Brasil

Cruzeiro iniciou final do Mineiro com oito jogadores remanescentes de 2023

Mesmo tendo brigado para não cair até o final de 2023, remanescentes seguem com prestígio inabalável no Cruzeiro

O Cruzeiro começa a semana buscando juntar os cacos da derrota na final do Campeonato Mineiro, onde foi superado, nesse domingo (7), pelo grande rival Atlético-MG. Mesmo em um Mineirão com 61.582 cruzeirenses, podendo ser campeão com um empate e abrindo o placar com Mateus Vital, após linda assistência de Matheus Pereira, a Raposa levou a virada com gols de Renzo Saravia, Hulk, de pênalti, e Gustavo Scarpa. Todos os gols do 3 a 1 saíram no segundo tempo.

Ainda antes do apito final, torcedores, comissão técnica e jornalistas começaram a procurar entender o que havia causado tal colapso e o primeiro nome a surgir foi o do treinador argentino Nicolás Larcamón, muito criticado por decisões controversas durante a temporada e apontado como o principal responsável pela queda do Cruzeiro nos dois jogos da final estadual. Ainda antes do apito final, quando o placar mostrava 3 a 1 para o Atlético, o comandante foi chamado de “burro” por grande parte da torcida celeste presente no Mineirão.

O fracasso estadual se juntou a eliminação precoce do Cruzeiro na Copa do Brasil como fonte de descrédito ao trabalho de Nico Larcamón, que passa a balançar no cargo, ainda que a diretoria da Raposa queira evitar o ciclo de demissões de treinadores que tanto custou ao clube em 2023. Caso seja mantido no cargo, o argentino terá que compensar o péssimo momento nas competições que vêm pela frente: a Copa Sul-Americana e o Campeonato Brasileiro. E ele sabe disso.

— Não alcançamos nosso objetivo. Eu sinto que é preciso valorizar os méritos que tivemos nesses três meses em que fizemos um Mineiro em que fomos o melhor classificado (da primeira fase) e chegamos à final com muita autoridade. Foi uma pena muito grande que não alcançamos o título porque houve um momento muito positivo mental e grupal. Mas estamos fortes. Eu sinto que temos a capacidade de, já na quinta, fazermos o que temos que fazer, que é entrar nesse campo e ganhar para começar a encaminhar a classificação para a próxima fase da Copa Sul-Americana — disse Larcamón, na entrevista coletiva após o vice-campeonato estadual.

Manutenção de base do Cruzeiro de 2023

Entre as nuances da derrota do Cruzeiro, um ponto chamou a atenção de forma especial: a presença de oito remanescentes do time de 2023, que passou perto de ser rebaixado no Campeonato Brasileiro, entre os titulares no segundo jogo da final do Campeonato Mineiro. Boa parte deles se trata de nomes questionáveis.

Dos atletas que começaram o jogo, Rafael Cabral, William, Neris, Marlon, Lucas Silva, Mateus Vital, Matheus Pereira e Arthur Gomes faziam parte do elenco que fez campanha horrorosa no Brasileirão de 2023, se salvando somente na penúltima rodada e terminando a competição na 14ª colocação, apenas quatro pontos acima da zona de rebaixamento.

Entre os titulares, somente Zé Ivaldo, Lucas Romero e Juan Dinenno são novos no clube, três dos nove contratados pelo Cruzeiro para 2024.

Dos remanescentes, Matheus Pereira, William e Marlon são os principais pilares do time, mas é preciso levar em conta que a dupla de laterais faz, hoje, funções diferentes daquelas que faziam no ano passado. O camisa 10, por sua vez, vive grande fase. Rafael Cabral é outro titular absoluto e não há concorrência em sua posição, algo prejudicial, já que se trata de um goleiro que erra muito, se mostra pouco decisivo e bastante inconsistente.

Outros quatro são bastante questionáveis. Neris é evidentemente inferior a Zé Ivaldo e João Marcelo, mas claramente é o preferido de Nicolás Larcamón, que tem uma régua de avaliação diferente ao tratar do camisa 27, que parece ter passe livre para errar. Lucas Silva surge como uma opção interessante para composição de elenco e jogos específicos, mas a própria comissão técnica celeste e a diretoria estrelada tiveram longa busca para encontrar alguém para a posição, entendendo que somente o camisa 16 não seria suficiente. Hoje, o reforço José Cifuentes é reserva, sem ainda ter tido boas oportunidades.

Mateus Vital e Arthur Gomes são os outros dois. Nomes altamente improdutivos, que ganham oportunidades constantes desde que chegaram ao clube, mesmo que ninguém entenda bem os motivos. As posições da dupla também entraram na lista de carências da diretoria celeste, o que não parece ser suficiente para que percam a cadeira cativa no time. Isso se manifesta de forma especial quando se trata do camisa 11, que jamais conheceu o banco de reservas celeste, ainda que tenha números pífios pelo Cruzeiro, algo comum em sua carreira. Contratados para a função, Álvaro Barreal segue como reserva e Gabriel Veron ainda não estreou, por causa de uma lesão. Jovens da base como Robert e Vitinho não têm prestígio com Nico Larcamón, que não parece gostar muito de dar oportunidades a jovens jogadores.

Essa situação pode ser analisada de duas formas: ou o Cruzeiro, que prometeu reforçar consideravelmente o elenco — nas palavras do próprio dono do clube, Ronaldo Fenômeno — contratou mal e não conseguiu melhorar um time que lutou para não cair em 2023, ou Nicolás Larcamón tem errado grave e sistematicamente em suas escolhas na Raposa. Não há como fugir de uma dessas opções e, inevitavelmente, o tempo irá dizer qual delas faz mais sentido.

Foto de Maic Costa

Maic Costa

Maic Costa é mineiro, formado em Jornalismo na UFOP, em 2019. Passou por Estado de Minas, Superesportes, Esporte News Mundo, Food Service News e Mais Minas, antes de se tornar setorista do Cruzeiro na Trivela.
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