Ásia/Oceania

A caríssima volta para casa: saída de jogadores da Arábia Saudita é cheia de empecilhos financeiros

Impostos e implicações fiscais dificultam retorno de jogadores da Arábia Saudita para outros centros da Europa

O investimento feito pelo governo da Arábia Saudita para transformar a Saudi Pro League em um produto comercialmente atrativo, não só para quem assiste, mas também para quem disputa a competição, surgiu como um oásis financeiro para atletas de nome e também para jogadores em franca ascensão que gostariam de um novo desafio na careira. Nomes como Benzema, Mané, Mahrez e Cristiano Ronaldo foram peças fundamentais na divulgação do Campeonato Saudita como um torneio que pode chegar ao mais alto nível no mundo.

Porém, ao passo que jogar no Oriente Médio pode significar uma nova realidade financeira para os atletas, que ganham salários multimilionários e podem se aposentar com certa tranquilidade, quando o assunto é competitividade, a Liga ainda deixa a desejar. E esse nível vem fazendo com que alguns atletas pensem em retornar ao seu país de origem na Europa para retomar o bom futebol. É o caso de Henderson, meio campista que brilhou com a camisa do Liverpool e que agora defende o Al-Ettifaq, atualmente na 8ª colocação do Campeonato Saudita.

Criticado por deixar a Premier League para atuar na Saudi Pro League, Henderson encontra-se em um momento complicado, já que  retorno para a Europa não é um caminho tão fácil quanto parece. Todos os jogadores que atuam na Arábia Saudita são isentos de imposto de renda sobre os seus salários, ao contrário dos 47% cobrados pela Inglaterra, combinados entre o pagamento do tributo fiscal e também auxílio à Segurança Nacional do Reino Unido.

Entretanto, para manter a isenção fiscal na Arábia Saudita, Henderson terá de cumprir ao menos dois anos de contrato, caso contrário, o país aplica uma taxa fixa de 20% no valor de seus vencimentos. O cenário fica ainda mais complicado no caso do meia inglês, pois caso retorne e não tenha cumprido ao menos um ano fiscal fora da Inglaterra, terá mais um desconto de 47% como dívida fiscal aplicado aos seus ordenados, o que implica em uma fatia muito menor de ganhos. Para evitar esse tipo de ônus na folha salarial, o jogador vai precisar se tornar um residente fiscal fora do Reino Unido, o que obriga o atleta a ficar longe de casa por pelo menos mais um ano.

O que fazer para contornar os descontos na Arábia Saudita e no Reino Unido?

No caso de Henderson, uma maneira de driblar a cobrança de impostos é permanecer na Arábia Saudita para evitar a cobrança fixa de 20% ou esperar pelo cumprimento do ano fiscal no Reino Unido para não ter seus ganhos revertidos em dívidas fiscais. Como chegou ao Oriente Médio em julho de 2023, o meia deve aguardar pelo fim do próximo ano fiscal para evitar que seus ordenados sejam descontados pelos impostos, o que só vai acontecer em abril de 2025.

Pete Hackleton, especialista fiscal, em entrevista ao The Athletic, explicou com detalhes o que pode acontecer no caso de Henderson e de outros jogadores que desejam voltar para a Europa, mas que devem esperar pelo prazo estipulado para evitar complicações fiscais.

“Para jogadores que se mudaram no verão de 2023, isso significa que eles precisam estar fora do Reino Unido depois de 5 de abril de 2024 e depois durante todo o próximo ano fiscal, ou seja, até 5 de abril de 2025. Se você for lá e ganhar US$ 20 milhões por ano, livre de impostos, e ficar lá por um ano e meio e depois voltar, talvez não perceba que, na verdade, esses US$ 30 milhões podem ser revertidos para a dívida fiscal do Reino Unido porque você não ficou fora durante um ano fiscal completo”, explicou o especialista.

Outra forma de driblar o desconto do Reino Unido, que é maior, é ser contratado por outro time e passar o tempo necessário para o cumprimento do ano fiscal. Caso Henderson não queira permanecer na Arábia Saudita, como é o seu desejo, mas consiga assinar contrato com um time da Espanha, ou Alemanha, isso implicaria na isenção no valor a ser pago como dívidas fiscais na Inglaterra, caso fique fora tempo suficiente para ser considerado um residente fiscal fora do Reino Unido.

 

 

 

Foto de Lucas de Souza

Lucas de Souza

Esse é Lucas de Souza, redator e repórter do Futebol na Veia e da Trivela. Jornalista especializado em Marketing digital é também narrador do Portal Futebol Interior e da RP2Marketing.
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