Brasil

Os sete motivos que explicam o 2025 já frustrante do Botafogo

Glorioso ainda pode ser campeão nesta temporada, mas queda precoce na Libertadores deixou sentimento de frustração após 2024 mágico do clube

A temporada de 2025 ainda está longe de acabar, mas já é possível afirmar que o ano do Botafogo foi, no mínimo, frustrante para a torcida. Depois do 2024 mágico, o Glorioso acumula decepções em meio a erros no planejamento, escolhas questionáveis no futebol e um grande imbróglio fora de campo sobre o comando da SAF alvinegra.

Além da eliminação nas oitavas de final da Copa Libertadores, na última quinta-feira (21), o Botafogo já acumulou fracassos na Recopa Sul-Americana, Supercopa do Brasil e Campeonato Carioca. No Mundial de Clubes, o clube conseguiu uma histórica vitória sobre o PSG, mas caiu de forma decepcionante, principalmente pela atuação da equipe, para o Palmeiras logo nas oitavas de final.

No Campeonato Brasileiro, o Glorioso é apenas o quinto colocado, 14 pontos atrás do líder Flamengo, e tem chances remotas de título. Assim, a última esperança de levantar uma taça em 2025 ficou na Copa do Brasil, competição nunca conquistada pelo clube. O Glorioso vai enfrentar o Vasco nas quartas de final.

Com mais de R$ 600 milhões investidos em reforços apenas em 2025, um possível título da Copa do Brasil pode amenizar a temporada do Glorioso, principalmente pelo clube nunca ter levantado esta taça. Ainda assim, o ano ficaria aquém das expectativas criadas no começo do ano.

E a Trivela ajuda a explicar as principais razões que fizeram o Botafogo sair de um ano mágico e histórico para uma frustrante temporada em 2025.

Planejamento ruim no começo de 2025

Pela disputa do Mundial de Clubes em dezembro de 2025, o time principal do Botafogo, naturalmente, começou a pré-temporada depois dos demais clubes da Série A. No entanto, o clube mostrou pouca pressa para correr atrás desse “prejuízo”. Com o discurso de que a “temporada só começa em abril”, repetido por John Textor, o Glorioso praticamente abriu mão das disputas do Campeonato Carioca, Supercopa do Brasil e Recopa Sul-Americana.

Na Supercopa, o Botafogo foi facilmente derrotado pelo Flamengo. Já na Recopa, o Glorioso perdeu a oportunidade de conquistar mais um título internacional e viu o Racing ser campeão em pleno Nilton Santos. Ambos os títulos seriam inéditos para o Botafogo.

- - Continua após o recado - -

Assine a newsletter da Trivela e junte-se à nossa comunidade. Receba conteúdo exclusivo toda semana e concorra a prêmios incríveis!

Já somos mais de 4.800 apaixonados por futebol!

Ao se inscrever, você concorda com a nossa Termos de Uso.

Demora na contratação de um técnico

Como parte deste discurso de que a “temporada só começa em abril”, o Botafogo, através de John Textor, demorou a fechar com um substituto para Artur Jorge, que deixou o Glorioso ainda no fim de 2024.

O Botafogo teve tentativas frustradas ao longo do caminho, como com André Jardine, mas o clube ficou 56 dias sem um treinador efetivo. Neste período, o Glorioso teve dois interinos diferentes que não conseguiram manter ou dar um novo padrão de jogo ao time. Renato Paiva, que estava longe de ser a primeira opção do clube, só chegou ao Botafogo no fim de fevereiro e estreou pelo clube em março, pelo Brasileiro.

O começo irregular do Botafogo com Renato Paiva, o que pode ser normal em qualquer trabalho de treinador, acabou comprometendo o Campeonato Brasileiro e a Copa Libertadores do Botafogo.

Renato Paiva ficou apenas quatro meses no Botafogo (Foto: Imago)
Renato Paiva ficou apenas quatro meses no Botafogo (Foto: Imago)

Janela de transferência pouco efetiva

Apesar de ter investido quase R$ 400 milhões na primeira janela de contratações, os jogadores contratados no começo da temporada ainda pouco renderam. Dos nomes contratados, o único que chegou e virou titular incontestável foi o zagueiro Jair, que nem sequer está mais no clube – já foi vendido ao Nottingham Forest.

Outros nomes que demandaram alto investimento, como Santiago Rodríguez, Nathan Fernandes e Rwan Cruz não renderam o esperado. Rwan Cruz, inclusive, também já foi negociado, assim como Elias Manoel.

