Azarões Eternos

A Anapolina de 1982: quando o brilho goiano no Brasileirão veio de fora da capital

A Anapolina derrotou diversos times de peso no Campeonato Brasileiro e protagonizou a melhor campanha de Goiás até então

Por muitas décadas em seus quase 80 anos de história, o futebol goiano vivenciou o predomínio acentuado dos clubes da capital, tanto no âmbito regional quanto no nacional. Mas por um breve momento, houve um time de fora de Goiânia que deslocou as atenções para si e causou sensação no país no início dos anos 1980. Vinda de uma ótima campanha no estadual e embalada por sua torcida local e pelos gols de seu centroavante Sávio, a Anapolina brilhou no Brasileirão de 1982: terminou a primeira fase na liderança de seu grupo, derrotou Fluminense, São Paulo e Cruzeiro (em casa e no Mineirão) e alcançou a fase de mata-mata da competição.

“A RUBRA É XATA!”

Importante centro industrial distante cerca de 50 quilômetros de Goiânia, a cidade de Anápolis viveu também seus dias de força no futebol do estado na metade do século XX, em especial nos primeiros anos do profissionalismo, implementado em 1963. Por alguns anos, a rivalidade local entre o tricolor Anápolis e o alvinegro Ipiranga foi transportada para as disputas estaduais, nas quais o primeiro se deu melhor, tornando-se o primeiro clube de fora da capital a conquistar o título goiano, em 1965, à frente do Vila Nova.

Para além dos dois grandes rivais, havia ainda uma terceira agremiação da cidade que disputava o campeonato estadual: a Associação Atlética Anapolina, de torcida pequena e elitizada, e que sempre brigava na parte de baixo da tabela, ainda que sempre com muita bravura: sua luta até o fim mesmo nas frequentes derrotas e o hábito de complicar a vida do Anápolis e do Ipiranga nos encarniçados clássicos citadinos renderam à equipe rubra o apelido de “Xata” (assim mesmo, com X), adotado por seus torcedores.

O clube entrou para o anedotário do futebol goiano quando, em 1966, um torcedor da Anapolina viajou para assistir aos jogos do Brasil na Copa do Mundo da Inglaterra munido de uma bandeira com o escudo do clube e a inscrição: “A Rubra é Xata!”. Dois anos depois, uma mostra do brio da equipe veio ao arrancar um 0 a 0 diante do Vila Nova em Goiânia após ter tido dois jogadores expulsos no começo do segundo tempo, num resultado que foi fundamental para livrá-la do rebaixamento no campeonato estadual.

O auge dos clubes da cidade no certame regional coincidiu com a inauguração do estádio Jonas Duarte, então o mais moderno de Goiás, em abril de 1965. Era um momento em que os recordes de renda do campeonato vinham todos de Anápolis. Na segunda metade da década, porém, os clubes entraram numa disputa com a Federação Goiana e chegaram até a ameaçar passarem a disputar o torneio brasiliense. Até que em 1970, em meio a uma crise financeira, os três clubes foram forçados pela prefeitura a se fundir.

Da fusão nasceu o Grêmio Esportivo Anapolino, que se revelaria um grande fiasco. O projeto de unir forças num clube todo novo, em que nem as cores (azul e branco) remetiam aos antigos rivais, nunca foi bem aceito pelo público, que não conseguia deixar de lado a velha rivalidade, e, pelo mesmo motivo, não trouxe a pacificação interna, com frequentes brigas entre dirigentes oriundos dos rivais. O impopular e malfadado Grêmio Anapolino só durou duas temporadas: em 1972, a fusão já havia sido desfeita.

Cada um voltou então a seguir seu caminho. O Anápolis se manteve de pé, mas já sem a velha força. O Ipiranga, por sua vez, afastou-se após participar do certame de 1972 e chegou a ensaiar uma volta ao disputar o campeonato de 1978, mas logo abandou de vez o futebol, vivendo como clube social. Quem prevaleceu no médio prazo, porém, foi a antiga terceira força: após ter se licenciado por três anos e retornado só em 1975, a Anapolina iniciaria o melhor período de sua história a partir do fim daquela década.

Com a reforma e ampliação do estádio Jonas Duarte, que agora passava a comportar até 20 mil torcedores, o clube estreou no Brasileirão sendo incluído na edição de 1978, igualando o feito do Anápolis, que havia sido a primeira equipe da cidade a disputar uma competição nacional ao participar discretamente da Taça Brasil de 1966 (eliminado na segunda fase pelo Americano de Campos). A Anapolina terminou apenas na 65ª posição entre 74 clubes, mas em seu alçapão empatou em 0 a 0 com Corinthians e Santos.

