Ásia/Oceania

Esperança em meio ao conflito: futebol na Palestina continua vivo mesmo com guerra sem fim em Gaza

Seleção da Palestina tem jogos contra Líbano e Austrália nas duas primeiras rodadas das Eliminatórias para a Copa de 2026

O futebol é um esporte capaz de causar emoções incríveis, sentimentos indescritíveis, e mesmo em um momento complicado, unir os povos e mostrar ao mundo a identidade de um país. É este o sentimento da Palestina em relação ao que vem acontecendo no Oriente Médio, que vive um conflito sem precedentes após ataques terroristas do grupo extremista Hamas a Israel, e respondido com muita veemência por parte do governo israelita em Gaza.

Apesar do momento delicado, e da notícia de novos mortos na região chegando todos os dias, a Palestina tenta por meio do futebol, mostrar uma nação diferente da que vem sendo noticiada atualmente, e através do esporte divulgar ao mundo o que o país pode oferecer de melhor ao mundo. A seleção nacional é formada por regiões diferentes, e é neste momento, que não há diferença étnica e nem religiosa, sendo assim, todo o país se une para acompanhar e demonstrar seu sentimento pela nação.

“O futebol é uma das poucas plataformas através das quais os nossos jovens podem orgulhar-se da sua identidade nacional e mostrar ao resto do mundo uma Palestina que normalmente não é vista.

Então você vê, no mundo do futebol, a Palestina tem um status que ainda não alcançou no mapa mundial internacional; no futebol, a divisão política entre a Cisjordânia, no norte, e Gaza, no sul, não existe.

A seleção nacional representa os palestinos dentro da Palestina e na diáspora, e você pode imaginar o simbolismo que este status representa e a esperança que ele carrega”, declarou Susan Shalabi, vice-presidente da Associação Palestina de Futebol.

Susan Shalabi revela a tristeza em documentar jogadores mortos em guerra na Palestina

Pode parecer até absurdo, mas mediante aos conflitos na região de Gaza, uma das funções de Susan Shalabi como vice-presidente da Associação Palestina de Futebol é registrar os jogadores mortos no combate. Uma tarefa complicada, que se torna cada dia mais difícil, tendo em vista a quantidade de nomes que chegam diariamente ao departamento.

Nomes de atletas jovens, que viam no futebol a esperança de mudar de vida, mudar a trajetória de suas famílias, mas que neste momento estão soterrados em escombros, tendo suas histórias apagadas em vida, mas eternizadas na memória daqueles que presenciam a guerra de fora.

“Eu deveria sentar e documentar, mas isso é muito doloroso. De alguma forma, tenho esse medo irracional de que, se começar, os números aumentem e ainda nem ouvi as histórias de cada um desses jovens cujos sonhos futebolísticos estão para sempre enterrados sob os escombros”, complementou a dirigente.

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Comunidade asiática teme pela participação da Palestina nas Eliminatórias para a Copa de 2026

Por conta do aumento no contingente de seleções para a Copa do Mundo de 2026, que pela 1ª vez na história será disputada em três países diferentes (Estados Unidos, México e Canadá), o povo palestino aumenta a expectativa de ver sua seleção jogar um Mundial pela 1ª vez na história. Serão oito seleções classificadas do continente asiático para a principal competição de futebol do planeta, número duas vezes maior do que as últimas edições.

Nas eliminatórias para a Copa do Mundo de 2018, a Palestina alcançou uma colocação interessante, ficando em 3º lugar do Grupo A, em uma chave com Emirados Árabes, Arábia Saudita, Timor Leste, e Malásia, se classificando para a Copa da Ásia no ano seguinte. Embora não tenha conseguido a classificação para a fase seguinte nas Eliminatórias para o Mundial, o povo palestino ficou feliz em ver que sua seleção conseguiu superar outros países com uma estrutura melhor.

“Todo palestino gostaria de pensar assim e acredito que seja possível. Chegamos perto da 3ª fase das Eliminatórias em 2018, o que superou mais do que algumas equipes da nossa região que têm instalações muito melhores, mais experiência e muito, muito mais liberdade. Somos um povo resiliente, então sim, acredito que podemos ir mais longe”, afirmou Shalabi.

Resiliência e fé são palavras-chave dentro da sociedade palestina. Mesmo em tempos de paz, a seleção do país encontra problemas graves para se locomover, já que alguns postos de controle israelense, dentro e fora de Gaza e da Cisjordânia, obrigam a comissão técnica a se deslocarem grandes distâncias para treinar e disputar jogos, ocasionando muito trabalho e tempo perdido, que poderia ser trabalhado melhor na preparação dos atletas.

Eliminatórias Asiáticas seguirão mesmo com toda situação em Gaza

As Eliminatórias Asiáticas para a Copa do Mundo de 2026 seguirão seu curso no mês de novembro. Nesta 2ª fase, a Palestina vai enfrentar a seleção do Líbano, da Austrália, e Bangladesh, no Grupo I, no meio do caminho há a disputa da Merdeka Cup, um torneio preparatório na Malásia, que iniciou no dia 13 de outubro. Entretanto, uma semana antes do início dos jogos, o Hamas atacou Israel, mudando toda a trajetória de preparação da Palestina.

Com todos os acontecimentos na Faixa de Gaza, e a guerra entre Israel e Palestina, há um temor sobre a participação do país nas Eliminatórias, seja por conta da contingência de jogadores mortos, ou pela dificuldade da comissão técnica sair do país para treinar em outra localidade. Não se trata mais de jogar ou não fora do território palestino, mas também de formar um time para a disputa da competição em meio aos conflitos, e o número considerável de abates.

Uma solução apresentada seria o país jogar na Argélia, país africano que se ofereceu para receber a seleção e cobrir os custos logísticos, entretanto, a Confederação Asiática de Futebol, e a Fifa não aceitaram que jogos das Eliminatórias Asiáticas fossem realizados em outro continente. Sendo assim, outro país que deve receber os jogos da Palestina é o Kwait.

O futebol sempre foi, e sempre será um instrumento de união, e de esperança ao povo palestino. Resta saber se o esporte bretão terá este poder de fazer a diferença neste momento de dor inimaginável, em uma situação de incerteza, e sem perspectiva de melhora nos próximos dias. A única preocupação do povo palestino neste momento é saber se estarão vivos, e com meios suficientes para subsistir diante de um dos episódios mais tristes e lamentáveis da história da humanidade.

Foto de Lucas de Souza

Lucas de SouzaRedator

Lucas de Souza é jornalista formado pela Universidade São Judas em São Paulo. Possui especialização em Marketing Digital pela Digital House, e passagens pelos sites Futebol na Veia e Futebol Interior.

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