Sul-Americana

‘Não acredito no que vi’: Violência na Sul-Americana revolta atletas e até presidente do Chile

Partida entre Independiente e Universidade de Chile, disputada na Argentina, foi paralisada após cenas de selvageria nas arquibancadas

A noite da última quarta-feira (20) foi marcada por um episódio triste e lamentável na partida entre Independiente x Universidad de Chile, válida pelas oitavas de final da Copa Sul-Americana. Nas arquibancadas do estádio Libertadores de América, em Avellenada, na Argentina, torcedores das duas equipes se enfrentaram e o que se viu foram cenas de selvageria.

Os principais veículos da Argentina e do Chile repercutiram o ocorrido e lamentaram a situação, chamando a atenção também para a forma como a Conmebol lidou com o ocorrido durante a partida.

O chileno AlAireLibre repercutiu as falas do volante chileno Felipe Loyola, que atualmente defende o Independiente. O jogador lamentou o ocorrido e disse estar destruído pelo o que aconteceu na partida.

Me sinto destruído, não sei onde estava a segurança policial. Situação lamentável, é uma pena tudo o que aconteceu hoje. Não se pode tolerar esse nível de violência. Uma pena enorme, ainda não acredito no que vi hoje. Isso não é futebol, o esporte não é violência — escreveu o atleta nas redes sociais após a partida ser suspensa. O atleta foi um dos que tentou pedir calma aos torcedores enquanto a violência transcorria.

Além dele, Pablo Galdames, jogador ícone de La U ressaltou que o lado esportivo não tem importância em um momento como esse. Ao lado de Loyola, ele também tentou acalmar os ânimos de dentro do campo, mas não teve efetividade. O atleta pediu responsabilidade da Conmebol pelo ocorrido.

— Hoje, o aspecto esportivo e as cores das camisas ficam em segundo plano. O mais importante é a saúde das pessoas que estão em risco de vida. Que os organizadores assumam toda a responsabilidade pela situação. A violência não se acalma com mais violência — escreveu o atleta.

Chilenos e argentinos entraram em conflito nesta quarta-feira. Foto: Imago

Segundo o “AlAireLibre”, houve ao menos 19 torcedores chilenos feridos na confusão. Segundo o embaixador chileno José Antonio Viera Gallo, um dos feridos corre risco de vida, dois precisaram de cirurgia, e o restante sofreu ferimentos mais leves, recebendo atendimento nos hospitais próximos.

Ainda de acordo com o veículo chileno, ao menos 97 torcedores foram detidos após o ocorrido. A identidade dessas pessoas não foi divulgada.

Já o “Olé” e a “TyC Sports”, ambos veículos da Argentina, também repercutiram o ocorrido em suas páginas na manhã desta quinta-feira (21). Os dois jornais fizeram uma cronologia do ocorrido, tentando elucidar algumas questões sobre o episódio lamentável de violência ocorrido em Avellaneda.

Segundo a “TyC Sports”, dirigentes do Independiente devem viajar ainda nesta quinta para o Paraguai, sede da Conmebol, para definirem o que acontecerá esportivamente. O duelo foi encerrado enquanto o placar estava empatado por 1 a 1 e não deve ser retomado. No agredado, os chilenos venciam o confronto por 2 a 1.

Chilenos e argentinos entraram em conflito nesta quarta-feira. Foto: Imago

Violência na Argentina: personalidades se posicionam

Diversas personalidades, não só do futebol, se posicionaram sobre o ocorrido. O presidente do Chile, Gabriel Boric, lamentou a situação e informou as medidas que irá tomar para auxiliar os torcedores chilenos na Argentina, alertando também para a culpa da Conmebol.

— O que aconteceu em Avellaneda entre as torcidas de Independiente e Universidad de Chile está errado em muitos sentidos, desde a violência das torcidas até a evidente irresponsabilidade na organização — afirmou o mandatário.