As boas campanhas no certame estadual seguiram com um quarto lugar em 1978 e um quinto no ano seguinte. Já no inchado Brasileirão de 1979, a campanha foi melhor que a do ano anterior: na primeira fase, a equipe bateu Sergipe, Avaí, Joinville, Goiânia e goleou o Confiança por 4 a 0, avançando para a etapa seguinte. Nela, o grupo era mais forte e o rendimento caiu. Mas ficou o orgulho de ter arrancado um 0 a 0 dentro do Beira Rio contra um Internacional que conquistaria invicto aquela edição do campeonato.

A reformulação do Brasileirão feita pela recém-criada CBF para 1980 reduziu para dois o número de vagas do futebol goiano na elite e colocou a Anapolina na categoria de acesso, a Taça de Prata. Primeira colocada em seu grupo na primeira fase, a Rubra – outro apelido do clube – avançou para disputar a promoção à Taça de Ouro contra o Sport. Mas após um empate em 1 a 1 no Jonas Duarte, o Leão venceu por 3 a 0 no Recife e subiram para o torneio principal. No ano seguinte, porém, os goianos chegaram mais longe.

Novamente disputando a Taça de Prata em 1981, a Anapolina ficou no Grupo C da primeira fase, que reunia oito equipes, entre elas Bahia, Atlético Goianiense e o rival local Anápolis. Na última rodada, o clube garantiu a passagem à etapa seguinte ao golear o Leônico por 4 a 1 e ainda ver o Anápolis – que também brigava pela vaga – ser humilhado com uma derrota por 5 a 0 em casa para o Tricolor baiano. Na segunda fase, o time perdeu o acesso à Taça de Ouro para o Náutico, mas avançou à semifinal da Taça de Prata.

Nesta fase, a Rubra despachou o Remo com duas vitórias, 3 a 2 em Belém e 4 a 3 no Jonas Duarte, indo à decisão contra o forte time do Guarani de Careca e Jorge Mendonça. Nela, o Bugre acabou prevalecendo e levando a taça. Havia, porém, uma boa base formada pelo técnico Marcius Fleury e que faria campanha brilhante no estadual, no segundo semestre, largando com um empate e nove vitórias consecutivas na fase de classificação do primeiro turno. O time venceria o returno e seguiria para a decisão contra o Goiás.

Com 11 pontos somados a mais que os esmeraldinos ao longo do campeonato, a Anapolina, dona da melhor campanha, tinha vantagem na decisão em três jogos. E os três terminaram empatados: o primeiro (em 29 de novembro) por 2 a 2 e os dois seguintes (em 2 e 6 de dezembro) por 1 a 1 – com direito a um golaço de falta marcado pelo centroavante Sávio para a Rubra no terceiro. Os resultados do campo eram o suficiente para dar o título à Anapolina, cuja torcida comemorou a conquista inédita pela melhor equipe do certame.

A alegria, porém, durou apenas um dia: acatando um recurso do Goiás, que pedia os pontos do segundo jogo por escalação irregular do meia rubro Osmar Lima, o tribunal da federação decretou os esmeraldinos vencedores daquela partida e, por conseguinte, do título. Por uma desatenção dos cartolas da Anapolina, Osmar Lima havia entrado em campo sem contrato no confronto do dia 2 de dezembro, uma vez que seu compromisso com o clube – ao contrário do restante do elenco – havia se encerrado em 30 de novembro.

Durante aquela campanha, aliás, a Anapolina já havia perdido para o Goiás seu treinador Marcius Fleury, que tomou o rumo da capital em agosto. Para seu lugar veio o mineiro Joaquim Cristiano de Araújo Neto, o Bugue, de 38 anos de idade e longa carreira como jogador e técnico no futebol brasiliense – havia levado o Brasília ao título invicto no Distrito Federal no ano anterior. Bugue manteve o bom padrão de jogo e os ótimos resultados de seu antecessor e, mesmo sem o caneco, seguiu no comando para a temporada 1982.

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O TIME-BASE

O vice-campeonato estadual também foi o suficiente para colocar a Anapolina na Taça de Ouro, após dois anos disputando a de Prata. E assim como o treinador, a base do elenco também foi preservada para a disputa nacional. As únicas baixas no time titular foram os ponteiros Jorge Cruz, contratado pelo Atlético Paranaense, e Rodrigues, que retornou ao Palmeiras com o fim de seu empréstimo. Em contrapartida, quatro reforços foram acrescentados ao plantel, mas apenas dois deles alcançariam o status de titulares.

Um deles era o experiente goleiro Déo, baiano que fizera carreira no futebol do Distrito Federal. Após defender o Brasília por cinco anos, foi trazido por empréstimo pela Anapolina aproveitando o fato de seu ex-clube ter ficado de fora da Taça de Ouro (o Taguatinga, campeão estadual, seria o representante brasiliense). O novo camisa 1 chegava para preencher uma lacuna na posição que vinha desde a saída do antigo titular Dilon, em meados do ano anterior, e atravessou todo o estadual sem nenhum nome se firmar.

