Brasileirão Série A

Abel Ferreira analisa atuação do Palmeiras em vitória sobre o Cruzeiro: ‘Faltou açúcar’

Abel Ferreira viu ataque do Palmeiras menos inspirado do que de costume no jogo contra o Cruzeiro

Em uma partida equilibrada e de poucas oportunidades, o Palmeiras derrotou o Cruzeiro por 1 a 0 na noite desta segunda-feira (14), no Allianz Parque, pela 19ª rodada do Campeonato Brasileiro. O gol da vitória, marcado por Flaco López, só saiu aos 51 minutos do segundo tempo. Para o técnico Abel Ferreira, “faltou açúcar” para o ataque alviverde, que teve uma atuação menos inspirada do que de costume.

Na tradicional entrevista coletiva após o jogo, o treinador português reconheceu as dificuldades ofensivas que sua equipe teve diante do Cruzeiro, dono da segunda melhor defesa do Brasileirão com somente 16 gols sofridos. Para o português, o Palmeiras esteve tão pouco criativo que um empate teria sido um resultado “justo”.

Os jogadores do Palmeiras tem qualidade. Hoje, também por mérito do adversário, achei que faltou um pouquinho de açúcar naquele último terço. Adoçar aquela jogada, adoçar aquela tabela, adoçar aquele cruzamento. Não estivemos tão criativos como nós somos. Por isso disse que se hoje o resultado acabasse empatado, teria de aceitar. Assim como tiveram jogos que nós perdemos e não merecíamos ter perdido.

— Meus jogadores sabem que ninguém gosta mais deles do que eu, mas achei que nós hoje não estivemos criativos na frente, não estivemos inspirados ou no nosso melhor, que é nas ações individuais, no dois contra um, em respeitar uma tabela. Não estivemos criativos. Não faltou entrega, não faltou rigor, não faltou foco nas tarefas, mas no que tem a ver com as capacidades técnicas, que já chamei de nota artística, alguns de nossos jogadores estiveram abaixo do que é são suas performances normais. Os jogadores do Palmeiras tem qualidade. Hoje, também por mérito do adversário, achei que faltou um pouquinho de açúcar naquele último terço. Adoçar aquela jogada, adoçar aquela tabela, adoçar aquele cruzamento. Não estivemos tão criativos como nós somos. Por isso disse que se hoje o resultado acabasse empatado, teria de aceitar. Assim como tiveram jogos que nós perdemos e não merecíamos ter perdido — afirmou.

Abel Ferreira também elogiou a organização cruzeirense, além de analisar o desempenho do Palmeiras e mencionar uma suposta vontade maior dos adversários ao enfrentar o Palmeiras no Allianz Parque.

— É uma equipe extremamente bem organizada, tem tempo de treino e trabalho. Não é à toa que tem esses números, tem a ver com a competência do nosso adversário. Às vezes você procura mostrar aos seus jogadores quais são os caminhos para o gol adversário, mas há sempre um oponente, que hoje estava fresco, intenso. Já disse para vocês várias vezes: aqui na nossa casa, sinto que as equipes tem uma vontade extra contra nós. Basta ver na Copa do Brasil, não é de hoje. Eu entendi o termo que vocês usam muito aqui, que no início não conseguia perceber, que é “equipe a bater”. Não entendia muito bem, mas agora sei o que isso significa. Mérito do nosso adversário que nos bloqueou — pontuou o técnico.

— É verdade, fiz algumas alterações na nossa equipe base. Acho que a primeira etapa foi muito truncada, equilibrada. Poucos arremates nossos, poucos arremates do nosso adversário. No segundo tempo acho que fomos melhores, apesar do adversário ter tido aquela boa chance com o Wesley em que nossa defesa parou. Naquele lance nós temos de corrigir ou rever um comportamento defensivo. Mas, honestamente, se ficasse empatado hoje, teria de aceitar. Como também já disse que perdemos jogos em casa que não deveríamos ter perdido. Contra o Botafogo não deveríamos ter perdido o jogo, contra o Fluminense não deveríamos ter perdido o jogo. Volto a dizer aqui o que já disse várias vezes: o resultado toma conta dele. Nossa função é dar nosso melhor, como sempre fazemos, até o último segundo para ganhar o jogo. Felizmente, hoje fomos felizes.  — completou.

Planejamento para o segundo turno

Com a vitória sobre o Cruzeiro, o Palmeiras encerrou o primeiro turno do Brasileirão com 34 pontos. Líder isolado, o Botafogo tem 47 pontos, melhor marca de um clube nesta altura da competição por pontos corridos. Abel Ferreira sabe que a vantagem da equipe carioca é muito grande, mas garante que a mentalidade alviverde segue a mesma na Série A.

— Uma atitude campeã é um comportamento repetido muitas vezes, que é o que faz essa equipe quando ganha e quando perde. Independente dos elogios ou críticas que nos fazem, sabemos muito bem o que queremos, a forma com que trabalhamos, as dores de crescimento que temos que ter. O nosso plano é o de sempre: fazer aquilo que somos bons, que é valorizar os nossos jogadores, valorizar o clube, valorizar o futebol brasileiro e valorizar aquilo que tem a ver com o esporte, que é competir. É o que nossa equipe sabe fazer. Em relação ao ano passado, temos cinco pontos a menos que nossa própria performance. Há uma equipe (Botafogo) que está muito melhor e que fez a melhor campanha da história dos pontos corridos. Não custa nada, quando o adversário tem esse desempenho, aceitar e seguir. Agora, nossa atitude competitiva é sempre a mesma. Seja onde for, seja contra quem for e quem jogar, nós jogamos sempre para ganhar. E ai do jogador do Palmeiras que não tiver essa mentalidade. Se não tiver essa mentalidade, não pode fazer parte desse clube e desse elenco — assegurou.

No triunfo por 1 a 0, o Palmeiras não contou com os titulares Weverton e Piquerez. Apesar da assessoria do clube ter informado que ambos foram preservados, Abel disse que utilizou força máxima e que os jogadores que ficaram de fora da partida não estavam disponíveis para entrar em campo.

— Eu preparo para estarmos sempre em alta intensidade. Nós gerimos porque não há outra forma. O Weverton já era uma questão que tínhamos falado em relação ao (Marcelo) Lomba, acontecesse o que acontecesse anteriormente. Os nossos dois zagueiros jogaram, o nosso lateral-direito jogou. O nosso trem (Zé Rafael), nosso 5, que era o que estava mais limitado, jogou também. O Rony jogou. Eu não vejo uma forma de preparar para o que vem se não for através da máxima força a cada jogo. Hoje estávamos na máxima força. Os que não jogaram, que não vieram ao jogo, foi porque não podiam. Eu não preparo a relaxar, não preparo a descansar, a dormir. Eu preparo a trabalhar, jogar. Treinamos para ganhar e jogamos para ganhar. E é isso que vamos fazer. É uma filosofia, uma atitude mental, um estado de espírito. Não é relaxando que vamos nos preparar para aquilo que vem — explicou.

— Agora, em determinadas circunstâncias… o Dudu tem um problema, o Piquerez também tem um problema. Nós temos de gerir. Temos 24 jogadores. O próprio Zé (Rafael) nós tentamos gerir, mas tem vezes que eu giro e quando coloco de novo, não está tão bem como estava. Tem várias decisões que tem que tomar. A minha experiência, minha forma de liderar, é jogar sempre na máxima força. Foi o que fizemos hoje. Os jogadores que costumam jogar e não jogaram foi porque estavam indisponíveis. Não foi para poupar ou para descansar. Ninguém consegue chegar ao topo debaixo do guarda-sol tomando chope. Tem que meter mão na massa, tem que sair do corpo, tem que suar. Eu não conheço outra forma. É isso que eu faço com meus jogadores. Uma atitude mental diária se torna um hábito — concluiu.

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Outros assuntos abordados por Abel Ferreira na entrevista coletiva

Canhoto pela direita e destro pela esquerda

— Pela esquerda nós temos um lateral que dá muita largura, seja o Vanderlan ou o Piquerez. Às vezes nós alteramos, um por fora e outro por dentro. Tem muito a ver com a forma que eu quero que os cruzamentos sejam feitos. Se eu quero que a equipe esteja aberta, tem que vir de fora para dentro ou para assistir, para arrematar ou para cruzar. Por isso jogam muitas vezes de pés trocados. Se vocês olham para as equipes de Arsenal, (Manchester) City e equipes de Portugal, jogam com os pontas trocados porque tem uma intenção. Quando nós sentimos que é preciso trocar, e nós já trocamos durante o próprio jogo, seja o Arthur ou o próprio Dudu. Não tenho feito tantas vezes, mas tem a ver com o que eu falei. Jogar com os pés trocados porque quando dribla de fora para dentro, tem um destro e um canhoto em cada corredor. Tem o lateral que passa, que é o canhoto, e o Dudu, por exemplo, ou o Jhonatan (Jhon Jhon), que são destros. Então, você fica com duas opções. Tem a ver com isso, dar um outro leque, outras opções. Nós hoje, e tenho de reconhecer isso, não estivemos tão inspirados naquilo que tem a ver com nosso ataque organizado. Não foi o melhor jogo nesse quesito.

