mas isso não acontece. Foram 172 finalizações nos jogos com o treinador, mas apenas 57 acertaram o gol, e 12 terminaram no fundo das redes. Com isso, o Galo precisa de 14,3 chutes para marcar, número muito alto e que demonstra baixa eficiência. Para piorar a situação, o alvinegro não terá neste sábado o seu artilheiro e principal jogador Hulk, suspenso pelo terceiro amarelo. Paulinho, que marcou todos os últimos quatro gols do Galo, é a esperança para ajudar a explorar esse contra-ataque e ser eficiente na cara do gol.
A melhor defesa do Brasil
Conseguindo sair da pressão alta, melhorando a eficiência ofensiva e explorando contra-ataques, o Atlético ainda vai precisar passar pela excelente defesa botafoguense, que sofreu apenas 13 gols neste Brasileirão. Cuesta e Adryelson formam, provavelmente, a melhor dupla de zaga da competição, além de Lucas Perri ser o melhor goleiro. Nesse quesito, o Galo pode precisar de jogadas individuais. Paulinho, Pedrinho e Pavón podem ajudar nessa questão, já que serão os jogadores em campo com mais habilidade e característica para passar por esses defensores.
ESSA DUPLA ??️? #VamosBOTAFOGO pic.twitter.com/AdCUlbSpTj
— Botafogo F.R. (@Botafogo) July 5, 2023
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Os pontos fracos do Botafogo
Apesar de parecer perfeito pela campanha e os números que tem, o Botafogo tem alguns pontos fracos, principalmente no recorte com Bruno Lage. O principal talvez seja as alas do time. Lage tem revezado o lado esquerdo entre Victor Sá e Luis Henrique, e o direito com Segovia, Júnior Santos e até Tchê Tchê, causando uma instabilidade ofensiva algumas vezes.
Essas alterações também impactam no time defensivamente. Na derrota para o Flamengo, Lage escalou Segovia e JP no lado direito do time, e viu o rival passear por ali, principalmente Bruno Henrique. Para o Atlético, isso é uma boa notícia, já que é o lado de Paulinho, que vem em grande fase e pode aproveitar isso.
Arena MRV precisa ser trunfo do Atlético
A partida deste sábado será apenas a segunda da história da Arena MRV, nova casa do Atlético. Com as arquibancadas bem próximas do campo, o estádio se coloca como um caldeirão, e isso precisa ser algo para ajudar o Galo nessa dura tarefa contra o líder. O estádio tem capacidade para cerca de 45 mil, mas terá “apenas” 40 mil lugares liberados, o que já é 10 mil a mais que no primeiro jogo.
Além de ter seu estádio, o Atlético também terá a estreia da sua nova camisa 3, que foi inspirada justamente nessa mudança de casa do clube. A camisa tem o preto como cor predominante e detalhes em amarelo. O Botafogo já foi rival do Galo em uma estreia de camisa, há 15 anos, e a história não acabou bem pro alvinegro mineiro.
Gramado ruim?
Um detalhe que pode atrapalhar (ou não) o jogo é a questão do gramado da Arena MRV. O primeiro jogo do estádio teve que ser interrompido para o tratamento de uma área do campo. Essa mesma área recebeu um palco para shows na última semana, ficando ainda mais desgastada. O Atlético trocou os rolos de grama da região e espera ter uma melhora na qualidade. O capitão Battaglia também:
— Penso que o gramado tem que ser algo muito importante, não só no nosso estádio, mas no futebol Brasileiro. É importante pois é onde a gente joga. Se o gramado está bom, o espetáculo vai ser melhor. Não sei como a grama vai estar. Tenho esperança que vai estar boa. No primeiro jogo, foi só em uma área que ficou pior, mas o jogo rolou bem. Espero que sábado o gramado esteja bom para um grande espetáculo.



