Libertadores

Fluminense: as lições do empate épico com Argentinos Juniors na Libertadores

Tricolor repetiu erros que por pouco não custaram um placar pior na partida de ida das oitavas

O Fluminense saiu do Estádio Diego Armando Maradona com um bom resultado para o difícil confronto na Libertadores contra o Argentinos Juniors. Mas mais uma vez, o Tricolor repetiu erros que por pouco não custaram um placar pior. Lições que o time de Fernando Diniz precisa tirar do empate épico que arrancou em Buenos Aires.

Agora são nove jogos que o Flu não sabe o que é vencer como visitante. A estatística, entretanto, é o de menos nesse momento. Mais do que o resultado, o que preocupa é o desempenho. Embora Diniz costume reclamar da oposição entre as duas coisas, o Fluminense segue sem nenhuma delas.

Os primeiros 30 minutos de jogo poderiam ter tirado qualquer chance de classificação não fossem duas grandes defesas de Fábio, que mais uma vez salvou a equipe.

Para o confronto pelas oitavas de final da Libertadores, o Fluminense saiu com vantagem, já que decide em sua casa, no Maracanã, na próxima terça-feira (8), às 19h.

Fluminense finaliza pouco mesmo ‘sem goleiro'

Se melhorou no segundo tempo, o Fluminense foi um time de poucas finalizações. Em todo o jogo, foram apenas oito. Também culpa do péssimo início de partida — e uma falta de agressividade no ataque que não combina com a equipe.

— Faltou um pouco dessa ousadia, começar desde o início já querendo fazer o nosso jogo. Eles começaram com dois centroavantes, ligação direta, bola aérea, e nós ficamos acanhados. No segundo tempo sim começamos a sair, fazer o nosso jogo, e aí passamos a arriscar mais. Foi um jogo dificil, mas o resultado foi importante. Conseguimos o empate, chegamos a virada, mas deu o impedimento — disse Samuel Xavier, autor do gol de empate após o jogo.

Para efeito de comparação, o Tricolor venceu apenas um adversário em 2023 com menos de 11 chutes ao gol: o Cuiabá, em atuação que já foi muitas vezes criticada por Fernando Diniz, no Brasileirão. Os dados são do Sofascore.


Ainda que isolados os números não digam tudo, é importante pontuar que, assim que passou a colocar a bola no chão e impor seu estilo de jogo, o Flu foi superior ao Argentinos Juniors. Mas mesmo nos 22 minutos em que atuou contra um atacante embaixo das traves, o Tricolor pouco finalizou.

— Tem um pouco de mérito da marcação. A gente colocou o Leo Fernández, que chuta muito bem, a ideia era aproveitar a falta, já que ele é um exímio batedor e a boa batida que ele tem. Eles procuraram não baixar muito o bloco, fazer uma marcação de linha média e a gente poderia ter acelerado um pouco mais e ter jogadores na última linha e ter mais condições de bola para chute — explicou Diniz, sem convencer muito.

Peças voltam ao time, mas não fazem bom jogo

Da escalação que venceu o Santos por 1 a 0 no Brasileirão, Fernando Diniz trocou cinco peças. Entraram Felipe Melo, Marcelo, Lima, Ganso e Keno. Nenhum dos cinco jogadores teve boa atuação individual.

O jogo coletivo do Flu não funcionou, principalmente no primeiro tempo. E quando foi melhor, o time já tinha Diogo Barbosa, Martinelli e Leo Fernández, que inclusive, participaram do gol de empate de Samuel Xavier.

A jogada começou com o lateral-esquerdo — que será titular no jogo de volta —, passou pelo volante na entrada da área e foi aparada pelo uruguaio para o lateral-direito balançar as redes.

Mudanças táticas não funcionam

O Fluminense começou o jogo com Lima, Ganso e Arias em uma linha à frente de André, ambos por trás de Keno e Cano. A mudança desguarneceu a marcação no meio de campo e não ocupou bem o campo de ataque.

Em mais de um momento, o camisa 10 apontava para Lima para corrigir seu posicionamento. O volante é o jogador mais utilizado por Diniz em 2023, mas não vive boa fase.

Com muito espaço entre as linhas, quem sofreu foi Marcelo, que se mostrou um pouco perdido no início do jogo. O lateral-esquerdo falhou quatro vezes em sequência, incluindo o lance do gol de Avalos. Depois, quase perdeu mais uma bola.

Quando melhorou, acabou expulso após lance muito forte, em decisão criticada pelo técnico do Fluminense.

— Para mim, é absolutamente absurda a expulsão do Marcelo, uma loucura. O que que o Marcelo ia fazer? — questionou Diniz, para prosseguir — Foi absolutamente para estragar o jogo. Não tem como aceitar a expulsão do Marcelo.

Bem treinado por Milito, adversário é perigoso

A equipe suportou bem a primeira parte, mas o confronto pelas oitavas de final da Libertadores ainda está em aberto. E o Flu sentiu que o time treinado por Gabriel Milito é bem perigoso.

Se não terá Marcelo, entretanto, o Fluminense também pode encarar um rival desfalcado. Além do goleiro Arias, suspenso, o artilheiro da equipe, Avalos, que marcou seu primeiro gol na Libertadores no jogo de ida, sentiu a coxa e é dúvida para a partida no Maracanã.

Foto de Caio Blois

Caio Blois

Caio Blois nasceu no Rio de Janeiro (RJ) e se formou em Jornalismo na UFRJ em 2017. É pós-graduado em Comunicação e cursa mestrado em Gestão do Desporto na Universidade de Lisboa. Antes de escrever para Trivela, passou por O Globo, UOL, O Estado de S. Paulo, GE, ESPN Brasil e TNT Sports.
Botão Voltar ao topo