Fala de Ancelotti expõe falha em plano do Botafogo em eliminação na Libertadores
Botafogo entrou em campo com três volantes, jogou mal e foi eliminado pela LDU nas oitavas de final da Libertadores

A eliminação do Botafogo na Copa Libertadores ficou marcada por uma mudança importante feita pelo técnico Davide Ancelotti. Na derrota por 2 a 0 para a LDU, no Estádio Casa Blanca, pelo jogo de volta das oitavas de final, o Glorioso entrou em campo com três volantes.
Esta foi a primeira vez sob o comando de Davide Ancelotti em que o Botafogo iniciou uma partida com três volantes em campo: Danilo, Allan e Marlon Freitas. Até então, o técnico italiano costumava escalar o seu time com dois jogadores da posição.
Após a partida, o Davide Ancelotti explicou a mudança feita no time. De acordo com o treinador, foi uma tentativa de adaptar a equipe à altitude de Quito e ao estilo de jogo da LDU – ainda mais pelo fato do Glorioso entrar em campo com a vantagem do 1 a 0 conquistado no Nilton Santos.
— A estratégia de hoje foi adaptar-se um pouco. Jogamos com linha de defesa mais baixa para tirar a profundidade deles e defender cruzamentos. Eles cruzam muito, então três volantes eram para bloquear os chutes. Não é a maneira que o Botafogo quer jogar, mas tínhamos que adaptar. Mas foi o plano de jogo. E é difícil seguir com o plano depois de levar um gol com seis minutos — disse Davide Ancelotti.
No entanto, a fala de Ancelotti só deixou ainda mais claro como o plano de jogo do Botafogo não deu certo em Quito. Os três volantes escalados não conseguiram bloquear os cruzamentos do time equatoriano.
Contra o Botafogo, a LDU teve 26 cruzamentos para a área. Mais do que teve, por exemplo, nos jogos contra o Central Córdoba (12), Flamengo (20), também em Quito. Apenas contra o Deportivo Táchira o time equatoriano teve mais cruzamentos jogando em casa nesta Libertadores: foram 39 cruzamentos.
A opção pelos três volantes ajudou a dificultar as finalizações de fora da área da LDU, mas também não as bloqueou com tanta eficiência. O time equatoriano teve 13 finalizações de longe – apenas duas passaram com algum perigo perto do gol de John.
Além da questão dos chutes e cruzamentos, Ancelotti também reforçou que gostaria de uma linha defensiva “mais fechada”. Mas o primeiro gol da LDU foi um exemplo de como esta linha não estava tão compacta. Recuada, a defesa do Botafogo deu espaço para o zagueiro Mina arrancar até quase a linha de fundo e cruzar para a área.
— O gol nos primeiros minutos mudou o jogo. Foi mais difícil seguir o planejamento. O ritmo tem que ser baixo aqui porque é muito difícil fisicamente. A gente queria ter uma linha defensiva mais fechada. Claramente essa não é a maneira que gostamos de jogar, mas temos que adaptar. O primeiro gol poderíamos ter evitado — reforçou Ancelotti.

Ancelotti explica opção por Botafogo sem centroavante
A entrada de mais um volante no Botafogo implicou em mudanças no setor ofensivo do time. Davide Ancelotti optou por tirar Arthur Cabral e Alvaro Montoro, colocando Matheus Martins na equipe. Assim, o Glorioso começou a partida sem um centroavante no time. Depois da partida, o treinador explicou a opção.
— Arthur Cabral não treinou. Treinou 20 minutos antes, não estava com condições de 90 minutos. O plano era de Savarino porque ele atuou nessa posição ontem, é móvel. Pedi trabalho para os dois pontas, queria a defesa mais fixa. Pedi que Marçal e Barboza afastassem as bolas — disse Ancelotti.
O técnico do Botafogo também comentou sobre a demora para fazer substituições na equipe. Depois de um primeiro tempo ruim, o Glorioso voltou com mesmo time e o treinador preparava a primeira substituição no momento em que a equipe sofreu o segundo gol da LDU.
— O segundo gol chega quando a gente vai fazer os primeiros dois câmbios para refrescar o time. Depois de uma derrota tenho que fazer autocrítica. Vou tomar toda a responsabilidade. Os jogadores seguiram todo o plano de jogo, agora é seguir — finalizou Ancelotti.



