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Bastidores: o que gerou demissão de Larcamón no Cruzeiro?

O treinador argentino Nicolás Larcamón foi demitido na tarde desta segunda-feira (8) após o Cruzeiro perder a final do Campeonato Mineiro

Nicolás Larcamón não é mais treinador do Cruzeiro. O treinador argentino de 39 anos foi demitido na tarde desta segunda-feira (8), após a derrota de virada, por 3 a 1, na final do Campeonato Mineiro para o grande rival Atlético-MG. Apesar da perda do título estadual, que chegou a estar nas mãos da Raposa, ter tido grande peso, uma série de outros fatores contribuíram para a queda do jovem técnico. Pode-se dizer que havia uma insatisfação geral: jogadores, diretoria e torcida.

A demissão de Nico Larcamón foi definida após uma reunião da cúpula da SAF celeste, iniciada na manhã desta segunda. Já existia uma insatisfação com o trabalho do treinador desde a eliminação precoce na primeira fase da Copa do Brasil, contra o Sousa (PB), um resultado que causou enormes prejuízos anímicos, esportivos e financeiros ao clube celeste.

O que minou o trabalho de Nicolás Larcamón no Cruzeiro?

  • Eliminação na Copa do Brasil
  • Poucas oportunidades para a base
  • Escolhas controversas e insistência em peças improdutivas
  • Baixa minutagem dos reforços
  • Estilo de jogo
  • Perda do Campeonato Mineiro

Queda para o Sousa (PB) na Copa do Brasil

O grande vexame celeste no ano. O Cruzeiro foi derrotado pelo Sousa (PB), por 2 a 0, num campo encharcado e deixou a Copa do Brasil de forma precoce, na primeira fase. A eliminação gerou revolta na torcida e incômodo internamente. A postura do time e as escolhas de Larcamón durante o confronto foram muito questionadas.

Em entrevista coletiva, o diretor de futebol da Raposa, Pedro Martins, revelou que a eliminação teve impacto financeiro relevante no clube.

Poucas oportunidades para as categorias de base

O Cruzeiro é o atual campeão da Copa do Brasil sub-20 e vice-campeão da Copinha, principal torneio de base no Brasil, e tem uma gama de talentos que gera expectativas. Apesar disso, o espaço dos “Crias da Toca” foi ficando cada vez menor com Nicolás Larcamón, o que desagradou torcedores e diretoria. A SAF celeste sempre deixou claro que a formação e utilização de jovens é um pilar da gestão.

Mesmo que se tratem de jogadores jovens, alguns deles tem mais apresentado pelo Cruzeiro que nomes experientes que jamais deixam de frequentar as listas de relacionados do clube para os jogos.

A última vez que alguém da base do Cruzeiro (fora o já rodado Lucas Silva) entrou em campo foi no dia 2 de março, contra o Uberlândia. Robert saiu do banco na ocasião. A última vez em que alguém da base foi titular da Raposa foi no dia 18 de fevereiro, quando o ponta João Pedro, de 21, começou jogando contra o Democrata de Governador Valadares.

Escolhas controversas e insistência em peças improdutivas

Internamente, o elenco do Cruzeiro já não entendia alguns critérios de escalação e “barragem” de jogadores. Conforme adiantado pela Itatiaia, o grupo da Raposa já não era convencido pelas explicações de Larcamón sobre suas escolhas. Um exemplo foi o fato do zagueiro Zé Ivaldo, classificado pelo treinador como o melhor da posição que já havia treinado, ter sido reserva no primeiro jogo da final do Campeonato Mineiro. Nico afirmou foi uma espécie de “castigo” pela expulsão com camisa 5 no jogo de ida da semifinal, contra o Tombense, mas abrir mão de um de seus melhores defensores por isso não foi bem entendido.

Também foi controverso o fato do zagueiro Neris, um dos jogadores mais utilizados por Larcamón e também um dos mais questionados por suas atuações inseguras, ter sido expulso antes do clássico contra o Atlético-MG na primeira fase do Mineiro, mas voltado ao time titular logo após a partida contra o maior rival.

Além disso, Nico levou a maioria dos titulares para enfrentar a Universidad Católica na altitude de Quito, pela Copa Sul-Americana, o que resultou em problemas físicos sentidos pelo zagueiro Zé Ivaldo. Mesmo atuando com um time misto, alguns dos principais jogadores entraram, ainda que o Cruzeiro tenha adotado a postura de buscar o empate, revelada pelo atacante Rafael Elias Papagaio. Lucas Silva, por sua vez, não saiu do banco, tendo apenas o desgaste da longa viagem. O então titular João Marcelo foi poupado e só entrou quando Zé Ivaldo teve problemas físicos, mas na final, seguiu no banco, para Neris, que atuou os 90 minutos no Equador ser o titular.