A linha de quatro defensores, por sua vez, era a mesma do Campeonato Goiano. O ofensivo Vinícius, contratado pouco antes do estadual, era o lateral-direito. A dupla de zaga era paulista: Sídnei, no clube desde 1979, atuava ao lado de Paulo Néli, revelado na base do Palmeiras e que rodou por vários clubes pequenos antes de chegar à Anapolina em 1980. Já na lateral-esquerda jogava Nílton, outro nome experiente, no clube desde 1978. O versátil Wilson Santos e o beque Ribas também apareciam com frequência.

O meio-campo era o ponto alto do time e começava com o volante Paulo Sérgio, carioca vindo do futebol catarinense em 1980 e que foi eleito o melhor jogador do Campeonato Goiano no ano seguinte. Cobria a defesa e iniciava os ataques. Mais adiante atuava a dupla de armadores: Nei, ídolo local, exímio lançador, no clube desde 1979 e que retornava à melhor forma após ficar de fora da reta final do Goiano; e o mineiro Mateus, criativo e com presença de área, trazido durante o estadual para suprir a ausência de Nei.

A escalação de Nei e Mateus juntos relegou ao banco o nome mais experiente do elenco: o meia Osmar Lima, pivô do “tapetão” que levou o clube a perder o título. Contando 33 anos de idade durante a campanha, o meia havia jogado a maior parte da carreira em clubes da região sul do país, chegando a defender o Grêmio em 1975. Fora dela, tivera breves passagens pelo futebol paulista (Juventus), carioca (Bangu) e mato-grossense (Operário de Várzea Grande), de onde veio para a Anapolina, trazido para o estadual de 1981.

Setor mais alterado na virada do ano, o ataque contava com o outro nome que se firmaria entre os titulares entre os contratados para a Taça de Ouro: o ponta-direita Roldão, mato-grossense revelado pelo Gama (então ainda o dono de seu passe), e que havia defendido por empréstimo o Guarani em 1980 e o Atlético Paranaense em 1981, no qual não teve muito espaço após se desentender com o técnico Borba Filho. Ponteiro veloz, chegava para substituir o ídolo Jorge Cruz, curiosamente vendido ao mesmo Atlético.

No comando do ataque jogava o grande destaque da equipe naquela campanha: o centroavante catarinense Sávio, artilheiro de boa técnica, chute poderoso, força na arrancada e oportunismo. Sua carreira começou em seu estado, defendendo o Rio do Sul (de sua cidade natal), o Joinville e o Avaí, antes de ir tentar a sorte no Juventus paulistano. Lá, porém, amargava a reserva quando, em meados de 1981, a Anapolina – que negociara o meia Mário com o clube da Mooca – bateu à porta da Rua Javari em busca de um atacante.

Em Goiás, seu desempenho impressionou logo de saída: mesmo chegando em meio à disputa do estadual de 1981, terminou como vice-artilheiro da competição com 24 gols, três a menos que o goleador Zé Amaro, do rival Anápolis. Sua raça em campo, aliada às outras características, fez com que rapidamente conquistasse a idolatria da torcida rubra, que o apelidou “Guerreiro” enquanto aplaudia suas muitas comemorações de gol junto à linha lateral – tradicionalmente com um soco no ar seguido de um rodopio.

Por fim, a baixa na ponta-esquerda, com a saída de Rodrigues, foi solucionada dentro do elenco: o antigo reserva Edu assumiu a titularidade e deu conta do recado, embora outros nomes tenham também passado pela posição durante a campanha nacional. Assim, confiando em seu esquema 4-3-3 com um apoio forte pelos lados (especialmente o direito), o talento de seus meias, o poder de fogo de seu artilheiro e o alçapão que era o estádio Jonas Duarte, a Anapolina entrava na Taça de Ouro com chance de fazer um bom papel.

OS PRIMEIROS ADVERSÁRIOS

Sobretudo porque, na primeira fase, sua chave era extremamente nivelada, sem ter nenhum dos gigantes do futebol nacional. Não que significasse vida fácil, pelo contrário: no Grupo H estavam dois campeões estaduais – o Londrina e o Joinville – e duas equipes que haviam brilhado em seus certames regionais – o XV de Jaú e o Internacional de Santa Maria. Os cinco brigavam pelas três vagas diretas na segunda fase, com o quarto colocado disputando a repescagem. Já o quinto era eliminado, descendo à reta final da Taça de Prata.

Campeão da Taça de Prata em 1980 e paranaense em 1981, o Londrina despontava como maior força do grupo ao manter a base, que incluía nomes campeões brasileiros como o goleiro Neneca (pelo Guarani em 1978) e o ponta-esquerda Carlos Henrique (pelo Flamengo em 1980). Dirigido pelo técnico Urubatão, o time era bancado pelo bicheiro local Jaci Scaff. O Joinville, por seu lado, havia estendido sua hegemonia no futebol catarinense com a conquista do tetracampeonato estadual, mas enfrentava problemas financeiros.

Com seu elenco jovem comandado pelo experiente revelador de talentos Cilinho, o XV de Jaú havia sido uma das sensações do Paulistão de 1981: a boa campanha na fase de classificação do segundo turno (quinto colocado, à frente de Santos, Palmeiras e Corinthians) levou a equipe a disputar pela segunda vez a elite nacional, após ter participado do inchado Brasileirão de 1979. Apesar de ter perdido alguns de seus destaques no estadual, o clube não se abalava e mantinha a aposta em promover novos valores.

O título nacional do Grêmio em 1981 abriu mais uma vaga (a terceira) para o Rio Grande do Sul na Taça de Ouro do ano seguinte. E nela entrou o Internacional de Santa Maria, que após início discreto no Gauchão de 1981, transformou-se na grande zebra do octogonal decisivo em turno e returno: não perdeu nenhum de seus quatro confrontos contra a dupla Gre-Nal, em casa e em Porto Alegre, e brigou pela taça até a penúltima rodada. Acabou em terceiro, a dois pontos dos campeões colorados e um dos tricolores.

O Inter de Santa Maria folgou na rodada de abertura, no dia 17 de janeiro, em que o Londrina fez 3 a 0 no Joinville em casa e a Anapolina recebeu o XV de Jaú no Jonas Duarte. A Rubra largou em vantagem pouco antes do intervalo: num contra-ataque, Nei fez ótimo lançamento para Sávio na esquerda do ataque, e o centroavante bateu cruzado encobrindo o goleiro Carlos, que já deixava a área. Porém, a equipe não conseguiria segurar a vitória: aos 38 minutos da etapa final, numa saída errada da defesa, Valtinho decretou o 1 a 1.

Na segunda rodada seria a vez de a Anapolina folgar, e os resultados dos confrontos deixavam a Xata na quarta colocação, precisando de uma vitória para se reabilitar. Contra o Londrina de novo no Jonas Duarte a recuperação viria com atuação espetacular de Sávio, que começava a exibir na elite nacional sua fama de artilheiro. A vitória por 3 a 1 começou a se desenhar aos oito minutos de jogo, quando Mateus encontrou o artilheiro entrando pelo meio da zaga paranaense, e ele emendou um chute forte de pé direito.

O Londrina ameaçou reagir ainda no primeiro tempo e chegou a ter um gol anulado por toque de mão. Mas na etapa final, Sávio garantiu a vitória à Anapolina. Aos 23 minutos, ele recebeu de Nei no lado esquerdo do ataque e disparou uma bomba de fora da área, sem chances para Neneca. E três minutos depois, ele concluiu um cruzamento de Nilton da esquerda com uma cabeçada colocada para marcar o terceiro. No fim, Paulinho diminuiu para os londrinenses de pênalti, mas sem ofuscar a bela e fundamental vitória da Rubra.

Na quarta rodada, foi a vez de a defesa da Anapolina se destacar no empate em 0 a 0 com o Inter de Santa Maria na Baixada Melancólica. Naquele momento, o grupo havia embolado de vez, num perde e ganha geral: os gaúchos lideravam com cinco pontos, seguidos pela Xata com quatro. O XV de Jaú, única equipe que ainda não folgara, somava três pontos, enquanto Londrina e Joinville tinham só dois. Na última rodada do primeiro turno, marcada para o dia 31 de janeiro, a Anapolina enfrentaria os catarinenses fora de casa.

Em Joinville, Sávio marcou mais uma vez – seu quinto em quatro jogos no Brasileiro – e garantiu a vitória da Rubra por 1 a 0 sobre o time da casa. O resultado catapultou os goianos à liderança do grupo graças à derrota do Inter de Santa Maria para o Londrina por 3 a 0 no Estádio do Café. O norte do Paraná era, aliás, a próxima parada da Anapolina. Por lá veio, porém, o primeiro revés: num jogo parelho e disputado sob forte chuva, a Xata, desfalcada de Vinícius e Sidnei, perdeu por 1 a 0, gol de Nivaldo no segundo tempo. 

A reabilitação veio mais uma vez comandada por Sávio: com outra tripleta, o atacante garantiu a vitória por 3 a 1 diante do Inter de Santa Maria no Jonas Duarte. No primeiro gol, Roldão cruzou da direita, o Guerreiro finalizou duas vezes para mandar às redes. Ainda na etapa inicial veio o segundo, em lance de oportunismo: Nei chutou de virada, o goleiro Vlamir deu rebote e o camisa 9 conferiu. No segundo tempo, os gaúchos diminuíram com Toninho. Mas no minuto final, Sávio ganhou do zagueiro na corrida e fez o terceiro.

Em grande fase, o atacante catarinense chegava a oito gols em seis jogos – havia marcado todos os tentos da Anapolina, líder do grupo, até aquele momento no Brasileiro. Na rodada seguinte, ele contribuiria com mais dois gols para a vitória por 4 a 2 sobre o Joinville no Jonas Duarte, que confirmou a classificação antecipada da Xata para a segunda fase. Mateus e Nei marcaram os dois outros tentos numa partida que foi bem mais complicada do que o placar indica: o adversário por duas vezes chegou a buscar a igualdade.

No último jogo da primeira fase, contra o XV de Jaú no interior paulista, a Anapolina chegou a abrir três gols de vantagem no primeiro tempo: Sávio escorou de cabeça um cruzamento de Edu da esquerda e abriu o placar. Mateus, batendo de fora da área, marcou o segundo. E Vinícius, recebendo passe de Nei, fez o terceiro com um chutaço. Na etapa final, a Rubra ficou com nove em campo ao perder Sávio e o zagueiro Paulo Néli expulsos e sofreu a reação dos donos da casa, mas conseguiu segurar a vitória por 3 a 2.

Além de compensar o único tropeço em casa naquela campanha, na estreia, a vitória sobre o Galo da Comarca deixou a Anapolina tranquila na primeira colocação do Grupo H, somando 12 pontos, quatro à frente de XV de Jaú (que escapou de ir à repescagem derrotando o Londrina no Estádio do Café) e Inter de Santa Maria (que empatou em casa com o lanterna Joinville num movimentado 3 a 3), os outros dois a conquistarem a vaga direta. Na repescagem, o Londrina eliminou o Goiás, quarto colocado do vizinho Grupo G.

MEDINDO FORÇAS COM OS GRANDES

Na segunda fase, em que os 24 classificados diretos da fase anterior mais os quatro repescados e os quatro oriundos da Taça de Prata se dividiam em oito grupos de quatro equipes, a Anapolina enfim encontrou pelo caminho dois dos chamados gigantes do futebol brasileiro: o Fluminense – segundo colocado do Grupo D – e o Cruzeiro – quarto colocado no Grupo E, superou a Desportiva na repescagem. Além deles, aquela nova chave, o Grupo P, também incluía o maranhense Moto Club, terceiro colocado no Grupo A.

Dirigido por Dino Sani e girando em torno de um nome de seleção, o zagueiro e capitão Edinho, o Fluminense vivia fase de transição e havia feito campanha oscilante na primeira fase. O elenco mesclava remanescentes do título carioca de 1980 – o goleiro Paulo Goulart, o zagueiro Tadeu, o versátil Rubens Galaxe, os meias Cristóvão e Mário e o ponta Robertinho – com futuros campeões brasileiros em 1984 – o goleiro Paulo Vitor, o lateral Aldo e o volante Jandir. Presente em ambas as gerações, o armador Delei fazia a ponte entre elas.

Somando-se a esses nomes, havia outros bons valores: o lateral Nei Dias (trazido por Dino de sua passagem pelo Flamengo no ano anterior), o ponta-de-lança Baiano (futuro goleador do Náutico), o armador Ângelo (revelado pelo Atlético-MG), o ponteiro Gilcimar (criado no próprio clube, mas que retornava após empréstimos ao Bahia e ao Vasco) e o atacante Amauri (destaque do Volta Redonda que passou por São Januário antes de chegar a Laranjeiras). Era, entretanto, uma equipe ainda em fase de ajustes durante a competição.

Apesar de contar com Nelinho e Joãozinho de remanescentes do grande esquadrão da década anterior, o Cruzeiro vivia então – como durante toda a primeira metade dos anos 1980 – uma das piores fases de sua história. Na etapa anterior, numa chave com Bangu, Bahia, Operário-MS e Mixto, o time havia perdido cinco de seus primeiros seis jogos. Duas vitórias na reta final evitaram a humilhante eliminação precoce e colocaram a Raposa na repescagem, onde ela despachou a Desportiva no Mineirão com um apertado 1 a 0.

A equipe dirigida pelo ex-zagueiro tricampeão mundial Brito agora queria embalar, deixando para trás os maus resultados da fase anterior. E para isso contava, além de seus velhos ídolos, com a liderança do zagueiro Abel, a velocidade e a habilidade do ponteiro Carlinhos “Sabiá” e o oportunismo do centroavante Edmar. Já o Moto Club, que se classificara vencendo o Santos em São Luís e terminando à frente de Paysandu e Nacional de Manaus no grupo, não tinha grandes pretensões, mas podia atrapalhar os demais.

Como fez diante da própria Anapolina na rodada de abertura do grupo, em 28 de fevereiro, logo após a pausa para o Carnaval. Desfalcada de Sávio e Paulo Néli, que cumpriam suspensão após a expulsão contra o XV de Jaú, a Rubra foi envolvida pelo time maranhense e saiu derrotada por 1 a 0 do estádio Nhozinho Santos, gol do ponta-de-lança Raimundinho. Precisando se reabilitar da má estreia, a Xata enfrentaria Fluminense e Cruzeiro em casa nos dois jogos seguintes, em que dois bons resultados recolocariam o time na briga.

O Tricolor, que vinha de um bom empate em 2 a 2 com o Cruzeiro no Mineirão, seria o primeiro a visitar o Jonas Duarte e enfrentou a intensa pressão rubra desde a saída, que acabou levando ao primeiro gol aos 15 minutos: Mateus recebeu de Roldão e chutou. A bola espirrou na defesa tricolor e sobrou para Sávio finalizar de pé esquerdo. E aos 26, o segundo: Sávio sofreu falta do zagueiro Flávio e mandou uma bomba da intermediária na cobrança. Paulo Goulart não segurou e Mateus apareceu rápido para mandar às redes.

Na etapa final, o Fluminense conseguiu diminuir aos 25, quando Jandir lançou para a área, Edinho se livrou de Wilson Santos e rolou para Amauri empurrar para o gol vazio. Mas a Xata confirmaria a vitória marcando o terceiro num contra-ataque aos 41, com Nei entregando a Sávio pelo lado esquerdo da área para outra bomba do goleador rubro. A grande atuação nos 3 a 1 assegurava que seria difícil tirar pontos da Anapolina no Jonas Duarte, como o Cruzeiro também viria a saber três dias depois, na sua vez de jogar no estádio.

O gol da vitória de 1 a 0 da Rubra saiu no início da etapa final e na raça: após um bate e rebate, Sávio chutou forte de perna esquerda da entrada da área, sem chances para o goleiro Vitor. Mas o placar não retratou o amplo domínio dos locais, que poderiam ter vencido com mais folga se o árbitro Aírton Bernardoni não tivesse ignorado um pênalti do arqueiro cruzeirense no goleador da Anapolina e invalidado um gol da Xata, anotado por Nei, ao não aplicar a lei da vantagem no prosseguimento de um lance faltoso.

Os dois triunfos consecutivos em casa alçaram a Anapolina à liderança do grupo somando quatro pontos contra três de Cruzeiro e Fluminense e dois do Moto Club. A situação favorável, porém, virou rapidamente, após a desastrosa atuação na visita ao Tricolor no Maracanã. Com o zagueiro Paulo Néli expulso logo aos nove minutos por jogo violento, a equipe foi facilmente envolvida pelos cariocas, que dispararam uma goleada de 6 a 1 – o gol da Rubra só veio no fim, com Mateus pegando o rebote de um chute de Sávio.

A derrota acachapante levou à saída do técnico Bugue, que se demitiu do cargo alegando motivos particulares, e afundou o moral da equipe, a qual passou a conviver com comentários de que era inofensiva fora de casa. Para piorar, a Anapolina enfrentava a perspectiva de ser eliminada antes mesmo da última rodada em caso de derrota na próxima partida, contra o Cruzeiro no Mineirão. Com o meia Osmar Lima acumulando o cargo de treinador interino, o time recebeu uma injeção de brio numa hora crucial da campanha.

A Anapolina marcou logo na primeira chance que teve naquela tarde de 20 de março no Mineirão. O lateral Vinícius recebeu na ponta direita e cruzou rasteiro da linha de fundo. Roldão fez o corta-luz e o ponta-esquerda Edu apareceu de surpresa pelo meio para mandar às redes. O restante da partida serviu para consagrar o goleiro Déo, soberano nas bolas cruzadas para a área pelo time mineiro e tranquilo nas perigosas cobranças de falta de Nelinho. A redentora vitória por 1 a 0 desfez estigmas e deixou a Rubra quase garantida.

Na última rodada da segunda fase, o cenário era bastante favorável: a Xata receberia o eliminado Moto Club e precisava de uma vitória simples para confirmar a classificação às oitavas de final. Já no caso de empate, passaria a torcer para o Cruzeiro não derrotar o Fluminense no Maracanã. Mas não foi preciso nem secar os mineiros: embora tenha perdido muitas chances e saído atrás no placar no último minuto do primeiro tempo, com Gil Lima marcando o gol dos maranhenses, a Anapolina deu a volta por cima na etapa final.

A virada começou a se concretizar aos 22 minutos, quando Mateus recebeu de Roldão e passou a Nei, que entrou pelo meio da defesa do Moto e bateu com estilo, colocado, no ângulo do goleiro Moacir, para empatar o placar. Aos 37, Mateus tabelou com Nei e marcou para colocar a Rubra à frente no jogo. No último minuto, o lateral Nilton enfiou para Nei no lado esquerdo da área. O chute do meia acertou a trave e, no rebote, o ponteiro reserva Veiga conferiu para fechar a vitória em 3 a 1 e selar a passagem às oitavas de final.

O adversário na primeira fase de mata-mata daquele Brasileiro era ninguém menos que o São Paulo, com sua decantada Máquina, bicampeã paulista e vice do Brasil no ano anterior. No time estelar dirigido por Chico Formiga figuravam nada menos que sete jogadores que regularmente eram ou já tinham sido convocados pela seleção brasileira sob o comando de Telê Santana: o goleiro Waldir Peres, o lateral-direito Getúlio, o zagueiro Oscar, o ponta-de-lança Renato e o trio de ataque com Paulo César, Serginho e Mário Sérgio.

