Sul-Americana

Inocente? Após violência generalizada, Independiente lista argumentos para driblar punição

Dois dias após o ocorrido, Conmebol ainda não definiu quais serão as punições para os clubes envolvidos

As cenas de selvageria vistas nas arquibancadas da partida entre Independiente x Universidad de Chile, válida pelas oitavas de final da Copa Sul-Americana seguem repercutindo e tendo desdobramentos para ambos os clubes envolvidos.

Na última quinta-feira (21), dirigentes do Rojo viajaram para Assunção, no Paraguai, para tentar resolver a situação e evitar possíveis punições para a equipe de Avellaneda. Enquanto isso, na Argentina, mais de uma dezena de feridos se recuperava em hospitais da região, e mais de uma centena de torcedores permaneciam presos em Buenos Aires, aguardando uma definição sobre seu futuro.

As cenas que chocaram o mundo do futebol trouxeram impacto também para o espaço físico do estádio Libertadores de América. Em imagens divulgadas pela imprensa argentina, é possível ver um cenário de guerra, com pedaços de madeira e ferro jogados por todos os lados, portões e portas arrombados, vasos sanitários arrancados e até mesmo um posto destinado à venda de alimentos destruído.

Diante da situação, a promotoria de Buenos Aires, responsável por investigar o incidente, solicitou que o Independiente não possa disputar seus próximos jogos com público no estádio. O juiz José Luis Arabito avalia o pedido e é esperado que defira a solicitação. Com isso, o Rojo deve enfrentar o Platense, no domingo (24), às 20h30 (de Brasília), pelo Clausura Argentina, de portões fechados ou atuar com torcida, mas em outro estádio.

— Entendo que o Ministério Público já solicitou o fechamento do estádio porque há detalhes importantes nas arquibancadas, qque, todavia, necessitam exames forenses — explicou o ministro da Segurança da Província de Buenos Aires, Javier Alonso.

Chilenos e argentinos protagonizaram cenas lamentáveis (Foto: Imago)
Chilenos e argentinos protagonizaram cenas lamentáveis (Foto: Imago)

Conmebol ainda avalia punições após violência

Apesar da viagem de dirigentes do Independiente para o Paraguai, a Conmebol ainda não definiu qual atitude irá tomar devido ao ocorrido. A entidade publicou um comunicado, lamentou o ocorrido e prometeu “máxima firmeza” nas punições.

— No contexto da suspensão e do subsequente cancelamento da partida, a Confederação está coletando dados e processando informações que serão encaminhadas à Unidade Disciplinar para a aplicação das sanções correspondentes — diz trecho do comunicado.

Enquanto isso, dirigentes dos clubes aguardam para poderem apresentar defesa. Segundo a “TyC Sports”, o Independiente usou quatro argumentos para se livrar de uma punição mais severa.

O primeiro foi de que quando os barras (torcida organizada) entraram no setor destinado aos visitantes e começaram a pancadaria, o duelo já estava suspenso. A diretoria sustenta a ideia de que a decisão de não prosseguir com a partida não teve nada a ver com as ações violentas de seus torcedores.

Além disso, eles apresentaram imagens da transmissão, que não foram ao ar, como prova de que torcedores de La U destruíram as arquibancadas e usaram projéteis e bombas contra os torcedores locais, iniciando a confusão e obrigando a suspensão do confronto.

Outro argumento que consideram fundamental para sua defesa, é que aos 32 minutos do primeiro tempo e durante o intervalo, o chefe da Aprevide (Agência de Prevenção da Violência no Esporte) teria contatado Michael Sánchez, um dos responsáveis pela Conmebol presente no duelo, para informar que a partida deveria ser suspensa. O funcionário teria ligado para a sede, no Paraguai, de onde teria sido informado que o jogo deveria continuar.

Por fim, o Independiente reforça que a decisão de impedir a entrada da polícia nas arquibancadas para controlar a situação foi decisão do chefe da operação de segurança da Conmebol, e não teve nada a ver com a segurança colocada pelo próprio Independiente.

Por outro lado, Juan Manuel Lugones, ex-chefe da Aprevide, acusou a polícia argentina de ter “facilitado” a ação dos torcedores do Independiente.

–Eles (policiais) demonstraram que têm um acordo com a torcida para liberar a área (destinada aos chilenos) e permitir que os ‘hinchas’ fizessem uma varredura — disse Lugones, em entrevista à Rádio La Red da Argentina.

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Torcedores da La U protestam

Após o ocorrido, torcedores da La U protestaram em frente a embaixada chilena em Buenos Aires. Pedindo a liberação dos torcedores que haviam sido presos, um grupo marcou presença no local com faixas e cânticos. Além disso, os presentes também denunciavam a crueldade da polícia argentina com os que haviam sido levados presos.

Torcedores da La U protestaram em Buenos Aires. Foto: Imago

O protesto foi organizado pela torcida organizada oficial do clube, os “Los de Abajo” e foi convocado pelas redes sociais. Na tarde desta sexta-feira (22), a justiça argentina liberou os 104 chilenos detidos após o ocorrido no estádio do Independiente.

O ministro do interior chileno, Álvaro Elizalde, viajou até Buenos Aires e supervisionou o protesto. Além disso, ele se reuniu com a ministra da segurança Argentina, Patricia Bullrich, para discutir os próximos passos.

Foto de Gabriella Brizotti

Gabriella BrizottiRedatora de esportes

Formada em jornalismo pela Unesp, sou uma apaixonada pelo esporte em geral, principalmente o futebol. Dentre as minhas paixões, está o futebol argentino e suas 'hinchadas'.

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