Ásia/Oceania

Transferência de Sadio Mané para o Al Nassr consolida frustração da passagem pelo Bayern

Aos 31 anos, Sadio Mané era um dos melhores do mundo, mas temporada ruim no Bayern o leva para ser mais uma estrela da liga saudita — e a sensação é que poderia ter sido diferente

O Al Nassr anunciou com toda pomba a contratação de Sadio Mané, atacante de 31 anos que chega do Bayern de Munique. Há um ano, esse anúncio pareceria uma especulação sem sentido, mas que se tornou possível combinando o investimento altíssimo dos clubes da Arábia Saudita com uma temporada de frustrações de Mané no Bayern.

Em julho de 2022, Mané anunciou a saída do Liverpool como um dos melhores atacantes do mundo. Seu ciclo parecia mesmo estar no fim no clube de Anfield, ainda que os Reds preferissem que ele ficasse, seja pelo jogador que ele é, seja pelo ídolo que se tornou. O valor pago, €32 milhões, pareceu apropriado.

O Al Nassr não pagou nem o mesmo valor. Segundo a Kicker, o clube saudita pagou €30 milhões para levar a estrela de Senegal para a Arábia Saudita. O salário de Mané no novo clube é estimado em €40 milhões por ano, o dobro do que recebia no Bayern, cerca de €20 milhões por ano. Até por isso a transferência era desejada pelo clube bávaro: diminui significativamente a sua folha salarial com um jogador que não se sabia se seria titular, embora seja indiscutivelmente útil.

Sadio Mané e Bayern: transferência acabou em frustração

A contratação de Sadio Mané pelo Bayern aconteceu depois do clube alemão ter perdido Robert Lewandowski para o Barcelona. Por isso, inevitavelmente se esperava que o senegalês ajudasse a ocupar o espaço vazio deixado pelo polonês. Essa expectativa era muito perigosa, por serem jogadores muito diferentes.

Mané atuou como centroavante no Liverpool diversas vezes na temporada 2021/22, mas era um time de jogo diferente, que por vezes o ponta direita, Mohamed Salah, virava o artilheiro do time, entrando para fazer gols. Mané sempre foi adaptável, podendo recuar para armar o time, cair pelos lados para fazer jogadas como ponta ou estar dentro da área para finalizar. Mas nunca como um centroavante puro, um camisa 9 clássico. Ele sempre foi um jogador de atacar os espaços criados pela movimentação do time.

O Bayern era um time diferente, com pontas muito mais fixos e com muito menos capacidade de entrar na área para finalizar. Mané por vezes tinha a grande responsabilidade de ser o homem gol, o que complicou a sua passagem pela Allianz Arena. Ele se dividiu entre atuar como centroavante (20 jogos) e como ponta esquerda (15 jogos), mas nunca pareceu se encaixar completamente. “A temporada que ele jogou certamente não foi satisfatória”, afirmou recentemente Herbert Hainer, presidente do Bayern, sobre Mané.

Em 38 jogos que fez pelo Bayern, marcou 12 gols e fez seis assistências. Bons números para um jogador comum, mas Mané chegou para ser fora de série. E sem os gols de Lewandowski, as coisas pioraram ainda mais. Até porque o Bayern sofreu muito na temporada com atuações irregulares, um time que não conseguia ser consistente e que, no fim, conquistou a Bundesliga contando com tropeços inacreditáveis do Borussia Dortmund.

Diante da necessidade de buscar um camisa 9 com características mais típicas, a saída de Mané parecia algo iminente. Faltava saber quem teria faria proposta. A do Al Nassr chegou e acabou sendo uma boa saída para o Bayern. Para Mané, que pretendia continuar na Europa, foi a única saída possível. Não houve quem pagasse para tirá-lo do Bayern, ainda mais com um salário já de patamar de clube grande. A Arábia Saudita foi a única que se propôs a isso, até dobrando o seu salário. Foi uma escolha de Mané também, como de tantos outros jogadores que rumam para o Oriente Médio.

“Queremos agradecer a Sadio Mané pela última temporada. Certamente não foi um ano fácil para ele, ele se machucou pouco antes da Copa do Mundo e perdeu a participação com o Senegal, que já havia vencido pela primeira vez na África Copa das Nações e as Eliminatórias da Copa do Mundo. Devido ao longo tempo de inatividade, ele não foi capaz de contribuir tanto para o Bayern quanto todos nós e ele mesmo esperávamos. É por isso que decidimos juntos que ele deveria começar um novo capítulo em sua carreira e com outro clube está começando de novo”, disse o CEO do Bayern, Jan-Christian Dreesen.

“Gostaria de um final diferente. Sei que poderia ter ajudado este time nesta temporada. Queria provar a todos nesta temporada”, afirmou Mané à Sky Sport Alemanha, na segunda-feira. “No entanto, desejo ao clube e aos torcedores apenas o melhor para o futuro”.

Muito possivelmente poderia ter sido diferente em outra circunstância. Mané era um dos melhores do mundo e possivelmente faria uma combinação mortal com Lewandowski. O timing não foi o melhor nem para ele, nem para o Bayern e tudo acaba mesmo em frustração, dos dois lados.

Al Nassr reforça o time para ser campeão com CR7

Se a temporada de Mané no Bayern teve sabor de frustração para todos os envolvidos, o Al Nassr também teve uma ponta desse sentimento na temporada passada na liga saudita. O clube levou Cristiano Ronaldo para ser a estrela e ele entregou bons jogos, mas insuficiente para conquistar títulos. Terminou em segundo na liga saudita, atrás do Al Ittihad de Romarinho.

Com a injeção enorme de dinheiro que o governo passou a fazer nos quatro grandes clubes do país, estatizados via Fundo de Investimento Público (PIF), a expectativa é que Cristiano Ronaldo ganhasse companheiros mais qualificados. E o time tem feito isso até aqui.

O Al Nassr já tinha Davide Ospina, que chegou ainda na temporada passada. Nesta, com os cofres do governo saudita aberto, já contratou quatro jogadores de peso: Sadio Mané, Seko Fofana, que chega do Lens em um ótimo momento, Marcelo Brozovic, da finalista da Champions League, Inter de Milão, e Alex Telles, lateral que foi à Copa pela seleção brasileira e estava no Manchester United — passou a última temporada emprestado ao Sevilla. Isso sem falar na contratação do técnico Luís Castro, que saiu do Botafogo para se juntar à festa saudita.

São muitos grandes jogadores contratados pelo futebol saudita. Você pode verificar os principais nomes desta janela aqui.

Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.
Botão Voltar ao topo