Brasil

Entenda a confusão na Eagle Football que quase tirou Textor do comando do Botafogo

Após afastamento no Lyon, acionistas da Eagle também tentaram, sem sucesso, tirar empresário americano do comando do Glorioso

O Botafogo viveu dias agitados que quase culminaram com a saída de John Textor do controle do clube. Nesta semana, movimentos no exterior e no Rio de Janeiro mexeram com os bastidores da Eagle Football Holdings e devem resultar em mudanças significativas no grupo — mas com o empresário americano ainda no comando do Glorioso.

Em pé de guerra há algumas semanas, Textor e outros acionistas da Eagle se desentenderam após o imbróglio envolvendo o Lyon na França. Desde então, se iniciou um movimento pelos novos controlados do clube francês para tentar tirar Textor, que se afastou do Lyon em junho, os demais clubes do grupo.

Os problemas começaram quando Michele Kang, acionista da Eagle que assumiu o controle do Lyon, e outros membros do grupo afiram terem encontrado um quadro de “descontrole financeiro” nas contas do clube francês.

Kang e dirigentes do fundo de investimento Ares, que emprestou dinheiro para Textor comprar o Lyon e também são acionistas da Eagle, iniciaram movimentos nos bastidores para encontrar formas de tirar Textor do controle dos outros clubes da rede, incluindo o Botafogo.

No entanto, como revelou o “GE”, Textor, com apoio de diretores da SAF do Botafogo e do clube associativo, conseguiu contornar o problema e, ao menos por enquanto, seguirá no comando no clube. Mas não mais com a Eagle.

Segundo o jornal “O Globo”, a solução encontrada pelo empresário americano é a criação de uma outra empresa, com sede nas Ilhas Cayman, para controlar seus demais clubes: Botafogo, Daring Brussels (antigo RWD Molembeek), da Bélgica, e o Flórida, dos Estados Unidos.

Torcida do Lyon protestou contra Textor em junho (Foto: Imago)
Torcida do Lyon protestou contra Textor em junho (Foto: Imago)

Diretores do Botafogo enviam carta em apoio a Textor

Em oposição ao movimento iniciado na França, diretores da SAF do Botafogo e do clube associativo enviara cartas de apoio a John Textor. O documento assinado pelos funcionários da SAF chegou a afirmar que “se John for afastado, nós sairemos com ele”. A carta foi assinado, por exemplo, por Thairo Arruda, CEO da SAF do clube, e Alessandro Brito, diretor de gestão esportiva do clube.

“Esse manifesto não é um ato de divisão. É uma súplica por união. Não estamos abandonando o Botafogo. Estamos defendendo o Botafogo que saiu das cinzas, a fênix que renasceu sob a liderança de um homem que ousou sonhar e nos pediu para sonhar com ele”, diz um trecho do documento.

A carta ainda chamou o movimento de outros acionistas do grupo de “pressões políticas e corporativas” e a apontou que seria “a traição de um sonho”.

“Se tais ações forem tomadas sem transparência, deliberação inclusive, e sem o consentimento expresso do sr. Textor, vamos considerá-las uma violação dos nossos valores compartilhados. Caso o cargo dele seja revogado, suspenso ou limitado de qualquer forma significativa, esta deverá servir como nossa formal e irrevogável notificação de demissão, com efeito dentro de 48 horas após tal decisão” diz outro trecho da carta.

No momento, o apoio do clube associativo já é suficiente para Textor se manter no controle do Botafogo. Pelo contrato de venda da SAF para Textor, qualquer mudança no comando da empresa deve ser autorizada pelo sócio-minoritário – o clube associativo. Atual presidente do Botafogo, João Paulo Magalhães Lins foi eleito em 2024 com o apoio de Textor e, nesta sexta, ele publicou uma mensagem de apoio ao empresário americano.

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Textor cutuca e se pronuncia sobre polêmicas

Ainda nesta sexta-feira movimentada, Textor já se manifestou sobre a tentativa de o retirar da Eagle Football. O empresário disse que se sente em cada no Botafogo e garantiu que seguirá no comando do clube.

— Todos sabem que fui escolhido para o Botafogo e é onde me sinto mais em casa. No Brasil somos incentivados a sonhar, somos livres para inovar e ainda temos muitos troféus para conquistar! As palavras calorosas do João Paulo (presidente do Botafogo associativo) mostram claramente as razões pelas quais somos campeões, porque éramos ‘família’ antes de sermos campeões — disse Textor ao jornal “O Globo”.

Nas redes sociais, Textor aproveitou uma publicação sobre as recentes contratações do Botafogo para ironizar o movimento de o retirar do comando do clube.

— Caçando troféus, recrutando sem algemas. Que prazer comandar um clube sem agendas políticas envolvidas — publicou o empresário.

Foto de Gabriel Rodrigues

Gabriel RodriguesSetorista

Jornalista formado pela UFF e com passagens, como repórter e editor, pelo LANCE!, Esporte News Mundo e Jogada10. Já trabalhou na cobertura de duas finais de Libertadores in loco. Na Trivela, é setorista do Vasco e do Botafogo.

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