Botafogo investiu R$ 48 milhões na chegada de Rwan Cruz (Foto: Icon Sport)
Botafogo investiu R$ 48 milhões na chegada de Rwan Cruz (Foto: Icon Sport)

Perda de jogadores importantes e alta rotatividade no elenco

O ano de 2025 começou com uma grande reformulação no elenco do Botafogo. Do time titular da reta final da temporada, apenas Luiz Henrique, Thiago Almada e Adryelson deixaram o Glorioso. Mas praticamente todo o banco de reservas foi reformulado. Nomes como Eduardo, Tiquinho Soares, Óscar Romero, Júnior Santos, entre outros, deixaram o clube.

No meio do ano, mais saídas de jogadores importantes. O Glorioso acertou as vendas de Jair, que havia se tornado titular do time, Igor Jesus e Gregore.

Com a confiança de que o departamento de scout tem a capacidade de buscar substitutos e precisando de boas vendas para fazer a roda financeira do clube girar, John Textor adotou a estratégia de não se opor a venda de jogadores. De certa forma, o modelo incentiva a rotação nos nomes que formam o elenco alvinegro, prejudicando o entrosamento da equipe e a formação de uma identidade do grupo de jogadores.

Problemas na formação do elenco

Em meio a tantas chegadas e saídas, combinadas com uma dose de azar — ou problemas no condicionamento físico dos jogadores — em uma sequência de lesões, o Botafogo chegou para o jogo mais importante do segundo semestre com apenas um zagueiro em boas condições de jogo. Na partida contra a LDU, em Quito, o técnico Davide Ancelotti tinha apenas Alexander Barboza como zagueiro de ofício com 100% do seu condicionamento físico. David Ricardo, que voltava de lesão, foi relacionado, mas não estava 100% — tanto que ficou apenas no banco de reservas.

O Botafogo também teve problemas em relação aos volantes neste meio de temporada. Com as saídas de Danilo Barbosa e Gregore, o clube chegou a ficar com apenas três jogadores para a posição: Marlon Freitas, Allan e Newton. Pouco depois, a chegada de Danilo amenizou a questão.

Troca de técnico

Assim como aconteceu em 2023 e 2024, o Botafogo passou por mais uma troca de técnico com a temporada em andamento. Insatisfeito com o desempenho e a postura do Botafogo em recorte de dez jogos, culminando com a eliminação para o Palmeiras no Mundial, Textor demitiu Renato Paiva por não seguir o seu “Botafogo Way”.

Para o lugar de Paiva, o Textor escolheu o inexperiente Davide Ancelotti. Tratado como uma promessa pelos seus anos de trabalho ao lado do pai Carlo Ancelotti, o treinador tem no Glorioso o seu primeiro trabalho como técnico principal.

Até o momento, foram apenas dez partidas no comando do clube e, é claro, é muito cedo para avaliar o trabalho de Davide Ancelotti. No entanto, a eliminação na Copa Libertadores passou por algumas escolhas do técnico nos dois jogos contra a LDU, como a opção por entrar com três volantes na partida em Quito e a postura defensiva da equipe.

Davice Ancelotti está no seu primeiro trabalho como técnico (Foto: Icon Sport)
Davice Ancelotti está no seu primeiro trabalho como técnico (Foto: Icon Sport)

Problemas extracampo e disputa entre Textor e Eagle

Em meio a isso tudo, para piorar a situação, a SAF do Botafogo se viu em meio a uma grande disputa judicial. Após os problemas enfrentados pelo Lyon na França, com um “quase- ebaixamento”, os sócios da Eagle Holding iniciaram uma tentativa de tirar John Textor do grupo e do comando do Botafogo, enquanto o americano contra-atacou, com apoio da diretoria da SAF e do clube associativo, para tentar permanecer no controle do clube através de uma nova empresa sediada nas Ilhas Caymam.

Após essas movimentações, Eagle e Textor iniciaram uma série de disputas judiciais no Brasil, Inglaterra e Estados Unidos, que também incluem a Ares Manegement e a Iconic Sports, investidores que aportaram dinheiro na Eagle nos últimos anos.

Dados e documentos do processo judicial no Brasil revelaram graves problemas financeiros na SAF do Botafogo. Enquanto isso, Textor passou a cobrar da Eagle valores que eram do Glorioso e foram repassados por ele mesmo para o Lyon. A Eagle, por sua vez, não reconhece esta suposta dívida. Paralelamente aos processos, as partes também mantêm conversas para tentar resolver o imbróglio sobre o comando da SAF do Botafogo.

Foto de Gabriel Rodrigues

Gabriel RodriguesSetorista

Jornalista formado pela UFF e com passagens, como repórter e editor, pelo LANCE!, Esporte News Mundo e Jogada10. Já trabalhou na cobertura de duas finais de Libertadores in loco. Na Trivela, é setorista do Vasco e do Botafogo.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo