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Blatter quer unir Israel e Palestina. A Fifa não é a ONU, meu caro

Não é raro ver Joseph Blatter se aventurando em missões diplomáticas. Porém, quase nunca as palavras do presidente da Fifa são levadas em frente, apesar da seriedade dos temas.  Depois de tentar promover a paz entre Sérvia e Kosovo através do futebol, o cartola resolveu entrar em um tema bem mais espinhoso: a disputa política entre Israel e Palestina.

Em visita ao Oriente Médio, Blatter falou sobre um dos imbróglios entre os países, que reflete diretamente no futebol. A federação palestina apresentou queixas contra as forças de segurança israelenses, que controlam a movimentação entre a Cisjordânia e a Faixa de Gaza. Segundo os palestinos, as viagens de equipes entre os territórios têm sido seriamente limitadas por Israel.

“Nós iremos defender não apenas a Associação de Futebol da Palestina, mas também os princípios básicos da Fifa, que são de conectar as pessoas, não de separar. Os princípios são de reconhecer a todos através do futebol e não apenas viver em paz, mas também em harmonia”, declarou Blatter, durante audiência na Universidade de Al-Najah, na Cisjordânia.

“Nós iremos ajudar os palestinos. O futebol irá ajudar os palestinos. Eu tenho vocês no meu coração. Eu estou em uma missão diplomática pelo esporte para transmitir às autoridades israelenses os problemas que o futebol da região enfrenta, especialmente quando atrapalha o direito de ir e vir dos jogadores. Eu lutarei pela causa de vocês. O futebol não pode criar fronteiras, mas manter as pessoas próximas”, complementou o cartola.

Logicamente, o futebol é uma excelente ferramenta para a promoção da paz e da harmonia. A maior questão no tema é sobre a índole da Fifa e de Blatter para tratar o assunto. Basta lembrar das diversas denúncias de corrupção para colocar a postura do dirigente e da entidade em xeque. Ainda que conte com mais membros que a ONU, a Fifa não anda com tanto moral assim para tentar resolver problemas que nem a organização internacional consegue.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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