Brasil

Atlético-MG quer ‘contratações qualitativas’, mas, sem investir, não deve conseguir

Atlético pensa, assim como a torcida, em jogadores pontuais e de qualidade, mas só os terá se abrir os cofres

Considerado um dos times mais fortes do país, o Atlético-MG ainda precisa se reforçar. O 11 inicial é, para alguns, o melhor do futebol nacional, mas o elenco ainda carece de peças em algumas posições.

Diante desse cenário, a torcida clama por reforços, e o Galo monitora alguns nomes, mas, ainda com dificuldades financeiras, afirma que não pode fazer grandes investimentos, o que dificulta as contratações.

O elenco do Atlético já demonstrava precisar de alguns reforços pontuais desde o início da temporada. Com os sete desfalques de momento, ficou ainda mais escancarada essa necessidade.

Diante disso, a torcida atleticana cobra por reforços, principalmente um zagueiro, um volante e um atacante, que não necessariamente precisam ser titulares, mas que consigam causar impacto e sejam de confiança quando acionados.

O pensamento do Atlético, pelo menos na questão da qualidade dos jogadores, é igual, como disse o diretor de futebol Victor Bagy em entrevista ao GaloCast, da GaloTV.

O entendimento do clube é que as contratações têm que ser qualitativas. Não adianta encher o elenco de atletas se você terá 12/13 com capacidade de ser titular. É preciso ter um elenco qualificado, que todos tenham capacidade para ser titular — afirmou.

No entanto, o diretor explicou que o Galo, devido a ainda ter problemas financeiros por conta da dívida que supera R$ 1 bilhão, não pode fazer grandes investimentos e vai monitorar o mercado em busca de oportunidades.

— Não faria sentido fazer algum movimento agora, mas claro que estamos monitorando o mercado, atentos a todos os movimentos, dentro do que temos como responsabilidade orçamentária. Não estamos negligenciando a janela, muito pelo contrário, estamos trabalhando junto do CIGA para monitorar os melhores jogadores dentro do perfil de contratação — destacou Victor.

O problema é que jogador bom, da forma que a torcida e o próprio clube querem, geralmente, custa caro. E pior, muitas vezes, outros clubes também os monitoram, inflando o negócio.

Nomes ligados ao Atlético exemplificam a necessidade de gastar

Exemplos que confirmam que jogadores do nível que o Atlético procura são caros e tem muitos concorrentes podem ser vistos nos próprios nomes ligados ao Galo.

O volante Matheus Henrique, do Sassuolo, que o clube consultou, também recebeu sondagens de outros times, inclusive três do Brasil, ele deve sair por um valor entre 6 e 8 milhões de euros (R$ 34 e 45 milhões).

Outro nome, o atacante paraguaio Adam Bareiro, do San Lorenzo, que seria uma contratação com encaixe perfeito no time de Milito, tem cláusula de 3,5 milhões de dólares (R$ 18,3 milhões), e River Plate e Boca Juniors também possuem interesse.

Bareiro chama atenção de River e Boca, além do Galo (SUSA/Icon Sport)

O último exemplo ligado ao Galo é Fausto Vera, volante do Corinthians que custou 8 milhões de dólares (R$ 42,8 milhões à época) e que os paulistas já recusaram 6 milhões de dólares no início do ano.

Em resumo, qualquer jogador de qualidade terá concorrentes e/ou será caro. Se o Atlético não se movimentar e abrir os cofres, não vai conseguir nenhum na atual janela.

Os movimentos do Atlético no ano

Para 2024, o Atlético orçou uma folha salarial na casa de R$ 16 milhões, tendo cerca de R$ 40 milhões para investir em reforços. Além disso, foi deixado bem claro que, para novas contratações, jogadores teriam que sair.

Até o momento, o Atlético contratou quatro jogadores (Scarpa, Palacios, Robert e Bernard), gastando cerca de R$ 42 milhões. Com a chegada de Alonso, que deve custar por volta de R$ 6 milhões, o valor chega a R$ 48 milhões.

  • Scarpa: R$ 27 milhões
  • Palacios: R$ 15 milhões
  • Robert (Athletic): cerca de R$ 700 mil
  • Bernard (Panathinaikos): de graça
  • Junior Alonso (Kranosdar): R$ 6 milhões
  • Total: R$ 48,7 milhões*

Inicialmente, parece que o Atlético gastou mais do que havia previsto (R$ 40 milhões). No entanto, os valores são divididos de acordo com as parcelas nos anos. Scarpa, por exemplo, custou R$ 27 milhões, mas o pagamento será em três anos, ou seja, desconta-se “só” R$ 9 milhões do orçamento.

Vale destacar ainda que, esse orçamento de R$ 40 milhões também engloba comissões de empresários e luvas, por exemplo.

Já as vendas do Galo superam os R$ 30 milhões, com um detalhe importante de ter negociado três jogadores com salários altos, o que também faz diferença. Nas contas salariais há ainda a “troca” de Pedrinho, que está em fim de empréstimo, por Bernard.

  • Jemerson (Grêmio): R$ 3 milhões
  • Edenilson (Grêmio): custo zero
  • Patrick (Santos): R$ 5 milhões (valores a receber parcelado somente em 2025)
  • Pavón (Grêmio): R$ 20 milhões
  • Paulo Henrique (Vasco): R$ 4,9 milhões
  • Pedrinho: fim do empréstimo
  • Total: R$ 33 milhões

Basicamente, o Atlético fez algumas trocas no elenco: Pavón por Palacios, Jemerson por Alonso e Pedrinho por Bernard. Robert foi uma oportunidade de aposta. Enquanto Scarpa uma real contratação de peso. Só que há uma lacuna com as saídas de Edenilson e Patrick, que podiam jogar de volante, e não tiveram reposição.

Foto de Alecsander Heinrick

Alecsander Heinrick

Jornalista pela PUC-MG, passou por Esporte News Mundo e Hoje em Dia, antes de chegar a Trivela. Cobriu Copa do Mundo e está na cobertura do Atlético-MG desde 2020.
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