Apoio da torcida

— Agradeço, de coração mesmo, os 38 mil torcedores que estavam aqui hoje. Isso é ser palmeirense, isso é gostar do Palmeiras. Eu tenho que compartilhar aqui com vocês algo que está na minha alma já há algum tempo. O Messi saiu da Europa para ir para um lugar para jogar e desfrutar. Ele, a família e os torcedores. É só isso que peço aos nossos torcedores. Que venham ao nosso estádio desfrutar da equipe, que nos apoiem como foi hoje. Um jogo difícil, não foi o melhor jogo que nós fizemos. Acho que eles (Cruzeiro) estiveram melhor do que nós, sinceramente. Mas nós fazemos tudo que nós podemos. O treinador algumas vezes faz e acerta, outras vezes faz e erra. Eu cometo muitos erros. Faz parte, é normal, sou ser humano e meus jogadores também. Agradecer, acima de tudo, nossos torcedores pela confiança que tem neste elenco. Eu gosto muito cada vez vejo nossos jogadores fazendo um corte e nossos jogadores aplaudem como se fosse um gol. Isso é mística, é se identificar com os valores da nossa equipe. E esses jogadores, através do trabalho, da dedicação… Já disse que não sou o melhor treinador do mundo, não temos os melhores jogadores do mundo, mas fazemos de tudo para sermos melhores todos os dias e darmos alegrias como foi hoje, mesmo no último apito, porque mereciam. Se havia alguém hoje que merecia essa vitória, eram nossos torcedores. Fico muito feliz por você (repórter) ter falado nisso, porque às vezes esqueço. No último jogo aqui em casa (empate em 0 a 0 com o Atlético-MG) queria perguntar como tinha ficado o árbitro Juan (Belatti), mas esqueci completamente. Já o tinha encontrado várias vezes. Em Montevidéu (final da Libertadores de 2021), era ele o bandeirinha. Esqueci, queria perguntar como estava, desejar melhores. Felizmente, sei que deu tudo certo. Mas é inteiramente justa essa vitória, é deles. Em uma segunda-feira meter 38 mil… obrigado a eles. ë uma palavra curta, mas mágica. Obrigado aos nossos torcedores.

Garotos da base

— Se contarmos o Kaique e o Mateus (goleiros das categorias de base), são onze jogadores (vindos das categorias de base) dos 24 que temos hoje no nosso elenco. Mais o Kevin, que subiu nesse momento e joga em cima ou treina em cima e joga embaixo. Foi o que aconteceu com todos eles. Foi o que aconteceu com o Vanderlan, que treina comigo desde que cheguei. O Jhon Jhon começou a treinar conosco de forma seguida há dois anos, e o Luis (Guilherme) entrou há, mais ou menos, quatro cinco meses. Ele estava se recuperando de uma lesão que tinha, trouxemos para o CT. Quando começou a treinar conosco, fiquei impressionado com as capacidades que tem. O próprio Endrick. Continuo a dizer, nós exigimos desses jogadores como se fossem o Zé Rafael, o Gómez, o Murilo, o Artur. Só de pensar que têm um ano a mais que minha filha mais velha… Não sei dizer em qual estágio estão. O que sei é que são jogadores de muito potencial, que temos de ter muita paciência e que muitas vezes vamos ganhar com o desequilíbrio e talento deles, e outras vezes vamos perder por erros deles e do treinador. É assim que funciona. O Luis se lesionou, acredito que esteja fora. Mas não posso esquecer que, mesmo lesionado, foi ele que sofreu a falta do nosso gol. E o Jhon Jhon, como eu falei, é um jogador que espera pela vez dele. Quando não está o Dudu, tem aproveitado muito bem a oportunidade de entrar. A única coisa que digo aos torcedores mais ansioso é que só podem jogar onze, e nós temos onze jogadores da base que trabalham conosco diariamente. Temos de ter todos um pouco de paciência. Para os torcedores mais impacientes, que confiem naquilo que estamos a fazer. Já disse ano passado que esse clube tem presente e tem futuro. Sim, há coisas que temos que entender. O treinador arrisca muito, e às vezes posso me arrepender por isso. Sou corajoso demais e acredito demais nos meus jogadores. Sabemos que há determinados pormenores que temos de estar todos atentos e fazer os ajustes que tem de ser feitos, mas no momento estou extremamente contente com Jhon Jhon e Luis. E o Luis não é a função que ele gosta. Ele gosta de jogar de 10, na função do Veiga, só que vai ter que comer muito arroz com feijão ainda. E os outros também. Posso estar enganado, mas acho que não há no Brasil uma equipe que lute pelos objetivos que nós lutamos e tenha tanto garoto na equipe principal, jogando de forma tão assídua, quanto o Palmeiras.

Foto de Felipe Novis

Felipe NovisRedator

Felipe Novis nasceu em São Paulo (SP) e cursa jornalismo na Faculdade Cásper Líbero. Antes de escrever para a Trivela, passou pela Gazeta Esportiva.

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