Ásia/Oceania

Vai ter samba: com fortuna incomparável fora da Europa, Guangzhou fatura o penta chinês

Cinco títulos nas cinco temporadas desde que voltou à primeira divisão. A hegemonia do Guangzhou Evergrande no Campeonato Chinês é gritante. E ganhou mais um capítulo neste sábado, com o pentacampeonato nacional dos Tigres. A conquista só foi confirmada na última rodada, graças à vitória por 2 a 0 sobre o Beijing Guoan. E que contou com participação fundamental da legião de craques brasileiros: Ricardo Goulart e Paulinho fizeram os gols, enquanto Elkeson também foi titular e Robinho ficou no banco. Uma alegria para Luiz Felipe Scolari, pouco mais de um ano depois do “apagão de cinco minutos” na Copa de 2014. Desde que o treinador chegou, substituindo Fabio Cannavaro, a equipe não perdeu mais e superou o Shanghai SIPG (de Conca, Asamoah Gyan e Sven-Goran Eriksson) na liderança a cinco rodadas do fim.

Mesmo em um mercado crescente como o futebol chinês, o Guangzhou Evergrande sobra. Durante os últimos cinco anos, gastou o triplo do ricaço mais próximo no campeonato, o Shandong Luneng. Neste intervalo, a lista de reforços dos Tigres inclui Ricardo Goulart, Lucas Barrios, Diamanti, Paulinho, Robinho e Gilardino, todos com passagens por suas seleções. Quando chegou, no início da enxurrada de dinheiro do clube, Conca ficou entre os três maiores salários do mundo, ao lado de Messi e Cristiano Ronaldo. Enquanto isso, Felipão e Marcello Lippi também aparecem na lista dos 30 técnicos mais bem pagos do planeta. Sinais de como, mesmo comparado com clubes europeus, os chineses estão em alta.

Segundo o site Transfermarkt, o elenco do Guangzhou Evergrande está avaliado em £ 28,5 milhões – o equivalente a R$ 170 milhões, na atual cotação. Um valor 57,8% maior do que qualquer outro time do Campeonato Chinês, e que se equivale ao preço do elenco de um clube europeu como o Hellas Verona ou o Levante. Em comparação com o Brasil, supera os valores de clubes como Sport, Vasco e Chapecoense. Já na Argentina, só fica abaixo mesmo de Boca Juniors e River Plate, superando todos os outros participantes da primeira divisão.

A valorização do Guangzhou Evergrande se dá pela fortuna despejada principalmente em seus destaques internacionais. Desde que passou a viver sua bonança financeira e voltou à primeira divisão, o clube desembolsou £ 87,3 milhões em contratações ao longo de seis temporadas. Desde 2012/13, foram quase £ 70 milhões, que colocam os chineses como o 39º time do mundo que mais investiu dinheiro em reforços. Está à frente de gigantes como Olympique de Marseille, Lyon, Schalke 04, Borussia Mönchengladbach, Lazio, Ajax e Sporting. O próximo não-europeu da lista é o Corinthians, que desembolsou £ 30,9 milhões.

A alta financeira vem desde a chegada do Evergrande Real Estate Group, segunda maior incorporadora de imóveis da China. A empresa comprou 50% do clube em 2009, logo após o rebaixamento à segunda divisão, por envolvimento em caso de manipulação de resultados. Transformou o Guangzhou em potência. Já no ano passado, o grupo Evergrande comprou mais 10% das ações, enquanto outros 40% foram adquiridos pelo Alibaba, o gigante do comércio eletrônico.

Assim, a não ser que alguma grande empresa resolva investir pesado no futebol, é difícil imaginar que algum clube irá se aproximar do Guangzhou Evergrande na China. E não fossem as reviravoltas que o mata-mata pode proporcionar, o domínio na Ásia não é tão constante. No próximo final de semana, os Tigres começam a disputar a final da Liga dos Campeões contra o Al Ahli, dos Emirados Árabes. Para buscar o bicampeonato e reafirmar uma força financeira que é incomparável fora da Europa.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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