Como se não bastasse, ainda havia a experiência do zagueiro uruguaio Darío Pereyra, o talento do veterano lateral-esquerdo Marinho Chagas e os chutes poderosos do meia Éverton. A baixa – por todo aquele campeonato – era o ponta-esquerda Zé Sérgio, convalescendo de uma cirurgia no joelho. O setor ofensivo, aliás, era o ponto forte: os tricolores já haviam balançado as redes 38 vezes nos seus 14 jogos anteriores e tinham em Serginho o líder dos artilheiros até ali na competição, com 17 tentos, três a mais que Sávio.

Para a partida de ida, no Jonas Duarte, porém, o time paulista teria desfalques nas duas pontas, sem poder contar com Paulo César e Mário Sérgio, substituídos pelos novatos Ricardo e Jaiminho. Na Anapolina, a dúvida era se o zagueiro Paulo Néli, que havia cumprido suspensão após ter sido expulso na derrota para o Fluminense no Maracanã, retornaria ao time, já que seu substituto Ribas fizera boas partidas na ausência do titular. Com o antigo reserva confirmado, a Rubra levaria a campo a mesma equipe dos dois jogos anteriores.

A equipe goiana tinha, porém, uma novidade no banco: o novo técnico Paulo Henrique, ex-lateral do Flamengo nos anos 1960 (e da seleção brasileira na Copa do Mundo de 1966) que fizera longa carreira como treinador trabalhando principalmente no interior do estado do Rio de Janeiro. Ele estrearia com o pé direito no comando do time na partida contra o São Paulo. Jogando seu já conhecido futebol veloz e inteligente nos contra-ataques quando atuava no Jonas Duarte, a Rubra arrancou uma vitória que entrou para a história.

Controlando o meio-campo, isolando o ataque são-paulino e aproveitando as brechas deixadas pelos defensores adversários, a Rubra chegou ao primeiro gol aos 15 minutos, quando Nei passou a Mateus pelo lado direito da área, e o meia bateu rasteiro, cruzado, vencendo Waldir Peres. Aos 27 veio o segundo: Nei recebeu uma bola recuperada na saída do São Paulo e abriu na ponta para o lateral Vinícius, que cruzou alto. O artilheiro Sávio alçou voo e escorou de cabeça para ampliar e levar ao delírio os 17 mil torcedores da casa.

O São Paulo diminuiu no fim do primeiro tempo quando Marinho Chagas fez o lançamento por elevação por trás da defesa rubra e a bola chegou na esquerda a Jaiminho, que bateu cruzado, rasteiro, recolocando seu time no jogo. E os tricolores voltaram pressionando após o intervalo. Mas de novo cederam espaços, que a Anapolina aproveitou: aos 18 minutos, Nei lançou Vinícius no vazio do lado esquerdo da defesa são-paulina, e o lateral cruzou para Sávio, que se antecipou a Oscar e cabeceou para fechar o placar em 3 a 1.

A Rubra levaria ao Morumbi a vantagem de poder perder até por um gol de diferença. Porém, de última hora, sofreria duas baixas inesperadas e importantes: as do goleiro Déo e do volante Paulo Sérgio, esteio do meio-campo da equipe. Diante de um São Paulo mordido e disposto a provar sua qualidade, a Anapolina foi presa fácil no jogo de volta: o Tricolor abriu três gols de vantagem ainda na etapa inicial (dois de Serginho e um de Darío Pereyra) e fechou a goleada de 4 a 0 no segundo tempo com mais um do centroavante.

Mesmo com o desfecho um tanto amargo, aquela caminhada já havia sido excelente sob qualquer aspecto: em seus 16 jogos, a Anapolina vencera dez, empatara dois e perdera quatro, fazendo a melhor campanha da história do futebol goiano no torneio até ali, em termos de aproveitamento (68,75% dos pontos disputados). O destaque ficou para o alçapão Jonas Duarte, onde a Xata não perdeu nenhuma partida: foram sete vitórias e um único empate, na estreia contra o XV de Jaú. Nesses oito jogos, o time fez 21 gols e sofreu oito.

Entre os 44 participantes, a Anapolina ficou em 11º, só atrás dos cariocas Flamengo, Fluminense, Bangu e Vasco, dos paulistas Guarani, Corinthians, São Paulo e Santos, além de Grêmio e Sport. E teve ainda a honra de ver Sávio entre os artilheiros do certame com 16 gols marcados, só atrás de Zico (Flamengo), Serginho (São Paulo) e Careca (Guarani) e à frente de nomes como o bugrino Jorge Mendonça, a dupla vascaína Roberto Dinamite e Cláudio Adão, o gremista Baltazar, o são-paulino Renato e a revelação corintiana Casagrande.

