Brasil

Os grandes erros de Nico Larcamón na derrota do Cruzeiro no Mineiro

O treinador do Cruzeiro, Nicolás Larcamón, foi muito criticado e chamado de “burro” após derrota de virada para o rival Atlético-MG

O Cruzeiro perdeu o Campeonato Mineiro de forma traumática após sofrer virada para o maior rival, Atlético-MG, em um Mineirão lotado de cruzeirenses nesse domingo (7). O clube celeste, que foi para o jogo podendo ser campeão com um empate, até abriu o placar com Mateus Vital, após linda assistência de Matheus Pereira, mas levou a virada com gols de Renzo Saravia, Hulk, de pênalti, e Gustavo Scarpa. Todos os gols do 3 a 1 saíram no segundo tempo.

Ainda antes do apito final, quando o placar mostrava 3 a 1 para o Atlético, o treinador Nicolás Larcamón foi chamado de “burro” por grande parte dos mais de 60 mil torcedores que bateram o recorde de público do novo Mineirão. O argentino foi considerado por torcedores e imprensa o principal responsável pela derrota do Cruzeiro. No fim da partida, após dizer que as responsabilidades eram coletivas, Nico assumiu que era quem tinha a maior parcela de culpa.

— Difícil falar de porcentagem (da culpa de Larcamón), não é matemático. Somos uma equipe. É um dia ruim para falar disso. O torcedor tinha a expectativa de desfrutar essa coroação, mas é um momento de assumir todos juntos. Sinto que construímos um caminho ideal para chegarmos ao jogo de hoje. O momento é de assumir, me responsabilizar. Tenho claro para mim que sou o principal responsável. Agora é momento de sustentar o grupo e a convicção (do trabalho) — falou o treinador do Cruzeiro na coletiva pós-final.

Entre as principais críticas a Larcamón, se sobressai a que questiona a mudança feita após abrir 1 a 0 no placar. O gol saiu aos seis minutos do segundo tempo e aos 16 o treinador tirou o meia Mateus Vital, que sentiu um problema muscular, para colocar o zagueiro João Marcelo. A mudança chamou o Atlético para cima do Cruzeiro num momento onde o time celeste dominava a partida e estava próximo do segundo gol.

Nem as mudanças ultra ofensivas de Gabriel Milito, treinador atleticano, que já havia chamado Gustavo Scarpa, Eduardo Vargas e Igor Gomes antes mesmo de Nico fazer sua mudança, fizeram o treinador celeste desistir de retrair sua equipe. A alteração do treinador do Cruzeiro deu respaldo para o atleticano seguir com sua ideia de jogar seu time para frente, visto que a Raposa ficou apenas com três jogadores ofensivos em campo: Matheus Pereira, Arthur Gomes, que fez partida ruim, e Juan Dinenno, que brigava sozinho com os zagueiros adversários.

Nico Larcamón colocou mais um zagueiro em campo e antes do Atlético fazer suas três alterações, saiu o gol de empate. Milito então promoveu duas mudanças já com o placar igual. Ainda assim, mesmo com o Cruzeiro tendo a vantagem do empate e o alvinegro se colocando no campo de ataque e melhorando consideravelmente na partida, o treinador celeste não mudou o time, que viria a sofrer a virada alguns minutos depois.

Só aí, aos 34 do segundo tempo, três minutos após a virada atleticana, Nico Larcamón decidiu mexer no time. O Cruzeiro melhorou com as entradas de Wesley Gasolina, Álvaro Barreal e José Cifuentes, mas não foi o suficiente para empatar o placar.

Insistência em jogadores e falta de critério nas escolhas

Nico Larcamón também foi muito criticado pela insistência em jogadores que já não rendem há muito tempo e que seguem sendo titulares. Para se ter ideia, oito jogadores que foram titulares na partida desse domingo são remanescentes da equipe que passou muito perto do rebaixamento no Campeonato Brasileiro de 2023.

Entre os mais questionados estão o zagueiro Neris, que coleciona erros capitais em praticamente todas as partidas que disputa, incluindo nos dois jogos da finalíssima do Campeonato Mineiro, mas que segue com prestígio inabalável em relação aos excelentes Zé Ivaldo e João Marcelo, dupla que tem atuado muito bem na temporada. Os critérios de escalação da Raposa parecem variar de acordo com preferências pessoais do treinador.

Além disso, João Marcelo viajou para Quito, no Equador, para enfrentar a Universidad Católica e foi poupado, entrando somente quando Zé Ivaldo sentiu um problema físico. Tudo indicava que ele seria titular contra o Atlético-MG, mas Larcamón mais uma vez escolheu Neris, que em menos de dez minutos de jogo cometeu duas falhas graves, que poderiam ter resultado em gols do adversário.

Assim acontece também com Lucas Silva e Mateus Vital, que até conseguiram atuar bem em certos momentos da temporada — o camisa 7 marcou o gol cruzeirense na final — mas que entregam pouco para o prestígio que possuem. Em quase cinquenta jogos no Cruzeiro, Vital tem dois gols e duas assistências, ínfimo e menos, proporcionalmente, que outros jogadores, como o jovem ponta Robert, de 18 anos, que foi praticamente descartado após alguns jogos não tão bons atuando fora de posição no início da temporada.

O ponta Arthur Gomes também entra no mesmo patamar de críticas de Lucas Silva e Vital pelo pouco que apresenta tanto em números quanto em contribuição com o jogo do Cruzeiro. O camisa 11 entrega pouco, mas tem cadeira cativa no time e a preferência inclusive em relação a reforços “escolhidos a dedo”, como é o caso do argentino Álvaro Barreal.

Por fim, Larcamón insiste em Rafael Elias Papagaio, que empilha atuações muito ruins no Cruzeiro, mas sempre é visto como a principal opção ofensiva no banco de reservas, também entrando em campo na final, em detrimento a Rafa Silva, que já se mostrou mais útil ao elenco celeste.

Base do Cruzeiro ficou escanteada

Outro ponto a ser questionado é a razão pela qual a campeoníssima base do Cruzeiro e finalista da Copinha de 2024 ficou tão escanteada com Nico Larcamón. A última vez que alguém da base do Cruzeiro (fora o já experiente Lucas Silva) entrou em campo foi no dia 2 de março, contra o Uberlândia. Robert saiu do banco na ocasião.

A última vez em que alguém da base foi titular da Raposa foi no dia 18 de fevereiro, quando o ponta João Pedro, de 21, começou jogando contra o Democrata de Governador Valadares.

A desvalorização da excelente base celeste vai contra o discurso da SAF, que sempre colocou a formação e utilização de jovens como um pilar da gestão. Mesmo que se tratem de jogadores jovens, inexperientes, alguns deles tem muito mais apresentado pelo Cruzeiro que nomes experientes que jamais deixam de frequentar as listas de relacionados do clube para os jogos.

Foto de Maic Costa

Maic Costa

Maic Costa é mineiro, formado em Jornalismo na UFOP, em 2019. Passou por Estado de Minas, Superesportes, Esporte News Mundo, Food Service News e Mais Minas, antes de se tornar setorista do Cruzeiro na Trivela.
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