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Atlético-MG teve superávit e redução de mais de R$ 700 milhões em dívidas em 2023

Balanço financeiro do Atlético foi positivo, com uma importante redução na dívida do clube – que ainda é bem grande

O Conselho Deliberativo do Atlético-MG aprovou, na noite desta segunda-feira (29), o balanço financeiro referente a 2023, que trouxe um superávit de R$ 20 milhões e uma redução da dívida em mais de R$ 700 milhões como pontos principais. No ano passado, o Galo foi oficialmente associação por 10 meses e SAF nos dois últimos.

O Atlético teve um faturamento de R$ 439 milhões em 2023, superando em R$ 18 milhões os valores de 2022. A maioria dessa receita (R$ 162 milhões) foi de direitos de TV e premiações, enquanto outra boa parte (R$ 112 milhões) foi com venda de jogadores. Confira de onde veio cada valor que resultaram nesses mais de R$ 430 milhões:

  • Direitos de TV e premiações: R$ 162 milhões
  • Venda de atletas: R$ 112 milhões
  • Matchday (sócio e dia de jogo): R$ 85 milhões
  • Comerciais: R$ 63 milhões
  • Clubes sociais: R$ 17 milhões

O Atlético destacou no documento que teve um aumento de R$ 24 milhões na receita de venda de jogadores com relação a 2023. Graças a Arena MRV, os números de matchday aumentaram em 25%, mesmo com a nova casa atleticana estando disponível “só” na segunda metade da temporada.

Por outro lado, o Atlético teve R$ 419 milhões em despesas, por isso o superávit de R$ 20 milhões. Desses mais de R$ 400 milhões, R$ 329 milhões foram com gastos diretamente com o time masculino e feminino. É o terceiro ano consecutivo que o Galo consegue um superávit, após ter R$ 123 milhões positivos em 2021 e R$ 18 milhões em 2022.

Redução forte na dívida do Atlético

Um dos grandes destaques do balanço financeiro foi a redução da dívida do Atlético. Ele passou de R$ 1,57 bilhão para R$ 824 milhões, ou seja, uma queda de R$ 747 milhões. Esse valor não engloba os CRI (Certificados de recebíveis imobiliários) da Arena MRV, que somam mais R$ 493 milhões na dívida. Ao todo, então, o Galo ainda tem uma pendência de R$ 1,3 bilhão, como explicou o CEO Bruno Muzzi:

— O principal recado é a redução do endividamento com os aportes feitos na SAF. A gente teve uma redução da dívida de R$ 747 milhões da associação do Atlético. E esse número não tem a Arena devido a uma questão técnica. A Arena fica dentro de um fundo de investimento. Mas se a gente somar a dívida da Arena, chegamos a R$ 1,3 bilhão de dívidas. Saímos de R$ 2,1 bilhão, no momento da transação, para R$ 1,3 bilhão, considerando a dívida da Arena MRV.

Vale lembrar que a SAF do Atlético foi comprada por R$ 913 milhões, sendo que R$ 313 milhões foram abatidos das dívidas que o clube já tinha com os próprios compradores — Rubens Menin e Ricardo e Guimarães, principalmente. Ou seja, tirando o valor obrigatório, que já foi reduzido no ato da compra da SAF, o valor pago em dívidas foi de R$ 434 milhões. Em 2024, o Galo já tem um aporte de R$ 200 milhões confirmado por um dos fundos de investimentos (FIGA) que já tinha uma porcentagem do clube.

Redução da dívida com bancos e nos juros

Um dos pontos mais importantes, que os compradores da SAF do Atlético, inclusive, sempre falaram antes mesmo de comprar o clube, é a redução das dívidas e dos juros com bancos. Nesse caso, o Galo reduziu em R$ 378 milhões suas dívidas, saindo de R$ 843 milhões devidos para R$ 465 milhões.

Além disso, o Alvinegro conseguiu reduzir significativamente o valor da dívida a curto prazo, que é a que “sufoca” os clubes, passando de R$ 575 milhões para R$ 145 milhões. As dívidas de longo prazo, no entanto, aumentaram, já que algumas foram negociadas justamente para o tempo de pagamento aumentar. No fim de 2023, elas estavam na casa de R$ 320 milhões.

Ainda segundo o relatório do próprio Atlético, um passo importante nessas mudanças foi a diminuição dos juros, que sempre foram citadas como o que mais sufocava o clube. Elas saíram de CDI+8% antes da SAF para CDI+4% depois da SAF. O CDI (Certificado de Depósito Interbancário) são aplicações com prazos de 1 dia útil, com objetivo de melhorar a liquidez de uma determinada instituição financeira.

Foto de Alecsander Heinrick

Alecsander HeinrickSetorista

Jornalista pela PUC-MG, passou por Esporte News Mundo e Hoje em Dia, antes de chegar a Trivela. Cobriu Copa do Mundo e está na cobertura do Atlético-MG desde 2020.

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