Ásia/Oceania

Do boom à derrocada: artilheiro brasileiro conta como China se reorganiza

Em entrevista exclusiva à Trivela, Léo Souza, artilheiro da última Superliga Chinesa pelo Zhejiang FC, detalha como está o futebol no país

Há uma década, a China era o que hoje é a Arábia Saudita no mundo do futebol. Com altos investimentos, incentivados pelo governo, e contratações de nomes de grife — como os treinadores Marcelo Lippi e Felipão, e jogadores como Anelka, Gilardino, Tevez, Lavezzi, Oscar, Paulinho e Hulk –, a perspectiva era de que os chineses se tornariam uma nova potência, com o desenvolvimento da seleção local e a possibilidade de sediar uma Copa do Mundo.

Porém, o crescimento esperado não veio. Decepcionado, entre 2019 e 2020 o governo chinês abortou o projeto e criou teto salarial para atletas estrangeiros. Outras normas surgiram, assim como a pandemia da Covid-19, o que contribuiu para a derrocada do futebol local. Vários clubes faliram, e o principal deles, o Guangzhou Evergrande, caiu para a segunda divisão após a empresa que era dona da equipe quebrar.

Atualmente, o futebol chinês tenta se reorganizar. Quem contou como está esse processo, com exclusividade, à Trivela, foi o atacante brasileiro Léo Souza, de 26 anos, do Zhejiang FC. Ele desembarcou pela primeira vez na China em 2021, para defender o Shandong Luneng.

— Acho que esse é um grande erro que muitos países estão cometendo: investindo muito alto e não tendo um planejamento para manter o projeto. Hoje vejo o futebol chinês em uma boa evolução, com investimentos médios, mas com jogadores competitivos. Equipes que acabaram falindo tinham bons jogadores locais que acabaram se dividindo nas outras equipes e reforçando. Antigamente sabíamos que no máximo quatro equipes iriam brigar pelo título. Hoje temos seis a sete times muito fortes na briga. Isso ajuda a valorizar o futebol chinês — destaca Léo Souza.

Artilheiro na Ásia, Léo Souza também jogou no Japão e na Coreia do Sul, e comparou com a China

O centroavante brasileiro fala com a propriedade de quem foi artilheiro da última Superliga Chinesa, em que marcou 19 gols em 28 jogos pelo Zhejiang FC. Mas os bons números dele no futebol asiático não vêm de agora. Antes de se destacar na China, Léo Souza foi artilheiro da J-League 3, em 2018, pelo Gainare Tottori, e da J-League 2, em 2019, pelo Albirex Niigata, e se tornou o primeiro goleador de ligas japonesas por dois anos consecutivos. O atacante ainda jogou no Ulsan Hyundai, da Coreia do Sul, em 2022, e comparou o futebol nos três países.

— A Liga Japonesa tem um estilo de futebol mais compacto, e é um futebol em que todos têm que defender, do atacante ao goleiro. Das três ligas, eu acho que a mais difícil de se jogar é a Liga Japonesa. A Liga Coreana é uma liga de muito contato físico, por isso também é a liga da Ásia da qual mais saem jogadores para grandes clubes da Europa, porque eles têm muito vigor físico. É um jogo de mais contato, que puxa muito para Inglaterra. E a Liga Chinesa é a que mais se aproxima ao futebol do Brasil, porque são mais de características individuais. Assim como no Brasil, são os clubes que têm as maiores estrelas que mais se destacam — avaliou.

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Após receber sondagem do São Paulo, Léo Souza reconhece desejo de voltar ao Brasil no futuro

Essa similaridade pode auxiliar Léo Souza em eventual retorno ao futebol brasileiro. Com passagens pelas categorias de base de Corinthians e Santos, recentemente ele recebeu sondagem do São Paulo. Por mais que esteja em alta na China, o centroavante reconheceu que o retorno ao Brasil está em seus planos.

— É o meu país, lugar que eu amo, então penso, sim, em voltar para o Brasil. No futebol as coisas mudam muito rápido, mas, no momento, eu estou feliz por aqui. Recebi algumas sondagens recentes, mas optei por permanecer. É o sonho da minha família, um retorno no futuro. Então, espero conseguir realizar — projetou.

Léo Souza no futebol asiático

  • 2018: Gainare Tottori (Japão) — 33 jogos, 24 gols — artilheiro da J-League 3
  • 2019: Albirex Niigata (Japão) — 38 jogos, 28 gols — artilheiro da J-League 2
  • 2020: Urawa Reds (Japão) — 30 jogos, 13 gols
  • 2021: Shandong Luneng (China) e Hebei FC (China) — 20 jogos, 2 gols
  • 2022: Ulsan Hyundai (Japão) — 43 jogos, 14 gols
  • 2023: Shandong Taishan (China), Changchun Yatai (China) e Zheijang FC (China) — 34 jogos, 23 gols — artilheiro da Superliga Chinesa
Foto de Nícolas Wagner

Nícolas WagnerSetorista

Gaúcho, formado em jornalismo pela PUC-RS e especializado em análise de desempenho e mercado pelo Futebol Interativo. Antes da Trivela, passou pela Rádio Grenal e pela RDC TV. Também é coordenador de conteúdo da Rádio Índio Capilé.

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