Reforços do Cruzeiro pouco jogaram

Nico Larcamón disse, numa coletiva, que os reforços do Cruzeiro foram escolhidos “a dedo” e que ele participou deste momento de contratações. Prova disso é a busca por jogadores do México e MLS, terreno conhecido por Larcamón, que treinou os mexicanos Puebla e León. Mas mesmo assim, o argentino não promoveu a entrada destes nomes no time titular, preferindo insistir em peças pouco produtivas, como Arthur Gomes, Filipe Machado e Mateus Vital.

Até aqui, Barreal e Cifuentes, por exemplo, mal entraram em campo e foram somente titulares no time misto mandado para enfrentar a Universidad Católica na altitude. Para se ter ideia, o Cruzeiro iniciou final do Mineiro com oito jogadores remanescentes de 2023, ano em que o clube quase caiu no Campeonato Brasileiro.

Estilo de jogo do Cruzeiro

Apesar de promover um estilo de controle de bola, o Cruzeiro de Nico Larcamón não conseguia ser um time que pressionasse, ofensivo e de muitas finalizações. Além disso, nas partidas decisivas, a postura da equipe foi retraída, de poucas oportunidades, o que nunca deu certo. A SAF celeste deixou claro diversas vezes que espera treinadores que tenham um DNA ofensivo, que não abdique de atacar e dominar os jogos e isso não aconteceu com o argentino, nem mesmo nos jogos contra adversários mais fáceis.

Perda do Campeonato Mineiro para o rival Atlético-MG

O Cruzeiro perdeu o Campeonato Mineiro de forma traumática após sofrer virada para o maior rival, Atlético-MG, em um Mineirão lotado de cruzeirenses nesse domingo (7). O clube celeste, que foi para o jogo podendo ser campeão com um empate, até abriu o placar com Mateus Vital, após linda assistência de Matheus Pereira, mas levou a virada com gols de Renzo Saravia, Hulk, de pênalti, e Gustavo Scarpa. Todos os gols do 3 a 1 saíram no segundo tempo.

Entre as principais críticas a Larcamón, se sobressai a que questiona a mudança feita após abrir 1 a 0 no placar. O gol saiu aos seis minutos do segundo tempo e aos 16 o treinador tirou o meia Mateus Vital, que sentiu um problema muscular, para colocar o zagueiro João Marcelo. A mudança chamou o Atlético para cima do Cruzeiro num momento onde o time celeste dominava a partida e estava próximo do segundo gol.

Nem as mudanças ultra ofensivas de Gabriel Milito, treinador atleticano, que já havia chamado Gustavo Scarpa, Eduardo Vargas e Igor Gomes antes mesmo de Nico fazer sua mudança, fizeram o treinador celeste desistir de retrair sua equipe. A alteração do treinador do Cruzeiro deu respaldo para o atleticano seguir com sua ideia de jogar seu time para frente, visto que a Raposa ficou apenas com três jogadores ofensivos em campo: Matheus Pereira, Arthur Gomes, que fez partida ruim, e Juan Dinenno, que brigava sozinho com os zagueiros adversários.

Nico Larcamón colocou mais um zagueiro em campo e antes do Atlético fazer suas três alterações, saiu o gol de empate. Milito então promoveu duas mudanças já com o placar igual. Ainda assim, mesmo com o Cruzeiro tendo a vantagem do empate e o alvinegro se colocando no campo de ataque e melhorando consideravelmente na partida, o treinador celeste não mudou o time, que viria a sofrer a virada alguns minutos depois.

Só aí, aos 34 do segundo tempo, três minutos após a virada atleticana, Nico Larcamón decidiu mexer no time. O Cruzeiro melhorou com as entradas de Wesley Gasolina, Álvaro Barreal e José Cifuentes, mas não foi o suficiente para empatar o placar.

Foto de Maic Costa

Maic Costa

Maic Costa nasceu em Ipatinga, mas se radicou na Região dos Inconfidentes mineiros. Formado em Jornalismo na UFOP, em 2019, passou por Estado de Minas, Superesportes, Esporte News Mundo, Food Service News e Mais Minas. Atualmente, é setorista do Cruzeiro na Trivela.
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