O desempenho tornou o atacante um nome disputado no mercado. Recebeu ofertas do Cruzeiro e do Internacional, foi sondado no Fluminense e no America do Rio e chegou a viajar à Itália para acertar contrato com o Bologna, mas a negociação não foi à frente devido ao descenso do clube à Serie B do Calcio. Acabou vendido ao São Paulo para se tornar a sombra de Serginho. Mas ainda antes do fim de 1982, seria emprestado ao Cruzeiro, onde também não se firmaria. E voltaria a rodar, como fizera antes de chegar à Anapolina.

O DECLÍNIO RUBRO

Sem seu goleador, a Anapolina voltou a fazer campanha apenas mediana no estadual de 1982, terminando em sexto, insuficiente para garantir vaga até na Taça de Prata do ano seguinte. Sem calendário para o primeiro semestre de 1983, o elenco rubro debandou, emprestado ou vendido. Mas no Goiano daquele ano, aos trancos e barrancos, a Xata acabou chegando nas finais dos dois turnos – ambos perdidos para o Goiás, um na prorrogação e o outro nos pênaltis – e ficou com o vice, que a levou de volta à elite nacional em 1984.

Porém a campanha, que seria a derradeira da Rubra na máxima categoria nacional, esteve longe de repetir o brilho de dois anos antes. Incluída num grupo com Corinthians, Internacional, Joinville e Operário de Várzea Grande-MT, a Anapolina terminou na lanterna da chave, com só uma vitória, diante dos catarinenses em casa. Se preservou sua invencibilidade como mandante (apesar de forçada a enfrentar paulistas e gaúchos no Serra Dourada), como visitante somou só um ponto e foi goleada por Inter (5 a 0) e Operário (6 a 1).

Além disso, teve de ver o rival Goiás chegar longe na competição pelo segundo ano seguido – em 1983, já havia alcançado as quartas de final, superando a campanha da Xata no ano anterior. Em 1984, os esmeraldinos foram até à terceira fase (equivalente às oitavas, mas com grupos em vez de mata-mata), eliminando o São Paulo e aplicando um 3 a 0 sobre o futuro campeão Fluminense no Serra Dourada. Entre os destaques daquele time alviverde, dois ídolos da campanha histórica dos rubros: o meia-armador Nei e o artilheiro Sávio.

Se a partir daquele momento os esmeraldinos emergiriam como força nacional, a Anapolina logo tomaria o rumo inverso. Só voltaria a disputar um torneio nacional com 1987, no Módulo Azul do Brasileiro. Participaria da segunda divisão seguidamente entre 1989 e 1992 e da terceira em 1998 (quando ficou bem perto do acesso ao terminar em terceiro) e em 1999. Na Copa João Havelange, em 2000, ficou no Módulo Amarelo. Dali seguiu na Série B entre 2001 e 2005, quando caiu para a Série C, a qual jogou pela última vez em 2006.

A Rubra participou também da edição inaugural da Série D, em 2009. E voltaria a disputar a quarta divisão em 2011, 2014 e 2019. Além do Brasileiro, a Anapolina também disputou quatro vezes a Copa do Brasil (em 2001, 2002, 2003 e 2015), caindo sempre no primeiro confronto. Já no âmbito estadual, o clube voltaria a se sagrar vice-campeão em 2000, novamente perdendo a decisão para o Goiás. Por outro lado, experimentou alguns dissabores na parte de baixo da tabela a partir do fim dos anos 1990 – incluindo alguns rebaixamentos.

O primeiro deles, em 1998, acabou não tendo efeito: com a exclusão do Santa Helena do certame do ano seguinte, oficialmente por um caso de suborno, a Anapolina foi reconduzida à primeira divisão. Já em 2012, 2016 e 2020 não houve jeito. Nos dois primeiros, a Rubra conseguiu retornar já na temporada seguinte. Já em 2021, o acesso imediato não veio. Na atual temporada, a equipe tentará por mais um ano voltar à elite estadual. Na segundona goiana, aliás, a bola começou a rolar no início deste mês de agosto.

Quando disputou as divisões nacionais de acesso, não raro a Anapolina batia equipes que viriam a ser promovidas, casos do Vitória em 1992, do Fluminense – em casa e no Maracanã – em 1999 (embora tenha perdido os pontos do triunfo em Anápolis por escalação irregular), do Paysandu em 2001, do Fortaleza em 2002 e 2004, do Grêmio Barueri em 2006 e do Tupi em 2011, além, é claro, da goleada inesquecível – para os rubros – sobre o Grêmio por 4 a 0 em 2005. Uma coleção de momentos que justificaram o apelido da Xata.

No vídeo abaixo, um grande compilado de gols e lances da era de ouro da Anapolina, no início dos anos 1980, incluindo parte da campanha daquele Brasileirão:

Foto de Emmanuel do Valle

Emmanuel do Valle

Além de colaborações periódicas, quinzenalmente o jornalista Emmanuel do Valle publica na Trivela a coluna ‘Azarões Eternos’, rememorando times fora dos holofotes que protagonizaram campanhas históricas.

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