Ásia/Oceania

Ex-Everton é condenado à prisão perpétua na China após confessar tentativa de suborno

Li Tie foi condenado por corrupção e manipulação de resultados durante seu período como treinador

Li Tie, ex-jogador do Everton e um dos maiores expoentes do futebol chinês dos últimos anos, foi condenado à prisão perpétua na China por conta do seu envolvimento em um escândalo de manipulação de resultados e de pagamento de subornos para conseguir alcançar o posto de treinador da seleção da China, posto que ocupou entre 2019 e 2021, as informações foram publicadas pelo portal Daily Mail. As investigações sobre a conduta suspeita do ex-meio campista começaram um ano após a sua saída do cargo da seleção chinesa.

Na época, em um forte esquema de repressão à corrupção no futebol chinês, Ministério Público local divulgou que Li Tie era suspeito de aceitar e oferecer subornos para conseguir subir de patamar como treinador no país. O ex-meia da seleção da China e do Everton ofereceu cerca de 330 mil libras (quase R$ 2,1 milhões de reais) para se tornar técnico da seleção nacional em uma confissão televisionada para todo o país via CCTV, emissora de televisão estatal.

Li Tie também confessou ter participado de um escândalo de manipulação de resultados para conseguir conquistar acessos de divisões inferiores com seus clubes. O ex-treinador admitiu ter conseguido negociar partidas durante sua passagem pelo Hebei China Fortune e Wuhan Zall. Em 2018, o técnico conseguiu o acesso para a elite do futebol chinês.

Durante sua confissão, o ex-meia afirmou que ao obter sucesso pela primeira vez se utilizando de meios tão baixos, isso o motivou a continuar a tentar subornar para se manter no topo do futebol chinês. O ex-jogador do Everton ainda confessou que para conseguir tal sucesso dentro do esporte na China recorreu ao pagamento de propina a árbitros, jogadores e até mesmo treinadores adversários.

“Sinto muito. Eu deveria ter mantido a cabeça no chão e seguido o caminho certo. Havia certas coisas que na época eram práticas comuns no futebol. Ao obter ‘sucesso' por meios tão impróprios, na verdade, me deixou cada vez mais impaciente e ansioso por resultados rápidos. Para conseguir um bom desempenho, recorri a influenciar árbitros, subornar jogadores e treinadores adversários, às vezes através de clubes que lidam com outros clubes”, revelou Li Tie.

Segundo o repórter Mark Dreyer, o ex-chefe da Associação Chinesa de Futebol, Chen Xuyuan, também foi condenado à prisão, mas recebeu 15 anos de pena por suborno.

Li Tie se deixou levar pela ganância, manchando uma brilhante carreira nos gramados

Li Tie se destacou no Liaoning e foi contratado por empréstimo pelo Everton durante a temporada 2002/2003. O jogador enfrentou a seleção brasileira na Copa do Mundo da Coreia e do Japão e disputou 40 partidas no clube inglês antes de ser comprado definitivamente.  Considerado um dos jogadores mais talentosos de sua geração, Li Tie foi importante para a equipe inglesa, que sob o comando de David Moyes, alcançou a sétima colocação da Premier League naquele período.

Além de Li Tie, Li Wefeng também foi jogar no Goodison Park em uma negociação intermediada pela já extinta empresa chinesa de telecomunicações Keijan, uma das principais patrocinadoras do Everton naquela época. Li foi uma grata surpresa em Goodison Park e caiu nas graças do torcedor de Liverpool rapidamente. Rápido, cerebral com a bola nos pés e muito técnico, o meia foi contratado por 1,2 milhão de libras em agosto de 2003, mas uma lesão em fevereiro de 2004 o tirou do time titular.

No confronto de abertura da temporada diante do Arsenal de Arséne Wenger, o jogador chinês acabou expulso e na sequência, quebrou a perna em um amistoso da China, o que atrapalhou consideravelmente o andamento da sua trajetória na Inglaterra. O jogador saiu do Éverton em 2006 e em seguida vestiu a camisa do Sheffield, mas entrou em campo somente uma vez pelo novo clube por conta dos vários problemas de lesão que passaram a atormentá-lo.

Após a frustração no Sheffield, Li Tie voltou ao futebol chinês para defender o Chengdu Blades e mais tarde voltou para o Liaoning, equipe que o revelou para o futebol mundial. Até chegar à seleção principal da China, o ex-meio-campista atuou como auxiliar técnico de Marcelo Lippi, italiano campeão do Mundo em 2006, que saiu do comando da seleção local em 2019, dando lugar ao ex-jogador do Everton.

Foto de Lucas de Souza

Lucas de Souza

Esse é Lucas de Souza, redator e repórter do Futebol na Veia e da Trivela. Jornalista especializado em Marketing digital é também narrador do Portal Futebol Interior e da RP2Marketing.
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