Ásia/Oceania

Jackson Martínez no Guangzhou: a China tem até 26 de fevereiro para seguir assombrando

Jackson Martínez não conseguiu se firmar em meia temporada no Atlético de Madrid. O centroavante chegou ao Vicente Calderón credenciado pelos excelentes números no Porto, mas só anotou três gols e foi parar no banco de reservas. Mas quem vai falar que o negócio não acabou sendo um sucesso para os colchoneros? Em sete meses, o colombiano rendeu € 7 milhões de lucro ao clube – e isso em um intervalo no qual o seu valor de mercado caiu € 5 milhões, segundo o site especializado Transfermarkt. Nesta terça, um dia após o fechamento da janela de contratações na Europa, o Guangzhou Evergrande anunciou a chegada do artilheiro por € 42 milhões. É o maior negócio da história do futebol chinês, assim como o sétimo da temporada. Só Manchester City, United, Liverpool e PSG fizeram investimentos deste porte em 2015/16.

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Quando o Guangzhou vendeu Elkeson para o Shanghai SIPG afirmando pensar no “bem do futebol chinês nas competições continentais”, não deu para acreditar muito. Mas também não colava a ideia que os campeões asiáticos teriam vendido o seu maior destaque ofensivo apenas para lucrar. A resposta veio com Jackson Martínez, três vezes artilheiro de uma das principais ligas europeias, que chega como o grande craque do Campeonato Chinês. E não deve parar apenas nele. A imprensa europeia aponta que o Guangzhou também poderia pagar os € 50 milhões pedidos pelo Shakhtar Donetsk para fazer o que o Liverpool não conseguiu e contratar Alex Teixeira. Além disso, outros nomes seguem especulados no país, de Yaya Touré a Miller Bolaños. A janela na primeira divisão chinesa se estende até 26 de fevereiro, enquanto a da segundona acaba em 15 de março. Até lá, ainda há muita água para rolar.

Se ir para a China já era considerado um retrocesso esportivo para muitos que deixaram o futebol brasileiro nas últimas semanas, esta percepção se amplia com os que saem da Europa. Provavelmente o Atlético de Madrid não iria lucrar tanto com Jackson Martínez, mas o atacante seguia com mercado no continente – e mesmo em clubes de grande porte. Agora, vai encher os bolsos com os vultosos salários que os chineses costumam pagar, mas sem grandes perspectivas de ampliar a sua reputação, quando ainda tem lenha para queimar aos 29 anos. Sua expressão pouco animada na assinatura do contrato talvez evidenciasse a decisão temerária para si, mas que beneficia os bolsos de vários.

Neste momento, o Campeonato Chinês já é o sexto que mais gastou em contratações na temporada e, restando quase quatro semanas para negociações, não será surpreendente se ultrapassar a Ligue 1 e a Bundesliga. Já foram desembolsados mais de € 310 milhões em reforços, considerando também a segunda divisão. E, no balanço entre compras e vendas, apenas a Premier League possui um saldo negativo superior. Tudo bem que o cenário é de início de temporada na China, mas os clubes das duas primeiras divisões investiram mais nesta janela de inverno do que oito das principais ligas europeias somadas (Itália, Alemanha, Espanha, França, Turquia, Bélgica, Portugal e Holanda) e o triplo dos três campeonatos mais ricos das Américas juntos (Brasil, Argentina, México). Não deixa de ser assombroso, até pelo momento em que acontece o maior negócio, após o fechamento na Europa.

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Considerando que alguns clubes chineses ainda mantêm em aberto suas vagas para jogadores estrangeiros (e nada impede que alguns deles saiam), não surpreenderá nem um pouco se alguns negócios significativos acontecerem até o final de fevereiro. E será interessante observar como os clubes europeus lidarão com isso. Nesta altura, com o mercado fechado, não há reposição disponível e as forças se concentram na metade final dos campeonatos. O mais factível será ver a saída de jogadores importantes, mas sem tanto espaço em seus clubes, como o caso do próprio Jackson Martínez. Mas não dá para ser tão lógico quando o montante de dinheiro envolvido é tão absurdo.

Já a grande dúvida só começará a ser respondida a partir de março: qual será o impacto de tantos reforços internacionais no nível do Campeonato Chinês. O acréscimo de talento é inegável, mas a qualidade em geral dos jogadores locais não é dos maiores – inferior, por exemplo, ao da J-League em seus primórdios. Desta vez, ao menos em teoria, o pentacampeão Guangzhou Evergrande não deve nadar de braçada no topo da tabela. Os primeiros meses serão fundamentais, para a impressão inicial neste momento de enriquecimento abrupto e para a própria noção dos investidores locais sobre eldorado que estão criando. Ainda que a tendência aponte para uma debandada continuamente intensa nas próximas temporadas.

A lista de estrangeiros no Campeonato Chinês

Cada clube pode contar com até cinco jogadores estrangeiros inscritos no Campeonato Chinês. Quatro deles não possuem restrições, enquanto o quinto precisa ter necessariamente a nacionalidade de um país da AFC – o que inclui também os australianos e os naturalizados, como o “palestino” Jucilei. Abaixo, os estrangeiros por clube em 3 de fevereiro:

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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