Sul-Americana

Chegou a hora de Coudet mostrar do que é capaz no Internacional

Depois de eliminação no Gaúcho, e empate sem gols com o Belgrano, Eduardo precisa reinventar o Inter

Depois de dois empates que culminaram na eliminação nos pênaltis para o Juventude, na semifinal do Campeonato Gaúcho, havia expectativa de que o Internacional reagiria diante do Belgrano, na noite de terça-feira (2), na estreia na Copa Sul-Americana. Mas não foi o que aconteceu. Mesmo com as entradas de Fernando, Thiago Maia e Borré na equipe, o Colorado mais uma vez não teve boa atuação e não saiu do 0 a 0 com o Pirata, no Estádio Mário Alberto Kempes, em Córdoba.

O Inter até teve oportunidades de marcar, justamente com Borré, que desperdiçou. No primeiro tempo, após o goleiro Chicco chutar a bola em cima de Bustos, o quique da bola atrapalhou o atacante, que não conseguiu finalizar para o gol vazio. Na segunda etapa, o colombiano teve chance cara a cara, mas se adiantou demais, se desequilibrou e concluiu em cima do arqueiro do Belgrano. Por fim, o camisa 19 cabeceou em cima do de Chicco após cruzamento de Wesley, vindo da esquerda.

Mesmo com essas chances criadas, e com o controle da posse de bola, principalmente no primeiro tempo, não dá para dizer que o Inter foi bem. De novo, o jogo colorado não fluiu como vinha acontecendo no início da temporada, em especial por mais uma atuação abaixo da média de Maurício e Wanderson. De quebra, a defesa sofreu no início do segundo tempo, e o Belgrano por pouco não abriu o placar.

Coudet reconhece necessidade de melhorar, mas defende trabalho

— É impossível não sentir quando temos uma dificuldade como aconteceu no outro dia. Está claro que para voltar a estar solto, para voltar a mostrar o futebol que cada um dos jogadores pode dar, vai acontecer com o passar dos jogos, porque é muito recente. Temos que trabalhar. […] Acho que podemos gerar mais, ainda assim tivemos situações claras, e tentaremos ser mais efetivos — disse Eduardo Coudet.

Na entrevista coletiva após o empate na Argentina, o treinador colorado demonstrou incômodo com questionamento sobre a queda de desempenho do Inter nos últimos três jogos. Para se defender, Coudet recorreu aos números de sua equipe desde o final da temporada passada.

— Se fala do sistema, da tática. Quando ganhamos, não escuto muito sobre isso. Sempre falo: ou é um gênio quando ganha, ou um idiota quando perde. Mas não escutei me chamarem de gênio ainda. E não me considero um gênio. O rival joga, e coincide que tivemos muitas situações de gol nos três jogos. Como explica isso? Não entrou. Tem coisas para corrigir, mas acho que dos últimos 20 jogos, perdemos um — argumentou Coudet.

Na verdade, dos últimos 21 jogos, o Inter só perdeu um. Foi para o Guarany, em Bagé, pelo Campeonato Gaúcho. Na temporada, em 17 partidas, são 12 vitórias, quatro empates e uma derrota. Soma-se à sequência os quatro triunfos consecutivos na reta final do Campeonato Brasileiro do ano passado.

Mas isso pouco importa para a torcida colorada à medida que, pelo terceiro ano consecutivo, o Inter ficou de fora da final do Gauchão, competição que o clube não conquista desde 2016. E mais do que os resultados, é o desempenho recente da equipe que preocupa.

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Internacional deve ter mais mudanças nos próximos jogos

Coudet já promoveu algumas modificações contra o Belgrano. Fernando na zaga, Thiago Maia e Bruno Gomes no meio de campo, e Borré no ataque deixaram o time mais físico. Mas ainda não foi suficiente para uma melhora significativa.

Diante do mau momento de Maurício e Wanderson, Gustavo Prado e Wesley entraram bem no segundo tempo em Córdoba, e podem abrir disputa pelas posições. Resta saber o quanto Coudet, que preza muito pela competitividade interna, estará disposto a, eventualmente, colocar no banco de reservas dois jogadores muito importantes desde a sua chegada, na metade do ano passado.

Também é preciso considerar que nomes como Aránguiz, Enner Valencia e Lucas Alario, lesionados, ficaram de fora da estreia colorada na Sul-Americana. Ou seja, o Inter de Coudet ainda deve passar por mudanças nesse processo de reencontrar um time ideal. A expectativa é de que o reencontro com a vitória e com o bom desempenho aconteça partida relativamente tranquila, na próxima quarta-feira (10), no Beira-Rio, contra o Real Tomayapo, da Bolívia.

Foto de Nícolas Wagner

Nícolas WagnerSetorista

Gaúcho, formado em jornalismo pela PUC-RS e especializado em análise de desempenho e mercado pelo Futebol Interativo. Antes da Trivela, passou pela Rádio Grenal e pela RDC TV. Também é coordenador de conteúdo da Rádio Índio Capilé.

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