Agora, nossa prioridade como governo é saber o estado de nossos compatriotas que foram agredidos, garantir seu atendimento médico imediato e assegurar que aqueles que estão detidos tenham seus direitos respeitados. Para isso, estamos trabalhando com a Embaixada, o Consulado, o Ministério das Relações Exteriores e o Ministério do Interior — completou o presidente.

Michael Clark, presidente da Azul Azul, empresa responsável por cuidar dos negócios referentes a Universidad de Chile também falou sobre o caso ocorrido na Argentina.

— Acho que as declarações vindas do Independiente não estão à altura, é uma desumanização do que aconteceu. Viemos para assistir a uma partida de futebol e acabou sendo outra coisa. Tomara que os rumores que surgiram não sejam reais (sobre falecidos) — expressou o dirigente da Azul Azul.

Estar preocupado com os pontos e em quem colocar a culpa diante do que vimos não é o correto e fala muito sobre eles. Quando a torcida do Independiente foi a Santiago, nada lhes aconteceu, a segurança estava lá, as torcidas estavam separadas por uma barreira e havia policiais. Hoje não havia policiais nem barreiras de segurança. É bastante inexplicável: entram 100 pessoas para agredir a torcida da U e ninguém aparece, é muito lamentável — completou o dirigente.

Já Néstor Grindetti, presidente do Independiente, afirmou que irá defender os interesses do seu clube e que foi lamentável o que aconteceu, citando também o início da confusão, em que torcedores chilenos arremessaram bombas e objetos em direção aos do Independiente.

— É lamentável, algo que deveria ter sido uma festa não foi. É repudiável o que fizeram os torcedores da U. Eles destruíram os banheiros e pegaram objetos dos banheiros. Jogavam pela arquibancada. Foi uma violência inusitada que nunca vi na minha vida — iniciou.

— O público do Independiente não merecia algo assim. A arquibancada não estava cheia. O comportamento da torcida do Independiente no Chile foi bom. As precauções que tomamos foram as lógicas. Não se pode prever esses comportamentos. Me informaram que há alguns feridos leves e outros sem risco que estavam internados — completou.

Chilenos e argentinos protagonizaram cenas lamentáveis (Foto: Imago)
Chilenos e argentinos protagonizaram cenas lamentáveis (Foto: Imago)

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A cronologia da violência entre Indepediente x Universidad de Chile

Independiente x Universidad de Chile se enfrentavam pelas oitavas de final da Sul-Americana no estádio Libertadores de América, em Avellaneda, Buenos Aires. Durante o primeiro tempo, torcedores chilenos foram flagrados arremessando bombas e outros objetos em direção a torcedores do Rojo, que estavam localizados em uma arquibancada abaixo. Além disso, colocaram fogo em um dos assentos do estádio.

A situação se agravou durante o intervalo e início do segundo tempo, enquanto a partida estava empatada por 1 a 1. Devido aos problemas, a partida foi suspensa, jogadores foram aos vestiários. Enquanto isso, era solicitado através dos alto-falantes para que os torcedores chilenos deixassem o estádio.

Segundo a “TyC Sports”, a polícia não interferiu em nenhum momento e tampouco auxiliou na saída dos torcedores do local. Um grupo pequeno de chilenos permaneceu nas arquibancadas do Libertadores de América.

Quando a confusão parecia estar controlada, um grupo de “barras” (torcedores organizados) do Independiente invadiu o setor destinado aos visitantes e começaram uma verdadeira batalha contra os que restavam no local.

Munidos com pedaços de madeiras, ferro e outros objetos, os Rojos entraram em conflito com os chilenos, golpeando, tirando peças de roupas e os humilhando de diversas formas. Um torcedor da La U foi flagrado saltando da parte mais alta da arquibancada para fugir das agressões.

Posteriormente, a polícia agiu para tentar frear a violência. Devido ao ocorrido, o duelo foi suspenso oficialmente e não deve ser jogado mais.

Foto de Gabriella Brizotti

Gabriella BrizottiRedatora de esportes

Formada em jornalismo pela Unesp, sou uma apaixonada pelo esporte em geral, principalmente o futebol. Dentre as minhas paixões, está o futebol argentino e suas 'hinchadas'.

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