Libertadores

Fluminense acerta ao dar prioridade para planos populares na final da Libertadores

Torcedores do Fluminense que pagam planos mais barato tiveram os mesmos direitos de compra que os planos mais caros

Os ingressos para a final da venda da Libertadores foram esgotados pela torcida do Fluminense. Mas engana-se quem pensa que só quem paga muito caro estará no Maracanã no dia 4 de novembro (sábado), às 17h (de Brasília), quando o Tricolor enfrentar o Boca Juniors. Isso porque a diretoria, acertadamente, deu prioridade 1 ao plano popular “Leste Raiz”, destinado a pessoas de baixa renda.

Com o setor cedido para vendas para o público geral pela Conmebol, havia a possibilidade de quem adquiriu os pacotes de sócio-torcedor nem sequer ter acesso ao estádio — o que ampliaria o debate sobre a elitização dos estádios no futebol brasileiro. O Flu foi na contramão e deu ao plano Leste Raiz, de R$ 35 mensais, os mesmos direitos de compra que os planos mais caros, como o “Maraca Família”, que custa R$ 900.

A torcida do Fluminense ficará no setor sul do Maracanã, onde já está acostumada em jogos de mando do Tricolor. Apenas 20 mil ingressos, ao custo de R$ 260 (R$ 130 a meia-entrada) estavam à disposição e foram esgotados em poucas horas.

Os torcedores, inclusive, prometem grande festa. As organizadas e movimentos populares se unirão atrás do gol do setor sul, no centro do setor de arquibancadas, e bateram o recorde de arrecadação do Brasil para festas em arquibancadas. Já são R$ 227 mil até o fechamento desta matéria, 10% acima da meta estabelecida pelos tricolores.

Fluminense vai na contramão de rivais Flamengo e Vasco

O que pode parecer financeiramente injusto para alguns, na verdade, é um estímulo do Tricolor aos torcedores de camadas mais populares, indo na direção contrária aos maiores rivais.

O Vasco tem hoje o plano de sócio-torcedor mais caro do Brasil, enquanto o Flamengo, também no top 5 entre os mais caros, de acordo com levantamento da Trivela, ainda vende um pacote de jogos além do valor mensal de associação.

Não à toa, ambas as torcidas, em grande acerto, protestaram contra suas diretorias.

No jogo que culminou na eliminação na Copa do Brasil, para o ABC, os vascaínos boicotaram a ida à São Januário, e levaram pouco mais de 13 mil torcedores ao estádio, bem menos do que a gigante torcida cruzmaltina está acostumada.

Já os 46 mil rubro-negros que foram ao Maracanã para Flamengo x Bahia — também abaixo da média de público do Fla — protestaram contra o presidente Rodolfo Landim com faixas e cânticos durante todo o jogo. O valor dos bilhetes e o pouco acesso aos torcedores de camadas populares esteve no centro das atenções.

Fluminense tenta resgatar vocação popular em campanhas

Clubes de massa, os grandes do Rio de Janeiro têm se afastado do seu público tradicional ao longo dos anos, na verdade, de maneira mais vertiginosa após a Copa do Mundo de 2014, que arenizou os estádios brasileiros e acelerou a “gentrificação” do futebol no país.

O Botafogo já tinha iniciado movimento contrário com pacotes de preços agressivos de sócio-torcedor a partir de 2017, ano em que esteve na Libertadores. A partir da gestão Mário Bittencourt, o Fluminense acompanhou o Alvinegro, e agora, dá uma demonstração de preocupação com a questão durante a final da Libertadores.

Além dos ingressos, o Flu também tenta resgatar sua vocação popular com medidas sociais como doações de cestas básicas, eventos oficiais em comunidades do Rio de Janeiro, com ênfase na Cidade de Deus, vizinha ao CT Carlos Castilho, a série “Herdeiros de Chico Guanabara” e o lançamento da terceira camisa em homenagem aos 115 anos de Cartola.

Tudo iniciado antes, com a campanha #TimeDeTodos, que também inclui torcedores de baixa renda, além de outras minorias.

Maracanã terá casa cheia para final da Libertadores

Cerca de 60 mil ingressos foram comercializados pela Conmebol para o público geral e para torcedores de Fluminense e Vasco. Ainda há cadeiras cativas, gratuidades e uma carga que a entidade destina a seus patrocinadores e autoridades oficiais.

Assim, o Maracanã terá casa cheia para a final da Libertadores. O Fluminense tem muito o que comemorar com isso: não perde com mais de 60 mil pessoas no estádio desde 1991, e têm ótimo aproveitamento com estádio cheio. Bons elementos para o reencontro de estádio, clube e sua torcida para a decisão da competição após 15 anos.

Fluminense na Libertadores 2023

  • Classificado às oitavas de final no 1º lugar do grupo D com 10 pontos;
  • 55% de aproveitamento na fase de grupos;
  • Eliminou o Argentinos Juniors nas oitavas de final — placar agregado 3 x 1;
  • Eliminou o Olimpia (PAR) nas quartas de final — placar agregado 5 x 1;
  • Eliminou o Internacional nas semifinais — placar agregado 4 x 3;
  • Enfrenta o Boca Juniors na grande final, no Maracanã, em 4 de novembro.
Foto de Caio Blois

Caio Blois

Caio Blois nasceu no Rio de Janeiro (RJ) e se formou em Jornalismo na UFRJ em 2017. É pós-graduado em Comunicação e cursa mestrado em Gestão do Desporto na Universidade de Lisboa. Antes de escrever para Trivela, passou por O Globo, UOL, O Estado de S. Paulo, GE, ESPN Brasil e TNT Sports.
Botão Voltar ao topo