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Dunga, não seria melhor convocar Ricardo Goulart ao invés de Tardelli?

O Brasil vive uma transição entre gerações no futebol, e isso faz que não haja craques ou grandes nomes em todas as posições e mais o banco de reservas. Nesses momentos, é natural que o técnico se veja obrigado a recorrer a atletas que atuam em mercados secundários, como o da Ásia. Mas é preciso ter critério dentro desse universo, e fica difícil entender como Ricardo Goulart perdeu seu espaço com Dunga enquanto Diego Tardelli segue prestigiado.

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O Brasil não pode mais se dar ao luxo de pensar lá na Copa do Mundo 2018, montando desde já uma equipe mais jovem a fim de ir crescendo ao longo dos anos e atingir o auge na Rússia. Dunga precisa de atletas experientes para disputar as eliminatórias. Mas isso não tem necessariamente a ver com idade.

Robinho, por exemplo, não tem sido chamado por ter 31 anos, mas por ter atuado 99 vezes pela Seleção, com 28 gols. É o atleta com mais partidas do atual elenco. Diego Tardelli, ainda que tenha passagens em vários grandes clubes brasileiros e grandes títulos no currículo, está está com 30 anos e apenas 14 partidas (três gols) pela seleção brasileira.

Claro, os números podem parecer poucos, mas são superiores aos de Ricardo Goulart. A diferença é que o ex-cruzeirenes ainda tem 24 anos e pode evoluir caso se torne um frequentador mais assíduo das convocações de Dunga. E o potencial de crescimento deveria ser considerado, ainda mais considerando que as Eliminatórias para a Copa de 2018 estão chegando e é preciso montar um time já pensando em vários anos.

Mas Goulart não seria um nome mais adequado apenas pela projeção do futuro. No presente ele tem sido mais produtivo. Tardelli se apresentou para a Copa América em 1º de junho. Assim, ficou de fora de quatro partidas do Shandong Luneng, todas pelo Campeonato Chinês. Somando-se todos os jogos da temporada 2015, o atacante entrou em campo 13 vezes, sempre como titular. Fez apenas dois gols e foi substituído em seis oportunidades.

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O momento de Diego Tardelli é apenas mediano dentro de uma liga tecnicamente frágil, caso da chinesa. Ele poderia ter desafios mais interessantes na Liga dos Campeões da Ásia, mas seu time já está eliminado. A Copa América se tornou um bom teste para confirmar que o atacante está mal, pois pouco fez nos quatro compromissos (todos) dos quais participou.

Ricardo Goulart também joga na China, e o problema da falta de qualidade dos adversários é igual ao de Tardello. No entanto, ele ao menos tem se mostrado tecnicamente superior dentro da liga. Pelo Guangzhou Evergrande, já são 24 jogos (17 ficando todo o tempo em campo), 15 pela liga nacional, oito na Liga dos Campeões da Ásia 2015 e um na Supercopa. O ex-cruzeirense foi às redes 17 vezes, dividindo a terceira posição na artilharia do Campeonato Chinês, com nove gols, e sendo o artilheiro do torneio continental, com oito. Esses números não são suficientes para afirmar que Goulart mereça estar na Seleção, muito menos se dará certo se tiver oportunidades. Mas, ao menos, permitem crer que, tecnicamente, seu momento é superior ao de Diego Tardelli.

Até Everton Ribeiro, que jogou míseros seis minutos na Copa América 2015 e não se sabe por que foi bater pênalti diante do Paraguai mesmo estando frio para um momento tão decisivo, tem desempenho melhor que o atacante do Shandong Luneng. Com a camisa do Al Ahli Dubai, o meia, tem 21 partidas disputadas, 15 como titular. Foram seis gols anotados, metade deles na Liga dos Campeões da Ásia 2015. Além de ser relativamente jovem, com 26 anos, podendo se pensar numa possibilidade de jogar a Copa do Mundo 2018.

Se Dunga vai continuar dando chances para os jogadores que defendem times asiáticos, que pelo menos observe como anda o desempenho destes em seus clubes. Até porque imagina-se que um jogador da seleção brasileira deva sobrar em um campeonato de nível fraco como o Chinês. É o que Tardelli precisa fazer para continuar merecendo aparecer nas listas de Dunga.

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