Libertadores

Coincidência une derrota na estreia com os três títulos do São Paulo na Libertadores

Assim como em 2024, São Paulo estreou sem vitória nos três anos em que foi campeão da América

Depois de 17 dias livres para trabalhos, Thiago Carpini decepcionou o São Paulo com a atuação da equipe na derrota por 2 a 1 para o Talleres, na última quinta-feira (4), no Estádio Mario Alberto Kempes, na partida que marcou a sua estreia na Libertadores. O resultado negativo só aumenta a já intensa pressão que o técnico sofre no cargo e o obriga a mais do que nunca vencer a próxima partida contra o Cobresal no MorumBIS. Mas uma coincidência histórica, ao menos, pode servir para fortalecer a confiança do treinador na recuperação.

Se serve de consolo a Carpini, o São Paulo estreou sem vitória nas três vezes em que conquistou a Libertadores. Em duas delas, aliás, sofreu derrotas até piores. Em 1992, a equipe de Telê Santana iniciou a campanha rumo ao primeiro título com uma surpreendente derrota por 3 a 0 para o Criciúma. No ano seguinte, o Tricolor entrou direto nas oitavas de final por ser o atual campeão e perdeu o jogo de ida por 2 a 0 para o Newell’s Old Boys, justamente o rival na grande final anterior. Por fim, em 2005, veio um empate em 3 a 3 com o The Strongest, na altitude.

As estreias do São Paulo em anos de título

  • 1992 – Criciúma 3 x 0 São Paulo – fase de grupos
  • 1993 – Newell’s Old Boys 2 x 0 São Paulo – oitavas de final*
  • 2005 – The Strongest 3 x 3 São Paulo – fase de grupos
    *À época, o campeão do ano anterior entrava direto nas fases de mata-mata

Carpini sabe que está obrigado a vencer o Cobresal na próxima quarta-feira (10), às 21h30 (horário de Brasília), no MorumBIS, pela segunda rodada do Grupo B para evitar até mesmo riscos de uma saída precoce do cargo. E a história só aumenta a obrigação do treinador de conduzir a equipe a uma vitória. Porque em todos os anos de título, o Tricolor saiu vitorioso do segundo jogo na competição.

Em 1992, o São Paulo aplicou 3 a 0 no San José, da Bolívia, em casa. No ano seguinte, a vaga diante do Newell’s Old Boys veio com goleada por 4 a 0 no Morumbi. E em 2005, o Tricolor não tomou conhecimento da Universidad de Chile e venceu por 4 a 2 diante de seu torcedor.

— Não começamos do jeito que queríamos. Não foi saldo positivo pelo resultado, mas pelo comportamento, a busca pelo empate até o fim. É seguir trabalhando. Coisas boas, fizemos. Alguns erros precisamos seguir ajustando. E quarta-feira é MorumBIS. Voltar a viver clima de Libertadores. Futebol e vida são feitos desses momentos. Altos e baixos. As coisas daqui a pouco voltam a acontecer — disse o treinador após a derrota.

Carpini tem respaldo, mas vê pressão aumentar

Mesmo que os resultados teimem em não aparecer, o técnico segue respaldado pela diretoria de futebol e tem confiança para desenvolver seu trabalho de olho nas principais disputas da temporada — Libertadores, o Campeonato Brasileiro e a Copa do Brasil. A avaliação interna é de que a equipe está no caminho certo e de que os desfalques atrapalharam bastante o rendimento e a adaptação às ideias e estilo de jogo de Carpini neste início de temporada.

Isso não mudou com a eliminação no Paulista, nem agora. O elenco também está fechado com o técnico. Mas se antes as críticas eram apenas externas, Carpini vê surgir também alguma insatisfação interna. Nos bastidores, houve cobranças pelo desempenho na estreia em Córdoba, depois de 17 dias sem jogos. A expectativa era de que a equipe mostrasse uma evolução que não apareceu. O técnico sabe que precisa dar uma resposta imediata tanto para aplacar as críticas, quanto para colocar a equipe no caminho da classificação na Libertadores.

O São Paulo é o lanterna do Grupo B sem pontos somados. O Tricolor agora tenta a recuperação em casa. Na próxima quarta-feira (10), às 21h30 (horário de Brasília), a equipe recebe o Cobresal, do Chile, no MorumBIS, pela segunda rodada da chave.

Foto de Eduardo Deconto

Eduardo Deconto

Jornalista pela PUCRS, é setorista de Seleção e do São Paulo na Trivela desde 2023. Antes disso, trabalhou por uma década no Grupo RBS. Foi repórter do ge.globo por seis anos e do Esporte da RBS TV, por dois. Não acredite no hype.
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